TRANSFORMAÇÃO NO COMÉRCIO

Walmir Rosário*

Há cerca de 10 anos que o comércio varejista vem passando por grandes transformações. Para uns é o efeito da globalização, com nova visão do mercado. Para outros, é apenas uma decorrência da modernização da atividade. Mas não podemos negar que os efeitos da globalização aceleraram esse processo, para permitir a competição com as grandes empresas vindas do exterior; as multinacionais do varejo, trazidas pela fase de abertura econômica vivida no Brasil. Nas pequenas e médias cidades, as mudanças ainda não são tão marcantes, mas o quadro já preocupa os empresários das grandes cidades.

A onda de globalização está chegando ao eixo Ilhéus-Itabuna, primeiro na última, onde será inaugurado o primeiro shopping center do Sul da Bahia, o Jequitibá, o que por certo provocará uma profunda mudança no nosso comércio varejista. Acreditamos que a concorrência será melhor, mais saudável, pois enquanto os empresários do shopping oferecem estacionamento, ar-condicionado e outras regalias, proporcionando mais comodidade, os do centro da cidade podem contra-atacar com outros tipos de promoções, concorrendo em preço.

Essa concorrência é visível onde os dois tipos de comércio já estão convivendo. Pesquisas recentes comprovam que há lugar para grandes e pequenos, desde que cada um procure o seu nicho de mercado, evitando, portanto, a concorrência predatória. De acordo com os pesquisadores, não dá para enfrentá-los de igual para igual, evitando-se a eliminação progressiva dos concorrentes menores. É evidente que a competição leal é saudável, impulsiona os negócios e beneficia o consumidor.

O empresário que não entender isso, com certeza, deixará a atividade num tempo bem menor do que se poderia imaginar. O seu negócio passará para as mãos de concorrentes mais aptos e ágeis, ou do contrário fechará as portas. É preciso saber onde está o seu cliente e ir buscá-lo, oferecendo o que as grandes redes não sabem fazer: tratá-los de forma personalizada e com o carinho como só os verdadeiros amigos sabem fazer. A depender do tipo de negócio, não espere que ele lhe seja totalmente fiel, mas que não o despreze.

* Radialista, Jornalista e advogado

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 04-09-1999

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