CATA DE ADELINDO KFOURY – SIM, E DEPOIS?

Este macróbio escrevente não é um. Sei que ainda somos muitos tentando salvar aquele prédio, onde por tantos anos centenas de conterrâneos nossos buscaram as luzes do saber.

Desde criança aprendi só a liberdade permitir que a tradição seja uma fonte de sabedoria e não uma camisa de força. Exercendo a liberdade do pensamento na plenitude de sua própria força, é que podemos avaliar, entender e se necessário também antepor-nos às mudanças daqueles que recebemos em nosso universo comunitário.

O exercício da liberdade é uma opção que exige rompimentos e distanciamentos quando certas decepções nos atingem.

Todo esses prolegômenos, estão servindo para voltar manifestar minha opinião sobre os recentes acontecimentos envolvendo a possível “destruição” do Divina Providência. Cultivo a ideia que para jornalista, qualquer disputa não tem bonzinhos dos dois lados e segundo Voltaire “o ideal, para felicidade dos povos, seria um tirano bom”. Esse imbróglio todo, faz-me lembrar que uma das primeiras fontes de conselhos do mundo, foram os oráculos da Grécia Antiga. Reis, generais e portentados recorriam-lhe antes de tomar decisões importantes.  Um dos mais famosos, tido pelos gregos como o centro do Universo, era o de Delfos, localizado nas franjas do Monte Parnaso. Ali muitas sacerdotisas tinham por missão revelar as profecias de Apolo. Certa vez um poderoso rei da Lídia, chamado Creso, buscando saber se alcançaria a vitória em ataque que pretendia fazer aos persas, recebeu a seguinte resposta: “Se Vossa Majestade o fizer, destruirá um grande império!” Em sua ânsia de poder e endeusamentos, o Rei Creso imaginou que teria sucesso na empreitada e ordenou às suas legiões desencadearem o ataque.

O orgulho e a prepotência daquele Rei impediram-no de interpretar corretamente o que lhe aconselhara a sapiente sacerdotisa. Assim, o “grande império” que sofreu destruição foi o seu… após fragorosa derrota.

Sem querer imiscuir-me do curul municipal, como filho de Itabuna permito-me apenas o atrevimento de um conselho a quem de direito: pode ser desastroso optar por solução de força para executar certos desejos. Sobretudo quando está em jogo a integridade física e memorial de uma cidade…

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Walmir Rosario

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