PALOCCI, UM GRANDE GOZADOR!

Walmir Rosário*

Nem bem passamos pelas eleições municipais (porque ainda temos segundo turnos em algumas importantes cidades) e somos surpreendidos com as notícias de aumento de preços num insumo estratégico: os combustíveis derivados de petróleo. Até bem pouco tempo esse assunto era proibitivo no Governo Federal, por conta das eleições, diante da ânsia do Partido dos Trabalhadores (PT) de ganhar em cerca de mil prefeituras.

Como o resultado foi adverso, a população leva, além da queda, coice. Esse tombo foi dado pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, ao anunciar, como se fosse a coisa mais simples do mundo, o famigerado aumento. Em tempos anteriores ao Plano Real, nada a declarar (diria o ex-ministro da Justiça, Armando Falcão), mas o anúncio do ministro veio em tom de provocação e até de ameaça.

Em alto e bom som (embora de sua boca as palavras percam a compreensão), o ministro Palocci disse que a Petrobras talvez ainda não tenha feito o ajuste que imagina, lembrando que outros países aumentaram o preço dos combustíveis e outros derivados do petróleo em índices bem superiores. Ou essa declaração é uma piada (não sei se Palocci é um gozador), ou está prometendo “aplicar um corretivo” nos eleitores por não terem votado nos candidatos petistas das sonhadas mil prefeituras.

Palocci foi mais além e, sem a menor sensatez, afirmou que ainda há muita incerteza sobre o futuro do preço do petróleo. Como se só isso não bastasse, ainda brindou o pobre povo brasileiro com uma pérola digna da mais repugnância: “Não sei quais foram os elementos que a diretoria da Petrobras utilizou mas se olharmos em outros países, como há incerteza sobre o comportamento dos preços no médio prazo, nenhum país está fazendo o ajuste exato com o alinhamento do preço do petróleo atual”.

Já que o ministro da Fazenda não tem conhecimento dos parâmetros adotados pela Petrobras para promover mais esse arrocho na economia, teria sido mais prudente indicar outro porta-voz. O anúncio feito por Palocci foi inócuo, fora de propósito e só não digo ineficiente porque o consumidor já constatou preço novo nas bombas dos postos de combustíveis. Para completar o festival de besteiras, nosso ministro ainda disse: “Ninguém ainda respondeu o que acontecerá com o petróleo no futuro, certamente porque essa resposta não existe”.

Descobriu a pólvora em pleno Século XXI. Aos brasileiros teria sido melhor não ter que aturar ministros como o senhor Palocci, que nada mais tem feito do que manipular dados da economia, com falsas promessas de desenvolvimento real. A cada aparecimento seu, fala, em tom professoral, sobre uma bolha de crescimento em dado setor que apresente conjuntura favorável, como se desenvolvimento e crescimento fossem a mesma coisa, provocassem os mesmos resultados.

Chega de enganação! A cada dia, órgãos oficiais do governo, a exemplo do IBGE, mostram que os brasileiros estão mais pobres, portanto comem menos, gastam menos com a educação, com o lazer, e até com a saúde. Já o governo caminha (inversamente) a passos largos para o fausto e a cada dia os ministros anunciam solenemente as constantes quebras de recordes na arrecadação de impostos. Tributos esses injustos, pois não contemplam os mais ricos, os que ganham mais, em detrimento dos assalariados, sem contar na sonegação, mas aí é outra história.

Voltando ao assunto dos preços dos combustíveis derivados do petróleo, o ministro esqueceu (talvez propositadamente) de ressaltar que o Brasil não depende de petróleo importado para mover a máquina operosa, já que 95% dele é extraído aqui. Talvez o ministro nem saiba que, historicamente, foi a economia dos brasileiros a responsável pelo desenvolvimento da Petrobras, através de taxas, contribuições e outros artifícios.

É uma pena que os assessores do Ministério da Fazenda e da Petrobras não lhe tenham dito ser o preço dos combustíveis no Brasil um dos mais altos do mundo. Basta visitar nossos vizinhos, mesmo os que não produzem petróleo, para se certificar. Os senhores ministros vão muito bem, obrigado; o povo, ora o povo, que vá plantar batatas…

* Radialista, jornalista e advogado

Publicado no jornal Agora em 16-10-2004

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