UMA JUVENTUDE NA MIRA DO MAL

Julio Cezar de Oliveira Gomes*

Frequentemente nos queixamos de determinados aspectos do comportamento dos jovens de hoje. Dizemos que as músicas que eles ouvem são um lixo, que eles têm a cabeça vazia (fúteis é uma palavra que quase não se usa mais hoje em dia), que as moças têm um comportamento pra lá de inadequado do ponto de vista moral, que muitos não querem nada com o estudo e absolutamente nada com o trabalho, e que há uma tendência crescente a não respeitarem nada nem ninguém.

De fato, se fizermos uma generalização grosseira, nossos jovens são assim mesmo. Mas por que são assim?

Em primeiro lugar devemos entender que se eles são assim é porque assim nós os levamos a ser.  O comportamento humano é socialmente aprendido, e não é novidade nenhuma afirmar que o homem, e a mulher, são frutos do meio em que vivem.

Mesmo que em nosso grupo familiar nos esforcemos ao máximo para que as coisas não trilhem este caminho, não podemos – nem devemos – impedir que nossos jovens entrem em contato com o mundo, que será deles quando partirmos. E o mundo, a sociedade, encontra-se em uma terrível miséria em termos de moralidade e bons exemplos.

Para começar, tudo o que não presta parece que passou a ser inquestionavelmente correto. Assim, se alguém desfruta de luxo e dinheiro sem trabalhar e sem ser rico, ninguém vê nada de errado nisso, como se o dinheiro caísse do céu. Se alguém bebe demais ou usa drogas, é retado! Se tem duzentos relacionamentos, seja homem ou mulher, seja com homem e/ou com mulher ao mesmo tempo, é um exemplo a ser seguido!

Se não gosta de estudar e não quer trabalhar, dizem que é problema dele. Mas não é. É problema de quem o sustenta. Só será problema dele no dia em que aquele que o mantém fechar os olhos para sempre, e ele tiver de se sustentar sozinho.

Se usa drogas, ninguém deve se meter na vida deste jovem – ainda que esteja morando e dependendo dos pais. Bem, se fumar cigarros comuns em público, será execrado por todos por este fedorento mau hábito. Mas se acender um cigarro de maconha ninguém ousará falar nada. Se falar será para dizer que hoje se pensa em liberar o uso da maconha, que obviamente não fede, não faz mal à saúde, não incomoda e não tem nenhum efeito psicoativo. É tão inocente e benigna quanto a Branca de Neve!

Os modelos de nossa juventude não são médicos, nem estadistas, nem pessoas como Nelson Mandela ou Madre Tereza de Calcutá. São os imbecis do Big Brother, que a Rede Globo celebra como sendo nossos heróis! Mesmo que eles não tenham qualidade alguma além de um belo corpo. Aliás, se não fosse por isso – e pelos demais desvios de comportamento que também serão apresentados como modelos a ser seguidos – não estariam lá.

O mundo ensina todos os dias a nossos jovens – e nós também ensinamos – que desonestidade é sinônimo de esperteza; que conceitos tais como moralidade e honra, desapareceram; que a palavra covardia – que tornava condenável agredir uma mulher, assaltar e depois atirar em alguém ou espancar um idoso – é simplesmente incompatível com o mundo de hoje.

Quero terminar parabenizando aos jovens que, apesar de tudo isso, ainda conseguem ter boas qualidades! Que conseguem tratar as demais pessoas com respeito e consideração. Que desejam estudar e adquirir formação para o mundo do trabalho. Que querem um dia trabalhar e ganhar o pão de cada dia com o suor de seu rosto. Que pensam em um dia construir uma família, sem dúvida outro conceito anacrônico, antiquado.

Quero parabenizar a todos os jovens que ainda têm consigo – talvez por “culpa” de suas famílias – conceitos como boa conduta, moral, honra, respeito ao próximo e educação civil.

Vocês, que apesar de tudo têm ao menos algumas dessas qualidades, podem bater no próprio peito e dizer: Eu sou o cara!

*Professor, graduado em História; e Advogado, graduado em Direito, ambos pela Uesc – Universidade Estadual de Santa Cruz

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Walmir Rosario

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