VOTO PAGO COM INGRATIDÃO

Walmir Rosário*

Até agora o candidato Geraldo Simões não tomou coragem de ir à Ceplac pedir votos aos companheiros. Também pudera! Desde que deixou a convivência dos ceplaqueanos – e com os votos deles – para tomar posse na Assembleia Legislativa, Prefeitura de Itabuna e Câmara Federal, esqueceu dos que o ajudaram a se eleger.

Hoje, na Ceplac, Geraldo Simões é visto como um político “copa do mundo”, daqueles que somente aparecem de quatro em quatro anos. Nesse caso, ainda há uma agravante: volta e meia ele aparece por lá para se utilizar, de forma eleitoreira, de alguns eventos programados pelo deputado federal Josias Gomes, a exemplo da vinda de ministros ou outros figurões do Governo Federal.

Nos mandatos, entretanto, Geraldo Simões não contemplou, ou sequer reivindicou coisa alguma para a Ceplac ou seus servidores. Ao contrário, algumas conquistas poderiam ter sido concretizadas, a exemplo da inclusão dos servidores no Plano de Carreira. Mas, como seria um avanço político do Governo Federal, ele, com outros parlamentares petistas, engrossaram o “caldo” e se recusaram a participar, sob o patético argumento de que outros servidores federais ficariam à margem do benefício.

Como esse assunto data de 1992, os ceplaqueanos podem fazer as contas para saber quanto prejuízo para eles o companheiro Geraldo Simões proporcionou como retribuição aos votos dados. Em 2002 e 2003 os ceplaqueanos “bateram no pau do canto”, como se diz na gíria futebolística, e mais uma vez não conseguiram almejar um direito líquido e certo. Somente em 2004, após vencer muitas ações na Justiça, e com o apoio fundamental do deputado Josias Gomes, veio, enfim, a reclassificação no tão sonhado PCC.

Na avaliação do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), o deputado Geraldo Simões teve uma atuação medíocre na Câmara Federal. A publicação deste estudo foi feita em todo Brasil, inclusive pela Folha de São Paulo, jornal que não teria nenhuma influência ou inimizade política com o candidato petista.

Como era originário da Ceplac, esperava-se de Geraldo Simões o empenho em defesa da cacauicultura, principal matriz econômica regional, e cultura que une cerca de 1,5 milhão de pessoas no Sul da Bahia. Como deputado federal eleito por esta região, nenhum discurso foi proferido no plenário da Câmara em torno do cacau, da Ceplac, dos salários dos ceplaqueanos. Sequer procurou “pagar” os estudos proporcionados pela Emarc de Uruçuca, o que permitiu o seu “salto” para a vida política.

A falta de liderança e aptidão política de Geraldo Simões ficou patente com a entrada em cena dos deputados Josias Gomes e Geddel Vieira Lima, demonstrando ser perfeitamente viável a luta pela cacauicultura, pela economia cacaueira. Em pouco mais de um mês, o trabalho empreendido pelos dois parlamentares foi mais profícuo do que décadas de blá-blá-blás pelas esquinas e assembleias. Com certeza, esse fato será lembrado nas próximas eleições.

Como prefeito de Itabuna, Geraldo Simões somente lembra passagens terríveis, como um fim de (des)governo, com seis meses de salários e fornecedores atrasados, todas as linhas telefônicas cortadas, lixo acumulado pelas ruas e muitas denúncias de malversação do dinheiro público. Nunca a Polícia e o Poder Judiciário trabalharam tanto para dar conta de documentos da Prefeitura, grande parte encontrada após busca e apreensão na casa de auxiliares de confiança do prefeito Geraldo Simões.

Esperava-se que esses lamentáveis fatos servissem de lição ao prefeito Geraldo Simões. Ledo engano. Fez caras e bocas de peregrino, calçou (aparentemente) as sandálias da humildade e conseguiu, como um bom ator de segunda categoria, enganar, mais uma vez, a população de Itabuna. Também jogou na lata do lixo a segunda chance dada pelos eleitores. Uma terceira, convenhamos, é um preço muito alto a ser pago pelo povo de Itabuna.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 25-09-2004

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Walmir Rosario

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