Os franceses e o bacalhau

Só devemos comer a “comida” que dá em árvores. O antigo ditado – repetido à exaustão pelos franceses –, não é um exagero dos ambientalistas, os que se caracterizam por ecochatos, tampouco dos vegetarianos, sobretudo por ter sido cunhada antes de o homem inventar a escrita, em homenagem à azeitona, o fruto sagrado da oliveira.

Não tenho certeza se nessa época o homem já caçava, já era um ser carnívoro, mas lá para as bandas do Líbano, Síria e Irã as oliveiras eram cultivadas. O arbusto também pode ter surgido nas ilhas de Creta, sul da Grécia (registros foram encontrados em relevos e relíquias da época minóica 2500 a.C).  Ainda na Grécia, a árvore foi símbolo da paz e da vitória, de seus ramos trançados foram feitas coroas, usadas pelos vencedores dos jogos olímpicos. Durante as guerras os antigos gregos queimavam as oliveiras dos inimigos para matá-los de fome.

Até na Bíblia Sagrada, mais exatamente no Gênesis, a pomba traz a Noé, um ramo de oliveira, para lhe mostrar que o mundo reviveu. O fruto estava na bagagem dos reis magos, quando visitaram Jesus em seu nascimento. No horto de Getsemani, atualmente vivem oito grandes oliveiras que viram Cristo rezar, chorar e morrer.

Daí até chegar ao restante da Europa foi um pulo. E os europeus sabem, como ninguém, utilizar bem a azeitona, principalmente depois de transformada em azeite, extra virgem, com menos de 0,5% de acidez. E são utilizadas com abundância para regar os mais diversos tipos de pratos, a exemplo do bacalhau.

Dias desses, conversando com José Humberto Martins e Messias Marciel, citávamos as vantagens da alimentação sadia, comida dada em árvores, sem desprezar as carnes com gorduras que comíamos e ainda comemos, sem trauma nem medo do pecado de aumentar o colesterol. Essas doenças novas ficam por conta dos refrigerantes, margarinas e outras invenções subumanas.

O velho e bom bacalhau não é uma exclusividade dos nossos ancestrais portugueses e os franceses também sabem, como ninguém, saborear o peixe sagrado do frio mar do Norte. Não tenha remorso e um bom vinho rosé Domaine Du Vieux Moulin de Pontfract combina bem.

Voilá!

BACALHAU DE AVIGNON

Ingredientes:

– 200 gramas de pão de milho torrado e ralado;

– 1 pão de forma inteiro sem as cascas;

– 2 kg de bacalhau;

– 1 kg de cebolas;

– 1,5 kg de tomates sem pele e sementes;

– 6 dentes de alho;

– azeite a gosto;

– 200 gramas de manteiga

– salsa e cebolinha

– coentro a gosto

– 1 colher de sopa de colorau

– 1 colher de sopa de molho de pimentão vermelho

– Sal e pimenta

– 4 ovos

– 1 lata de creme de leite

– 1 pitada de noz-moscada

Modo de Preparo:

Numa caçarola bem grande, se possível de barro, refogue no azeite e na manteiga as cebolas às rodelas, os tomates aos quartos, o alho, a salsa e cebolinha e os coentros picados, o colorau e a molho de pimentão.

Limpe o bacalhau de pele e espinhas e desfie-o ainda cru antes de cozinhá-lo.

Cozinhe-o em pequena fervura para não torná-lo fibroso. Refogue-o no molho da caçarola.

Coloque numa assadeira camadas alternadas de pão de forma cortado em triângulos miúdos e farinha do pão de milho torrado. Intercale com o bacalhau em camadas, até terminar em bacalhau.

Bata em tigela funda os 4 ovos inteiros, adicione a pitada de noz-moscada e coloque a lata de creme de leite inteira. Misture bem e despeje sobre a última camada de bacalhau.

Leve ao forno quente por 30/40 minutos. Coma aos poucos saboreando o tempero.

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Walmir Rosario

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