SAÚDE E POLÍTICA BAGUNÇAM A CONFRARIA D’O BERIMBAU

Walmir Rosário*

Um antigo Decreto-Lei expedido pelo Secretário Plenipotenciário de Honra, Antônio Amorim Tolentino, com a anuência do presidente Neném de Argemiro, já proibia discussões de política de qualquer espécie nas assembleias sabáticas da Confraria d’O Berimbau. O ato disciplinador continua em validade e, como a ninguém é dado o direito de desconhecer a lei, não admite desculpas esfarrapadas.

Por estar em outro ambiente enquanto são realizadas as obras de reforma do prédio que abriga a Confraria d’O Berimbau, muitos dos confrades se esquecem de todo o arcabouço legal que ordena os trabalhos. Numa simples consulta ao confrade – jornalista desocupado – Tyrone Perrucho, foi garantida a validade da legislação com suas competentes cláusulas pétreas, irremovíveis, ou imorríveis como querem alguns confrades.

Como todos sabem, nesse lapso de tempo em que passa por reforma, a Confraria d’O Berimbau se reúne no Mac Vita, com todas as liturgias e programações, como a que seria realizada neste sábado (7). Seria uma assembleia especial para receber o Secretário Plenipotenciário Gilberto Alves Oliveira (Gilbertão), em seu retorno triunfal de Betim e Belo Horizonte, onde deu expediente por cerca de um mês e meio.

É que Gilbertão recorreu aos brilhantes serviços prestados pelos conceituados oftalmologistas mineiros aos quais empreitou a realização de cirurgias de cataratas para os dois olhos. Após ser liberados dos cuidados médicos e consequentes tratamentos, eis que o ex-paciente resolve voltar a Canavieiras e anuncia sua chegada para a sexta-feira, vésperas de sábado, quando assumiria o chocalho (a batuta da Confraria).

A recepção prometia ser das mais calorosas e todos os preparativos foram cuidados com esmero, a começar pelas quentinhas de mocofato trazidos pelo casal Tyrone/Yolanda, uma substancial travessa de carne do sol dois pelos (com farofa e salada) oferecida por Alberto Fiscal, e pãezinhos com doce de leite providenciados por João Paulo. Com as cervejas bem geladas que sobraram do carnaval, faltavam apenas as garrafas de cachaça mineira escolhidas pelo viajante.

Ao meio dia em pino foram iniciados os trabalhos e nada de notícias de Gilbertão, até que conseguiu ser localizado em Porto Seguro, onde garantiu que passaria o final de semana completo. Após as cobranças de praxe, as explicações convincentes de Gilbertão, que traçou o relatório de viagem, relatando que até Eunápolis a viagem foi das melhores, mas a partir daí, por um repentino problema nas vistas, começou a enxergar as placas com distorção, indo parar em Porto Seguro, contra a vontade, como explicou.

Refeitos do choque tomado pelo acidente de percurso de Gilbertão, os confrades retornaram aos trabalhos e já planejam uma lauta recepção ao Secretário Plenipotenciário, desde que consiga chegar a Canavieiras. Se um problema já está praticamente solucionado, outro promete dar o que falar, ou melhor, já desandou a falar e muitos fuxicos já rolam pelas mesas de bares.

São os fatos a atos políticos, terminantemente proibidos nas assembleias sabáticas da Confraria d’O Berimbau, conforme aprovado e já dito acima, mas que, volta e meia teima em acontecer. E uma dessas provocações teve vez na assembleia deste agitado sábado na sede de verão (instalações do Mac Vita) e que obteve prontamente a rejeição de 99,99 % dos confrades.

Isso aconteceu logo após Tyrone Perrucho relatar a visitar que teria feito às obras da Confraria, lá no Beco d’O Berimbau, garantindo que vão de vento em popa e que num dia desse qualquer após o final de março receberá o habite-se. De pronto, Alberto Fiscal e Nelson (Amarelão) Barbosa já planejavam os festejos de retorno ao ninho, com comes e bebes dos mais variados.

Mas eis que no acaloramento das propostas, uma deu o que falar: Tyrone Perrucho sugeriu que nos festejos de inauguração fosse incluído um espaço intelectual para falar sobre temas afins e pertinentes ao evento. Antes que alguém tivesse tempo de se manifestar, Tyrone nominou a ilustre palestrante, pessoa que por certo enriqueceria o intelecto dos confrades, dada a sua perspicácia e eloquência: a ex-presidenta Dilma Rousseff.

Foi um Deus nos acuda e a proposta somente obteve a adesão do confrade Antônio Alves, o conhecido “Tonhe Elefoa”. Ânimos exaltados, foi preciso a intervenção salvadora de Alberto Fiscal, que ao consultar o prócer do PT canavieirense, Dácio Rolemberg, obteve a informação de que toda a agenda da ex-presidenta estaria lotada. A auspiciosa notícia caiu como um balde de água gelada nas cabeças ferventes, interrompendo a conversa política.

Bem fez Panela de Barro, que continuou quieto no seu canto, bebendo sua cerveja e alternando a comilança de pedaços escolhidos de mocofato, sonho e doce de leite.

Daqui pra frente que ninguém mais se atreva a introdução a discussão política para provocar os confrades, sob pena de arcar com os rigores do Decreto-Lei.

*Radialista, jornalista e advogado.

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Walmir Rosário

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