TERRORISMO RURAL

Walmir Rosário*

É incrível a sociedade ver e ouvir o ministro da Justiça afirmar serem as invasões promovidas pelo MST e seus congêneres atos legítimos e arrematar retrucando que o Governo Federal não tolerará a reação por parte dos fazendeiros turbados ou esbulhados de suas posses. Partindo do ministro Márcio Thomaz Bastos (advogado de uma das bancas mais renomadas do país, com anos e anos de experiência) essas citações, o simples cidadão comum sente-se tolhido dos seus direitos, ameaçado na sua propriedade, despido de sua cidadania.

A julgar pelas declarações dos líderes nacionais e regionais do MST, MLT, e outras facções, não há dúvidas do temor do próprio Governo Federal às ameaças feitas por eles. Do contrário não liberaria recursos ao ouvir a promessa de deflagrar o “abril vermelho”, numa alusão à massificação de invasões, iniciadas no estado de Pernambuco e que começaram agora, no extremo sul da Bahia.

A julgar pelas afirmações do líder maior do MST, João Pedro Stédile, os recursos liberados a toque de caixa pelo presidente Lula, no valor de R$ 1,7 bilhão, não irão aplacar a sanha antidemocrática dos chefes dos sem-terra. Pelas ações desenvolvidas até agora, antes de um movimento social, o MST e congêneres agem mais como promotores de uma guerra civil de baixa intensidade, conforme se pode depreender de sua tática.

Não é preciso ir muito longe para identificar nessas ações marcas da doutrina do “Catecismo Revolucionário”, de Sergei Netchaiev, bíblia das organizações terroristas. O catecismo é considerado legado fatal para os que acreditam no terror, como forma política de equacionar o mundo, deixando num plano secundário o primado da inteligência e do respeito à cidadania.

Segundo trechos do Catecismo, revolucionário em que os fins justificam os meios, é o homem que faz o sacrifício de sua vida. Ele não tem interesses particulares, nem sentimentos, nem propriedade, nem mesmo nome, e sequer admite laços com a ordem e o mundo civilizado, com leis, tradições e costumes. A pretensão é destruir a sociedade. As aparências não são meras coincidências e os sem-terra recebem doutrinamento exatamente igual, com um trabalho que beira a “lavagem cerebral” para ficar de mal com o mundo.

Também não é nenhuma coincidência nesse modelo a prática de apagar da memória dos militantes a tolerância e os sentimentos, principalmente da família, amizades, do amor, do reconhecimento devem ser sufocados pela única e fria paixão da obra revolucionária. Neste caso, as aparências são ainda maiores, haja vista a tática de colocar na linha de frente de uma invasão mulheres e crianças, no sentido de amedrontar a defesa e sensibilizar a opinião pública com o sentimento de opressão, apesar de atacar.

Conforme o Catecismo Revolucionário, o militante deve viver no meio da sociedade, em vista de sua implacável destruição, e dar a ilusão de ser totalmente diferente do que de fato é. Deve entrar na alta sociedade, na classe média, no comércio, no clero, no mundo dos funcionários, militares e escritores, na polícia e nos palácios governamentais. Até aí nada de mais, e basta uma simples análise para constatar as práticas e comprometimento de funcionários de órgãos ligados ao governo, principalmente os que têm a responsabilidade da reforma agrária.

Esses movimentos apenas se escondem no biombo do social, quando na verdade agem como foras da lei, praticando turbação e esbulho da propriedade alheia. Mesmo assim, nossas autoridades usam dois pesos e duas medidas e chegam a amedrontar o uso da defesa da propriedade com o preceituado na lei: “Os atos de defesa ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse”. Melhor seria ao Estado o exercício da isenção na garantia e manutenção da ordem.

*Radialista, jornalista e advogado

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