TRISTE FIM DE GOVERNO

TRISTE FIM DE GOVERNO

Walmir Rosário*

Sem demérito algum para a categoria dos garçons, a qual tem muito apreço e grandes amigos, costuma-se dizer que a autoridade mais poderosa num fim de governo em prefeitura é quem tem a chave da cantina. Água gelada e cafezinho quente só para os mais chegados desses profissionais, dizem em tom de brincadeira quem já experimentou passar os meses finais na administração municipal após a derrota do prefeito ou seu candidato.

Deixando a brincadeira com os garçons de lado, é uma cena diária, triste e sem consolo. Os funcionários de carreira, cuja maioria não vota no prefeito atual ou seu candidato, só pensam em se vingar da chefia, que priorizava o tratamento afável e as benesses para os ocupantes de cargos de confiança, além de procurar ficar em sintonia com a futura administração: receber bem o novo prefeito.

A Prefeitura de Itabuna tem sido palco de histórias memoráveis desses nefastos períodos. O mais recente deles se deu em 1996, no final da primeira administração do prefeito Geraldo Simões, com linhas telefônicas cortadas, pagamento de salários em atraso, fornecedores sem esperança de receber seus créditos, e até mesmo o fornecimento de energia elétrica cortado.

Como se tudo isso não bastasse, o triste final de administração de Geraldo Simões ainda foi marcado por denúncias de corrupção e desvios de recursos públicos de toda a natureza. Até mesmo o Poder Judiciário teve que dedicar parte de sua atenção às contas e os pagamentos do Município. Era o caos, o desgoverno estava instalado.

Como na filosofia debatida em mesa de bar e pé de balcão, a história vive eternamente a se repetir, na visão de Friedrich Nietzsche, avalizado pelo não menos ilustre Karl Marx, que foi além e demonstrou que essa repetição se dá em forma de farsa, cabe a nós, itabunenses, botarmos nossas barbas de molho. Será que teremos este ano a mesma triste situação vivida em 1996?

Alguns indícios para temermos não faltam, a exemplo da demissão de pessoal em algumas áreas da administração, notadamente na saúde, setor que o prefeito Geraldo Simões utilizou como base da propaganda eleitoral. O sumiço de algumas placas indicativas de localização de obras já seria um indício de que as promessas feitas não deverão ser cumpridas.

Outro (mau) exemplo é a comunicação feita pelo presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargador Gilberto Caribé, de que não mais seria construído o novo fórum de Itabuna, por não estar mais à disposição do TJB o terreno desapropriado pela Prefeitura. Nesse caso, todos os esforços feitos ao longo do tempo pelo Grupo de Ação Comunitária (GAC) cairiam por terra.

Não fosse o desembargador Gilberto Caribé um grande amigo de Itabuna, cidade onde militou no Ministério Público, a construção desse fórum ainda faria parte do sonho dos itabunenses. Mas, apesar de todos os esforços empreendidos, tudo leva a crer que o prefeito Geraldo Simões não honrará o compromisso de pagar a área desapropriada, liberando, enfim, o terreno livre de qualquer ônus para o Ipraj (Instituto Pedro Ribeiro de Administração Judiciária), órgão construtor do TJB.

Apesar de ter nascido em Itabuna, o prefeito Geraldo Simões parece que ainda não aprendeu a conhecer o itabunense, homem acostumado às adversidades, inclusive políticas, mas que não costuma quedar-se diante das primeiras dificuldades. Com sabedoria aprendeu a crescer quando nos momentos mais difíceis, dando a volta por cima quando todos esperavam uma rendição.

A sociedade itabunense, mais uma vez, terá sabedoria suficiente para discernir o joio do trigo e ir à luta para manter sua conquista. Por certo, homens com alto espírito público saberão que caminho trilhar e conseguir, em tempo recorde, um novo local para edificar a Casa da Justiça. Enquanto alguns poucos se apequenam em sua insignificância, outros, por certo, se agigantarão na defesa dos interesses maiores da coletividade.

* Radialista, jornalista e advogado

Publicado no jornal Agora em 30-10-2004

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