TRADIÇÃO MANTIDA, O PAU DE BASTIÃO ESTÁ NA CAPELINHA

Pau de Bastião no chão, para descanso dos carregadores e recarregar as energias

Como acontece todos os anos, foi realizada na noite de sexta-feira (11 de janeiro de 2019) a Levada do Mastro de São Sebastião pelas ruas de Canavieiras erguido na praça da Capelinha. O cortejo saiu do Porto Grande (sítio histórico) em grande festa, seguido por turistas e moradores pela avenida Octávio Mangabeira (rua 13), até a praça Armindo de Castro, (Capelinha), e o mastro foi erguido em frente a Igreja da Sagrada Família.

Um misto de festejos religioso e profano a festa de São Sebastião é uma tradição de Canavieiras, local onde o Santos é festejado com a colocação do mastro na sede do município, no bairro da Atalaia e no povoado do Estreito. No cortejo do centro participam vários grupos folclóricos, com capoeiristas, o Boi Duro, as filarmônicas 2 de Janeiro e Lyra do Comércio, seguido pelo povo.

Diferente de outras cidades brasileiras, em Canavieiras o mastro de São Sebastião, cortado uma semana antes, é carregado nos ombros por dezenas de homens, que param algumas vezes durante o percurso para descansar. Antes de iniciar o cortejo, o mastro (pau de Bastião) é enfeitado com folhas, disputadas pelas pessoas que as colocam na carteira como um pedido de prosperidade.

Cumprido roteiro, assim, que o cortejo chega à praça da Capelinha, o mastro de São Sebastião é erguido e tem início a festa popular com shows musicais e a presença de várias barracas de bebidas e comidas. Esse ano, uma série de contradições entre prepostos da prefeitura e dos carregadores do mastro quase inviabiliza a festa, que, finalmente foi realizada sem contratempos.

São Sebastião é comemorado em 20 de janeiro, e na sede do município de Canavieiras é celebrada uma missa na Igreja consagrada a São Sebastião, no bairro do nome, também conhecido com Três X, hoje o único evento religioso de destaque. No bairro da Atalaia e no povoado do Estreito, as programações também são marcadas pelos sentimentos religioso e profano.

Como tudo começou

Ex-coordenador da Levada do Mastro de São Sebastião por 60 anos, Trajano Barbosa, explica que a tradição começou há cerca de 150 anos, com uma história de uma família – pai, mãe e um casal de filhos – que veio morar em Canavieiras. Como não encontrou emprego nas roças de cacau, ele resolveu procurar uma área para morar, encontrando-a próximo onde hoje é o bairro da Birindiba.

Na nova casa, mãe e filho foram acometidos pela lepra, morrendo em seguida. Depois foi a vez do chefe da família, que também contraiu essa terrível doença, à época tida como sem cura. Numa noite, enquanto a filha esquentava água para o pai tomar banho teve uma visão. Ela via um homem todo perfurado por flechas, amarrado a uma árvore, que lhe dizia: “Tire as folhas da árvore e faça um chá para seu pai beber. Também coloque na água do banho que ele ficará bom”.

Imediatamente ele contou ao pai e como não sabia qual das três árvores em frente a casa – amescla, arueira e sete cascos – resolveu juntar as três e atender ao pedido. Isso era o dia 11 de janeiro e já no dia 20, o pai se levantou da cama e a terrível doença foi erradicada de Canavieiras, para surpresa da população.

Com saúde, ele arranjou trabalho numa fazenda vizinha e no dia 11 de janeiro seguinte pediu uma folga ao patrão para pagar a promessa. Entrou na mata, cortou um pau, ornamentou com folhas e arrastou pelas ruas da cidade, até as imediações da Capelinha, hasteando o pau. Nos anos seguintes, ele voltou a realizar a levada, que se tornou tradição na cidade. Com o passar do tempo ele comprou a propriedade em que trabalhava e se tornou um próspero fazendeiro.

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