UMA QUESTÃO DE BOM SENSO

Walmir Rosário*

Em Itabuna os grandes assuntos de interesse de toda a sociedade continuam merecendo tratamento discriminatório, preconceituoso e sempre de forma inamistosa e radical. Nada do que interessa á sociedade é previamente discutida por ela, ou sequer é chamada a opinar.

Agora, que estamos vivendo o período natalino, o mais tradicional do comércio, o centro da cidade, continua carecendo de uma série de serviços, os chamados essenciais, prejudicando o brilhantismo dessa festa.

Até agora, em que pese uma parceria celebrada entre a Prefeitura de Itabuna e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o centro da cidade não recebeu nenhuma das benfeitorias previstas, como a iluminação e decoração natalina, equipamentos que continuam guardados nos depósitos do Município.

Além da falta do clima natalino, criado pelas luzes e peças decorativas, os consumidores que buscam o centro da cidade para fazer suas compras, ainda padecem com os constantes buracos da avenida, a falta de espaço para a circulação nas calçadas e a falta de estacionamento.

Por uma questão de bom senso, antes de tudo é preciso avaliarmos a necessidade da CDL, como representante dos lojistas, e da Prefeitura, órgão máximo da administração local, criar condições favoráveis para fomentar as vendas, alcançando um maior universo de pessoas, que geralmente se deslocam de suas cidades para realizar suas compras de fim de ano em Itabuna.

Infelizmente, invariavelmente esses consumidores não são tratados com o devido respeito e bom senso. O mesmo acontece com a população local, se bem que já acostumada ao desprezo por parte do Município, quando se trata de receber os serviços a que teria direito.

É natural e perfeitamente lógico que, nos esforços de reduzir despesas e ampliar receitas, que o município necessita de forma quase desesperada, em razão de suas prioridades, busque acabar com despesas – ou investimentos – consideradas não essenciais. Até aí nada mais justo. Porém, o Poder Público Municipal não pode desconhecer que o comércio sempre foi a maior atividade de Itabuna, a que gerou mais empregos e que responsável pela geração de impostos.

Não se concebe que uma atividade dessa importância seja relegada à sua própria sorte, na produção de benesses para o Município, através de promoções que aumentam a arrecadação de tributos pela Prefeitura, quando ele se nega a cumprir a sua parte.

Não se pode, a pretexto de acabar com determinados gastos, eliminar também as milhares de empresas, que são, verdadeiramente, as grandes benfeitoras, que ajudam – e muito a reduzir as amarguras de milhões de brasileiros que vivem no limite da pobreza e da miséria, proporcionando emprego e renda.

Emocionalismo exacerbado não contribui para a eliminação das dificuldades existentes no Município. É preciso aplicar o bom senso, pensar e buscar soluções para os problemas e não desprezar um dos segmentos mais importantes da sociedade. Os lojistas esperam ser ouvidos e atendidos em suas reivindicações, bem como pretendem continuar contribuindo para o desenvolvimento de Itabuna.

* Radialista, jornalista, advogado

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 12-12-1998

Author Description

admin

No comments yet.

Join the Conversation