VÃO-SE OS ANÉIS E OS DEDOS

Walmir Rosário*

A Espanha, candidata fortíssima nas principais casas de apostas para se sagrar campeã da Copa do Mundo volta pra casa. E retorna cabisbaixa com o fiasco que aprontou no Brasil. Toda a expectativa depositada na seleção ainda campeã do mundo ruiu, caiu por terra nas primeiras duas partidas da Copa.

A primeira, uma derrota acachapante para a Holanda, seleção vice-campeã, por um placar pra lá de elástico. Parece até que foi a vingança da derrota os “laranjas” na África do Sul. A segunda partida, esta contra o selecionado chileno, carimbou sua passagem de volta.

Um time apático que em nada lembrava a esquadra vencedora da copa passada, capitaneada pelos considerados melhores jogadores do mundo. Afinal, os espanhóis deram uma demonstração de seu poderio futebolístico ao mundo ao vencer quase todos os certames europeus.

O futebol apático do time espanhol parecia o clima vivido pela Família Real Espanhola. Descia por ladeira abaixo todo o glamour da realeza com a renúncia ao trono pelo Rei Juan Carlos. Sai de cena o “velho rei”, dá as caras o príncipe, agora sua majestade Felipe VI.

E o novo rei assume a coroa prometendo uma monarquia renovada. No seu discurso prometeu lutar pela diminuição do desemprego, assunto nada afeito às realezas dos países que ainda adotam essa forma de governo. Outra dor de cabeça é a divisão do país por vários grupos separatistas.

Se a monarquia espanhola teve seu nome arranhado com as denúncias de corrupção na Família Real, os atuais “reis do futebol” também baixaram a cabeça e abdicaram de ostentar o majestoso título de Campeões do Mundo. De nada valeram as montanhas de euros de investimentos feitos pelos seus grandes clubes.

Os espanhóis, pelo menos, tem a hombridade de deixar os cargos e postos que ocupam, na política ou fora dela, assim que ocorrem denúncias como as que aconteceram. Muito diferente do comportamento dos nossos políticos, que se agarram ao poder como se fossem o ar que respiram para viver.

Passam os homens, ficam as instituições, que cada vez precisam ficar mais fortes. É assim que a vida continua num país democrático. Se houve um deslise, que o praticante pague por ele, como deve ser em qualquer sociedade civilizada.

Agarrados como carrapatos no couro do boi, nossos políticos tentam se segurar nas benesses dos cargos públicos, sem se importarem com a avalanche de denúncias. Parece até que o que vale mesmo é o currículo negativo, uma espécie de “folha corrida” da polícia. No futebol, podemos ensinar, mas na política ainda temos muito o que aprender com os espanhóis.

*Clamando por uma mudança comportamental no país. 

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Walmir Rosario

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