QUEM NOS REPRESENTA?

Walmir Rosário*

O Brasil é o país das dualidades. Ao mesmo tempo em que desponta na pesquisa e investimentos em tecnologia, mandando foguetes para o espaço, ainda não possui maturidade suficiente para manter a paz nos diversos segmentos, a exemplo do campo.

Enquanto as empresas lançam novos produtos no mercado, desenvolvem tecnologias de ponta, descobrem técnicas capazes de diagnosticar e ajudar na cura de doenças, fazendas produtivas são invadidas sob o argumento da reforma agrária. É a luta ideológica.

Invadidas, é bom que se diga, com violência, a custa de mortes e expulsão de suas terras trabalhadores que laboraram dia e noite para matar a fome da população urbana. E esses grupos, travestidos de índios ou grupos adeptos dos sem-terra praticam esses absurdos com o beneplácito do Estado.

Basta dizer que professa a mesma ideologia, para receber proteção estatal, dinheiro para arrebanhar novos adeptos e viver amedrontando os que trabalham honestamente para sustentar suas famílias. Os que produzem não recebem as mesmas regalias. São dois pesos e duas medidas.

Se no setor produtivo existem essas diferenças de tratamento, na área política o descalabro é ainda mais acentuado. O Congresso Nacional faz apenas as vontades e os caprichos do Poder Executivo. Em vez de fiscalizar, os parlamentares agem para blindar ocupantes de cargos políticos coligados.

Matéria publicada pela Revista Veja desta semana denuncia a “escolinha” criada para ensinar qual o depoimento a ser dado pelos dirigentes da Petrobras convocados para depor na CPI que investiga a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Pelo que foi publicado na revista Veja, a denúncia diz que a presidenta da Petrobras, Graça Foster, o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli, e o ex-diretor da Área Internacional, Nestor Cerveró, tiveram acesso antecipado às perguntas e foram treinados para responder às questões.

Tudo combinado, uma ação entre amigos, engendrada para prejudicar a Petrobras, seus acionistas e o povo brasileiro. Enquanto no Congresso Nacional acontece esse acordão, o Movimento dos Trabalhadores Sem-terra ocupa a Fazenda Três Pinheiros, em Planaltina, no Distrito Federal, nas barbas do poder.

O mundo é dos sabidos, podem dizer alguns, mas, pelo menos, não ajam com a finalidade de subtrair o suado dinheiro do investidor, seja ele público ou privado. Ainda mais com o aval de quem foi votado, escolhido para representar a grande maioria do brasileiro.

Esse assunto, por certo, será um dos temas abundantes nos debates do horário eleitoral gratuito das campanhas políticas. Com isso, perde o eleitor a oportunidade de conhecer as propostas e programas de governo de cada um dos candidatos. E tudo será como dantes, no quartel de Abrantes.

*Radialista, jornalista e advogado

 

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Walmir Rosário

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