PESQUISAS X ENGODO ELEITORAL

Walmir Rosário*

Como acontece em todos os anos de eleições, o coitado do eleitor fica atônito sem saber em quem confiar. Sim, estou falando dos políticos candidatos e nas informações prestadas pelos seus marqueteiros e coordenadores de campanha, responsáveis pela barafunda de resultados de pesquisa de intenção de votos.

Os institutos de pesquisa também não deixam por menos e aumentam a confusão na cabeça do eleitor a cada resultado publicado, embora as aferições tenham sido realizadas nos mesmos dias e lugares. Mas, diriam, ou dizem os entendidos: “Cada pesquisa detecta um momento, daí os resultados díspares”.

A cada rodada de pesquisas nos deparamos com resultados cada vez mais esdrúxulos com diferenças abissais – próximas de 10 pontos percentuais – entre os dois principais candidatos à Presidência da República. Quem realmente está à frente das pesquisas: Serra ou Dilma? Ninguém sabe, ou melhor, poucos sabem.

Ora, nem muito nem tampouco, diz o ditado, e se fossem assim, as pesquisas de boca-de-urna não acertariam os vencedores de uma eleição. Mas a realidade nos remete a fatos sucessivos de resultados desastrosos, apresentados por diferentes institutos, durante as campanhas (anteriores e a atual), bastante parecidos na consulta final.

Uso de metodologia diferente não faz sentido, haja vista que as pesquisas, mesmo realizadas por métodos diferentes, estão lastreadas de cunho científico. O mesmo vale para o tempo hábil de tabulação dos dados, mais longo nas pesquisas de antes e durante as campanhas, e curto nas de boca-de-urna.

Essa é mais uma demonstração de que os institutos de pesquisa possuem tecnologia suficiente para executar pesquisas de intenção de voto num tempo exíguo e em cidades distintas ao longo do extenso Brasil. Os erros e acertos não são causados pela falta de tecnologia, mas sim por outros fatores ainda desconhecidos do grande público.

Não passa pela minha cabeça acusar esse ou aquele instituto de “fabricar” resultados para favorecer candidatos à custa da desinformação, falta de ética na apresentação do seu produto ou ainda um crime eleitoral por exploração da boa-fé do eleitor.

Porém, o que se ouve em cada esquina, em cada mesa de bar ou roda de fuxico nas esquinas da vida, é o voto de desconfiança nos institutos de pesquisa. Em parte, a culpa pode ser creditada e eles (institutos), por inércia na defesa do seu maior patrimônio: a credibilidade, acionando os candidatos que divulgam números “enxertados” com a finalidade de enganar os incautos e desavisados eleitores.

Ora, se cada pesquisa precisa cumprir um ritual para ser publicada, como explicar pormenorizadamente a metodologia, a data das entrevistas, além de outras informações coletadas, para conseguir o registro junto aos tribunais eleitorais, caberia aos às colendas instituições a fiscalização e até mesmo o julgamento das informações.

Enquanto isso, o eleitor, aquele que vai enfrentar uma fila enorme no dia da eleição para colocar o nome do seu candidato na urna, é tratado como massa de manobra. Sim, massa de manobra à mercê das vaidades de cada comitê eleitoral, mesmo que esses crimes ameacem a integridade moral do cidadão.

Até quando nos sentiremos indefensos dos números e índices fornecidos pelos ibopes, vox populis e data folhas da vida. Volto a afirmar: “Não acuso nenhum deles – eles nem mesmo se defendem –, porém me sinto lesado no meu direito a informação”. Se ao invés de direito eleitoral aplicássemos o direito de defesa do consumidor, essa prática nefasta estaria banida no Brasil.

*Radialista, Jornalista e Advogado.

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Walmir Rosario

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