SERÁ QUE NOSSO FUTURO ESTÁ NA LAMA?

Walmir Rosário*

A designer sul-coreana Jeong Won Ji deslumbra o mundo ao apresentar uma invenção inusitada: transformar caranguejos chineses em plásticos. Acredito piamente nas novas tecnologias, mas, aqui pra nós, tenho minhas dúvidas sobre a eficácia dessa transformação.

Não entendo nada de química, e poucas são as informações que disponho para analisar essa estranha invenção. O politicamente correto seria transformarmos produtos inorgânicos em orgânicos, pois não é de agora que nos chegam aos ouvidos notícias alarmantes sobre a destruição do meio ambiente.

A invenção dá a entender que este é um caminho aberto para a corrida aos mangues e a captura desenfreada dos nossos caranguejos-uçás, guaiamuns, aratus e outros crustáceos hoje tão escassos nos manguezais.

Pelos meus cálculos, os novos catadores promoveriam o extermínio desses crustáceos num piscar de olhos, antes mesmo qualquer reação do Ibama, ICMBio ou qualquer ONG recém-criada com a finalidade de coibir a caça desenfreada aos nossos saborosos caranguejos.

De logo, ponho minhas barbas de molho com receio das medidas governamentais que poderão ser tomadas para a criação da Caranguejobras, por certo aparelhada por companheiros e coligados. Esse futuro órgão também acomodará centenas de ambientalistas, de preferência caranguejólogos especializados.

Daqui de Canavieiras, onde mantenho minha pacata trincheira, vejo um futuro incerto para os manguezais lavados pelos rios Pardo, Cipó, Salsa e Patipe, que formam esse imenso delta, berçário dessa colossal fauna marinha.

Para minha tristeza, serei testemunha ocular do sumiço da gostosa “cabeça de robalo”, uma das iguarias mais famosas da gastronomia canavieirense. Se fosse só por isso, me contentaria, mas ainda não conhecemos os terríveis efeitos decorrentes da devastação provocada com a captura desenfreada desse crustáceo.

Brincadeiras à parte, como Deus ainda não me concedeu o dom de prever o futuro, não vislumbro qualquer possibilidade de vantagem nessa invenção, com todo o respeito que devemos aos orientais.

De minha parte, guardo reservas até que minhas conjecturas se confirmem infundadas.

*Radialista, jornalista e advogado

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