TODA AUSÊNCIA É ATREVIDA, MAS O CASTIGO NÃO TARDARÁ

Gilbertão alerta os confrades sobre a desobediência no calendário dos tira-gostos

Todo o primeiro sábado do mês é dia de “tiquinho” na Confraria d’O Berimbau. Tiquinho, trocando em miúdos, é a quantidade de tira-gostos que deverão ser levados pelos confrades. É que neste dia não haverá marcação prévia do confrade encarregado de levar o prato principal, conforme calendário elaborado pelo Secretário Plenipotenciário e escolhido de forma democrática, quando não imposta.

Entretanto, volta e meia os confrades mais afoitos desobedecem o Estatuto da Confraria d’O Berimbau e cometem o “pecado” de levar pratos – mesmo que deliciosos – sem a devida aquiescência do Secretário Plenipotenciário. E o poderoso titular do cargo máximo, Gilberto Alves Oliveira (Gilbertão) já está tomando as devidas providências para não “encavalar” os tira-gostos, com a edição de um Decreto-Lei e as punições cabíveis.

Leitura do Decreto-Lei pelo ex-secretário Tolé

Pelo andar da carruagem, a missão deverá ser deveras espinhosa, pois os confrades não aceitam a estrita obediência às leis e regulamentos instituídos, por considerá-los peça de ficção, principalmente depois de tomar uns goles. Essa árdua missão já foi alvo de várias atitudes do ex-secretário Plenipotenciário Antônio Amorim Tolentino (Tolé), quando, ainda, acreditava e cuidava dos assuntos etílicos e gastronômicos.

À época, bem que avisei que a ostentação não é um comportamento adequado para um botequim do nível de o Berimbau, mas como não acreditaram, deu no que deu. De acordo com Decreto-Lei editado, lido ao vivo e publicado no mural pelo Secretário Plenipotenciário da Confraria d’O Berimbau, Antônio Amorim Tolentino, o Tolé, quem se candidatar a levar qualquer prato tem que se inscrever e entrar na fila de espera.

E, ainda por cima, tem que obedecer a uma série de trâmites burocráticos para que o seu prato seja aprovado, para que possa saciar o apetite dos membros presentes às sessões de sábado da Confraria do Berimbau. Nada mais é aleatório e é preciso conhecimento prévio das iguarias gastronômicas, com a finalidade de verificar se está de acordo com os padrões gustativos e conformidade com as questões de saúde pública.

Pois em atitude solene, no sábado passado (14), em pleno reinado de Momo, com o Berimbau devidamente enfeitado com motivos carnavalescos, eis que o Secretário Plenipotenciário impõe respeito às normas e lê, item por item, os termos do Decreto-Lei.

E de considerando em considerando, é uma obrigação da Confraria do Berimbau zelar pela saúde e bem-estar dos confrades e que a grande ingestão de tira-gostos poderá causar certo desconforto nos delicados aparelhos digestivos, além do consequente crescimento de protuberância abdominal, conhecida vulgarmente como barriga.

Democraticamente imposto, o “tenho dito” do Secretário Plenipotenciário deu início ao fim do atual quadro de congestionamento de tira-gostos reinante na Confraria do Berimbau. Imediatamente, os confrades interessados fizeram suas inscrições em livro próprio e ainda nesta semana serão informados os deferimentos e indeferimentos. Mas, seguindo a linha política brasileira, o Decreto-Lei não pegou.

Agora, a política da boa vizinhança entre os confrades será a de que se abstenha de cometer os deslizes de levar os tira-gostos nas datas destinadas ao confrade, como reza o calendário, ficando liberado para o dia do tiquinho. Nesse caso, não haverá o risco de “encavalar” os tira-gostos e, muito menos, os confrades recalcitrantes serem chamadas às falas pela autoridade maior da Confraria d’O Berimbau, o Secretário Plenipotenciário.

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