SOBRE O ÔNIBUS INCENDIADO NA URBIS, E ALGO MAIS

Julio  Cezar de Oliveira Gomes*

Não sei exatamente o que houve, mas lamento que um ônibus tenha sido queimado nesta terça-feira à noite, no bairro da Urbis, em Ilhéus.

Lamento ainda mais termos um prefeito que, visivelmente, está apostando no caos, no acirramento de quaisquer disputas sociais e políticas para construir, junto à população, o estado de desespero e de desesperança que poderá levá-lo – pensa ele – a sair desta situação como salvador da pátria.

Um executivo que se esmera em obter a prolongação das greves de professore e de servidores, e que se sente bem quando, na Câmara Municipal, um jovem manifestante é agredido por alguém ligado ao Poder Legislativo. Enfim, um governo que aposta no “quanto pior melhor”, na desagregação social mais absoluta.

Para ele, é muito fácil fazer isso. Não são os filhos dele que estão há quase dois meses sem aulas, e que já têm o aprendizado irremediavelmente prejudicado neste ano letivo, ainda que a reposição das aulas, tão formal quanto  ineficaz, se estenda até janeiro de 2014.

Também não é ele, nem seus familiares, que estão sem atendimento nos postos médicos, que estão sofrendo, surtando e morrendo por falta de remédios e de consultas médicas para obter o atendimento imprescindível às suas enfermidades, assim como às receitas que possibilitam o acesso aos medicamentos.

Para o prefeito, tudo está resolvido, e ele, por situar-se alto da escala social, acha que tem direito de colocar seus interesses políticos mais mesquinhos na frente das necessidades mais elementares e básicas da população, tais como saúde, segurança e educação.

Ao fazer isso, revela uma profunda insensibilidade e uma brutal ignorância acerca das verdades mais elementares da existência humana, tais como que todos somos filhos de Deus, e que todos temos direito a um tratamento humano, justo e digno.

É exatamente isso que nosso prefeito municipal está construindo. Pena que, ao fazê-lo, ele não prejudique somente a si, mas arraste consigo toda a população de um importante município com 200 mil habitantes, com todas as famílias que nele residem, com todas as empresas aqui sediadas, com todos os jovens e idosos que sonham com um futuro melhor ou anseiam por anos menos pesados, com todos os homens e mulheres que tentam ganhar o pão de cada dia com o suor do próprio rosto.

Triste prefeito. Triste Ilhéus. Triste situação. Não se deve apostar no quanto pior, melhor, pois a vida ensina que, quanto pior, pior mesmo. Para todos, sem exceção.

Professor, graduado em História; e Advogado, graduado em Direito, ambos pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz

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Walmir Rosario

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