O FUTEBOL QUE UNIA COMERCIANTES E COMERCIÁRIOS

Repita - vice-campeã do Caixeiral de 1978 - Danielzão, Daguia,  Du Gibão, Marivaldo,Bilo, Pedrinho, Paulo Cezar e Niraldo; Dagmar, Lebre, Ataíde, João Garrincha, Ramon, Raimundo, Messias e Renato.

Repita – vice-campeã do Caixeiral de 1978 – Danielzão, Daguia, Du Gibão, Marivaldo,Bilo, Pedrinho, Paulo Cezar e Niraldo; Dagmar, Lebre, Ataíde, João Garrincha, Ramon, Raimundo, Messias e Renato.

Se na África o Santos de Pelé conseguiu suspender, temporariamente, uma guerra, em Itabuna a realização do Torneio Caixeiral, realizado anualmente para comemorar o Dia do Comerciário, em 30 de outubro, era uma confraternização entre comerciantes e comerciários. Nesta data, não se discutia reajuste de salário ou condições de trabalho, era dia de festa na Desportiva Itabunense.

A cada ano, comerciantes se esmeravam em formar times de futebol para representar suas empresas, integradas, em sua maioria com os comerciários, porém sempre se “dava um jeitinho” para reforçar o time com jogadores dos times amadores, ou não. O certo era que empresas grandes e pequenas recrutavam seus empregados para participarem, juntos de uma das maiores festas do esporte itabunense.

E a disputa era das mais democráticas entre os cerca de 50 times inscritos, disputando jogos de tempo reduzido, num “mata-mata”, até se chegar aos três primeiros vencedores. Após os jogos, os eliminados iniciavam a festa mais cedo, com o festival de refrigerantes, cervejas e tira-gostos, que começava no bar da Desportiva, se estendendo pelo centro e bairros de Itabuna. Tudo a “custo zero” e bancado pelos empresários.

Já os vencedores enquanto descansavam chupando laranja, tomando caldo de cana e comendo sonhos e pastéis, aguardavam para conhecer os próximos adversários. Tudo era festa, congraçamento, e os empresários mais pródigos eram famosos por patrocinar times “poderosos”, formados por jogadores escolhidos a dedo nos diversos bairros de Itabuna.

Um desses exemplos era o time da Repita, uma distribuidora e reformadora de pneus de Carlito de Souza, que tinha como técnico um de seus funcionários, Daniel Souza Neto, o Danielzão, ex-jogador que atuou como goleiro e centroavante. Danielzão jogou nos dois Botafogos do bairro da Conceição – o da estrela solitária e o vermelho e branco, além do Grêmio, Bahia, Flamengo e Janízaros, de Itabuna. No futebol profissional atuou no recém-formado time do Itabuna e no Leônico, de Salvador.

Em 1978, a equipe da Repita se consagrou vice-campeã do Torneio Caixeiral, reforçado por alguns atletas do bairro da Conceição, conforme mostra a formação: Em pé – Danielzão, Daguia,  Du Gibão, Marivaldo, Bilo, Pedrinho, Paulo Cezar e Niraldo; agachados – Dagmar, Lebre, Ataíde, João Garrincha, Ramon, Raimundo, Messias e Renato.

N. E. – A equipe do Santos jogou em 1969 no Zaire (hoje República Democrática do Congo), antigo Congo Belga, que travava uma luta sangrenta, mesmo após um ano de sua independência. Entretanto, no dia 4 de fevereiro de 1969, foi feita uma trégua para que o Santos jogasse uma partida amistosa contra a seleção do Centro-Oeste da África na cidade de Kinshara, centro das tensões. A chegada de Pelé fez com que o governador do Zaire decretasse feriado e o coronel permitisse que toda a população pudesse chegar ao local da partida. O jogo foi vencido pelo Santos por 2 x 1.

Publicada no Jornal Agora de 28 de julho de 2013

Author Description

Walmir Rosario

No comments yet.

Join the Conversation