Vereador Professor Vitor Fábio – “CANAVIEIRAS: ESPERANÇA E DESAFIOS”

http://ciadanoticia.com.br/wp-content/uploads/2019/02/vitorfábio.jpghttp://ciadanoticia.com.br/wp-content/uploads/2019/02/vitorfábio.jpgVereador Professor Vitor Fábio – “CANAVIEIRAS: ESPERANÇA E DESAFIOS”

Vitor Fábio avalia seus dois anos de mandato e afirma que seu maior compromisso é com a educação e criação de emprego e renda em Canavieiras

 

Com uma visão de mundo voltada para o social, o vereador Professor Vitor Fábio exerce o mandato na Câmara Municipal de Canavieiras empreendendo ações voltadas para a construção de políticas públicas afirmativas. Professor, ex-diretor do Colégio Noécia Cavalcante, tem compromisso firmado com a educação, que considera base sólida para a formação de um mundo melhor.

Os direitos sociais do cidadão tem sido uma grande preocupação do vereador Vitor Fábio, cujas ações nas áreas da saúde, geração de emprego e renda, sempre privilegiando as riquezas materiais e imateriais tem sido uma constante na elaboração de pedidos de providência, indicações e legislação municipal. No entender do vereador, as saídas para alcançar o pleno desenvolvimento estão presentes no próprio município.

Os desafios estão sendo enfrentados e vencidos no dia a dia do legislativo, onde, de forma diferenciada, atua como líder do Poder Executivo, sendo um canal de comunicação entre os dois poderes. Para o vereador, as dificuldades são enormes e os avanços são consideráveis, mesmo em se tratando de uma Câmara com a maioria de oposição ao Executivo, mas que tem aprovado políticas públicas importantes para o desenvolvimento de Canavieiras. Confira abaixo entrevista exclusiva com Vitor Fábio.

 

Cia da Notícia – Qual sua análise dos dois anos de mandato?

Professor Vitor Fábio – Foram dois anos muito produtivos e desafiadores. Herdamos uma cidade sem renda e sem perspectivas, uma educação que precisa avançar muito, pois segundo os dados da Justiça Eleitoral, grande parte de nossa população é analfabeta. Dentre todos esses desafios fica claro que o meu maior compromisso é com a educação e com a criação de meios para gerar emprego e renda à população.

Pra mim, 2017 foi um ano de adaptações, pois sou professor e tive alguma experiência como diretor do Colégio Noécia Cavalcante, com aprovação da comunidade escolar. No legislativo, consegui aprovar uma lei para a coleta seletiva e o aproveitamento de resíduos sólidos, visando acabar com os lixões e tirar da vulnerabilidade, pessoas que vivem hoje da catação e reciclagem. Outra luta nossa é conseguir avançar nas escolas de campo, conferindo-lhe autonomia.

C.d. N – Logo no primeiro mandato recebeu a incumbência de exercer a liderança do Executivo na Câmara. Como está se saindo nesta nova função?

V. F. No segundo semestre de 2017 recebi a responsabilidade de exercer a liderança do Executivo junto aos meus pares. É um tema que trato com inovação, infelizmente, ainda prevalece a ideia que ser o líder de governo tem apenas a obrigação de defender o prefeito na Câmara, uma espécie de advogado de defesa, e não é bem isso. Na verdade, o líder é uma ponte de diálogo entre o Executivo e o Legislativo, com vistas à busca de concretizar políticas públicas.

Tanto é assim que quando o prefeito manda um projeto de lei para a Câmara, ele é analisado, adaptado, modificado após a realização de audiências públicas, ouvindo a comunidade. Apesar de hoje termos uma Câmara com maioria da oposição, sempre tive a colaboração dos colegas. A Administração Pública, em nenhum momento, se tornou inviabilizada por um projeto de lei do Executivo, inclusive nas suplementações ao orçamento. Minha ação junto aos pares sempre foi de políticas afirmativas.

C.d. N – As leis que são aprovadas na Câmara tem beneficiado o contribuinte? De que forma?

V. F. Nem todos os projetos de lei com ações afirmativas para beneficiar a população se concretizam em sua plenitude, mas algumas como o Refinanciamento das Dívidas (Refis), e Lei de Convênios que permite que a prefeitura efetue repasse de até três salários mínimos mensais para entidades sem fins lucrativos e que possuam utilidade pública, sim. Também aprovamos a Lei do Jovem Aprendiz, para permitir que a Prefeitura contrate alunos da escola pública, tanto do Fundamental II, Ensino Médio e Superior. A Lei da Coleta Seletiva de Resíduos Sólidos, que entrará em vigor no segundo semestre de 2019 e a Lei da Acessibilidade, ainda tímidas. Infelizmente, as dificuldades se originam no Governo Federal, que não cria condições para que essas leis se concretizem, mesmo obedecendo as Diretrizes Nacionais, a própria Lei de Resíduos Sólidos em nível nacional, que determina o fim dos lixões, os prazos são renovados, o que demonstra a falta de compromisso com a execução da lei.

C.d. N. – Ouvimos falar muito em crise nos municípios, qual a origem?

V. F. O grande desafio desta Nação é a realização de um grande pacto federativo. Como diz o presidente eleito: mais Brasil e menos Brasília. Hoje todo o projeto que cause um impacto positivo na sociedade precisa de emendas ao orçamento federal, pois os municípios ficam com a menor parte na distribuição dos recursos tributários, que é feita de forma perversa e desigual. Atualmente, grande parte da arrecadação é destinada aos serviços de educação e saúde, limpeza e, principalmente, folha de pagamento.

C.d. N. – A municipalização do trânsito de Canavieiras é uma necessidade. Conseguirá ser aprovada ainda em 2019?

V. F. Não resta dúvida que a municipalização do trânsito é uma tendência nacional, assim como a saúde e a educação já foram, e eu sou o relator do projeto desse projeto. Os municípios têm que se adequar ao futuro. Promovemos uma audiência pública para analisar o projeto com a visão da sociedade, obedecendo a parâmetros para ver se condiz com nossa realidade e não apenas com a visão do Executivo. No caso em questão, o grande debate foi a criação dos cargos, de livre nomeação do executivo, e ficou comprovado que deveriam ser ocupados através de concurso.

É necessário frisar que, primeiro municipalizemos o trânsito, para que venhamos a efetuar todos os estudos de viabilidade e execução. Só depois de municipalizado é que vamos saber se precisamos de uma ciclovia, se a que existe atende ou precisa ser adaptada, os estacionamentos, qual o fluxo do trânsito. O trânsito é importante à nossa segurança e para que tenhamos uma cidade turística mais atrativa, além da acessibilidade, como se movimentarão os nossos cadeirantes ou pessoas de mobilidade reduzida.

C.d. N. – A saúde também foi municipalizada e no Brasil a população está cada vez mais doente e com dificuldade de acesso a esse importante serviço. Qual sua visão sobre a saúde no município?

V. F. – Tivemos avanços como implantação de novos postos de saúde, núcleo de cardiologia, algumas especialidades e aquisição de novos aparelhos, mas os problemas existem e precisam ser sanados. Eu mesmo apresentei Indicação (em 2017 e reapresentei em 2018), para a descentralização do atendimento. Nela, propus a construção de uma nova unidade de saúde que venha a atender a população do Jardim Burundanga e adjacências. Isso porque a unidade de saúde do Sócrates Rezende é dividida em duas na sua estrutura física para o atendimento aos bairros Sócrates, Antônio Osório, Birindiba e Jardim Burundanga. Justamente nos bairros mais populosos e em franca expansão criamos um gargalo.

Teremos um avanço significativo quando o sistema estiver todo informatizado, sem que o paciente precise ficar numa fila para o primeiro atendimento, outra vez para a requisição dos exames, mais outra para pegar o resultado e uma nova por ocasião do retorno médico. Sem contar se precisar ir a um especialista. Hoje, o paciente vai ao médico como se fosse sempre a primeira vez, pois não existe um histórico arquivado.

Além do mais, a descentralização permitirá traçar um perfil dos pacientes, por si só e por regiões, evidenciando as condições de saúde por bairro, fornecendo dados para a formulação de uma política de saúde pública. Nesse caso, saberemos se as doenças são causadas por falta de saneamento básico, problemas com a alimentação, condicionamento físico, e aí, sim, passaremos a exercer a verdadeira medicina que é a profilática.

C.d. N. – A educação de Canavieiras sempre foi bem-conceituada, qual é a situação de hoje?

V. F. – Segundo dados do Atlas da Eficiência da Educação, Canavieiras está entre os 3% dos municípios que apresentam eficiência na Gestão Educacional. Mas é necessário mais, muito mais para falarmos em uma Educação de Excelência. É necessário uma “Reforma Pedagógica”, precisa-se avaliar metodologias, realizar planejamento levando-se em consideração instrumentos externos e internos de avaliação, o aluno deve ser o parâmetro para qualquer ação pedagógica. Geograficamente, também temos outros desafios em nossa realidade educacional. Se mapearmos a educação perceberemos que quase todas as escolas, principalmente as maiores, se encontram no centro da cidade. Se escolas bem estruturadas fossem implantadas no Sócrates, Jardim Burundanga, Cidade Nova, teríamos melhores resultados. Soma-se a esta realidade a Educação do Campo, onde temos um interior distante da cidade e com uma realidade cultural, social e econômica totalmente diversa.

Eu defendo que sejam criados polos. Nos Campinhos, por exemplo, existem duas escolas diferentes e que poderiam ser interligadas, juntamente com outras escolas que estejam dentro do mesmo perímetro, com um diretor e coordenador. A meu ver, a educação está razoável, embora não seja a ideal, principalmente em relação ao campo, onde o alunado precisa ter sua realidade refletida na escola, aprendendo também sobre seu solo, sua agricultura, seus costumes.

A realidade do aluno na Atalaia, por exemplo, que pode ser considerada perímetro urbano, é completamente diferente da do aluno do centro da cidade. Precisamos construir o conhecimento a partir da realidade local, que diga respeito a ele próprio. Não temos, nesses mais de 150 anos, uma escola localizada no campo que possua uma quadra poliesportiva, um anfiteatro, que dirá um laboratório. É preciso uma revolução na educação e, com a implantação da Lei do Sistema, o município terá autonomia para o gerenciamento da sua educação. Canavieiras precisa também de uma reforma curricular e de investimento na estrutura das escolas, fazendo com que os alunos mudem de sala e não os professores, com salas temáticas de história, de ciências e demais disciplinas, nos moldes do que faz hoje a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Ainda falta um grande investimento do Governo Federal na educação básica. Se compararmos a estrutura das universidades com as escolas da educação básica, veremos realidades totalmente distintas. Em vez de cuidar da base, partimos direto para cuidar do telhado.

C.d. N. – Canavieiras carece dos ensinos profissionalizante e universitário. Como reverter essa situação?

V. F. – Temos que oferecer um ensino de qualidade, a partir da educação básica, construindo conhecimento junto ao aluno, e mais do que isso, se esse conhecimento não se tornar significativo para ele, fazendo com que aprenda, teremos alunos de péssima qualidade, o ensino de qualidade abrirá as portas das universidades aos nossos alunos.

Com relação ao ensino profissionalizante, já iniciamos essa mudança pelo Colégio 15 de Outubro, ainda em fase de implantação. Eu sou professor do 15 e estamos concentrando esforços para que venha a se tornar um centro técnico, mudando a estrutura com investimentos, inclusive, na implantação de laboratórios. Embora o governador Rui Costa diga que defende os cursos técnicos não tem investido nessa área. O mesmo acontece em nível federal, com os IFEs e IFBAs sucateadas.

C.d. N. – Quais as alternativas de geração de mais emprego e renda para o município?

Em Canavieiras se desenvolveu uma mentalidade das soluções vindas de fora, o que se ouve como solução é a vinda de uma fábrica. Eu apresentei uma Indicação ao Executivo para que seja feito um estudo de viabilidade econômica, para que conheçamos nossos potenciais e, mais que isso, quais os mais fáceis de comercializar, seja através do turismo ou da agricultura.

Além desse estudo, também apresentei a Indicação para a implantação do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), para que todos os nossos produtos só sejam comercializados com o selo de qualidade. Essa certificação pode fazer parte do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa) permitindo a venda em todo o território nacional.

Um grande exemplo é o catado, que não deveria ter um preço muito inferior ao caviar, pois para se apurar um quilo são utilizados, no mínimo, cerca de 80 aratus. É um produto nosso que, com o selo de qualidade, poderia ser vendido por um preço justo, agregando valor, que é justamente o que nos falta para aumentar o emprego e renda e até justificar um curso técnico na cidade.

Também saem daqui toneladas de pescados, entre eles, a lagosta, produtos agropecuários, além do coco, dendê, piaçava, dentre outros que saem e não são tributados.

Canavieiras é uma das maiores produtoras de camarão da Bahia e estamos em franca expansão e temos aí mais uma oportunidade de alavancar a nossa economia e aumentar a nossa arrecadação, desde que possamos criar meios de tributar esses produtos adequadamente, acredito que o SIM é uma ótima alternativa.

A riqueza está em nossas mãos e estamos a desprezando.

C.d. N – Canavieiras é um grande polo agropecuário e quase tudo sai sem deixar divisas em forma de tributo. Como mudar esse quadro?

V. F. – O SIM já seria um grande avanço, mas precisamos de um diagnóstico sobre o nosso rebanho de leite e corte, nossa produção de cacau, de café, de mamão, melhorar nossas estradas vicinais. Um grande entrave é culpa do Governo do Estado que não investe em nosso principal canal de tráfego econômico, que é a rodovia Transouricana. Ao contrário de quem defende a construção da Canavieiras-Belmonte, acredito que a rodovia que mais renderia divisas ao município seria a Transouricana, após pavimentada.

C.d. N. – Para encerrar, quais as prioridades de Canavieiras?

V. F. – Na educação, a reforma curricular, pois o conhecimento tem que ter um sentido para o aluno, com a internet o professor deixou de ser o dono do conhecimento, sendo apenas um intermediário. Investir nas estruturas da escola, para que seja um ambiente aprazível.

Na saúde, a informatização e descentralização e o saneamento básico para reduzir as doenças. Na economia, fazer com que a prefeitura deixe de ser a maior empregadora, mudando esse foco para a iniciativa privada, que é quem gera riquezas e promove o desenvolvimento.

Precisamos eleger o ano de 2019 como o ano do interior, com uma atuação mais abrangente, ampliando parcerias com o SENAR, Sindicato dos Produtores Rurais, Associações de Pequenos Produtores, ofertando aos agricultores assistência técnica – da análise do solo à distribuição no mercado – e implementos necessários ao desenvolvimento do nosso potencial agrícola, hoje até as hortaliças nós compramos de fora.

É preciso investirmos no turismo perene, pois somos ricos em meio ambiente (lagos, rios, mata atlântica, manguezais), somos a terra mater do cacau, e uma cidade própria para o turismo da terceira idade. Como disse, os desafios são muitos, mas levarmos Canavieiras de volta ao lugar que ocupou na socioeconomia baiana é a nossa missão.

 

Fotos: Lucas Báfica

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