O DIREITO DE UNS EM DETRIMENTO DE TODOS

Walmir Rosário*

A decisão da Justiça mineira em proibir à Polícia Militar de molestar as manifestações de questionamentos sobre a Copa do Mundo, desde que avisadas previamente, já está valendo. Ao pé da letra, ou melhor da Constituição, a decisão do magistrado seria perfeita.

Entretanto, não é bem assim que a “banda toca”. Nessas manifestações, o que temos visto é a bagunça, a desordem, a violência e o atentado à vida e ao patrimônio público. E esse comportamento não é restrito às manifestações dessa ou aquela cidade, mas em todas em que esses protestos foram realizados.

Indistintamente, os imóveis públicos e privados estão sendo o alvo de grupos de manifestantes, os conhecidos blak bloc, notabilizados pela violência praticada. É certo que nem todos que comparecem a essas manifestações pertencem a esses grupos, mas permitem ou apoiam os atos praticados por eles.

Essa decisão da Justiça mineira, ainda que de forma liminar, privilegia uns poucos em detrimento da grande maioria da população de Belo Horizonte, que não quer ser importunada. A liminar satisfaz somente ao Centro de Cooperação Comunitária Casa Palmares, que acusa a PM de fazer “cercos policiais às manifestações populares” promovidas contra o Mundial em Belo Horizonte.

Ora, entre as obrigações da Polícia Militar estão a promoção da defesa dos cidadãos e do patrimônio público ou privado, espoliado, atentado e depredado durante essas costumeiras manifestações. A lei tem a finalidade de dar direito a quem o tem e não de permitir a libertinagem.

Um exemplo cristalino do pensamento do brasileiro está expressado na alegria de torcer por sua seleção e isso está amplamente demonstrado, de novo, desde que iniciou a Copa do Mundo. A alegria contagiante do brasileiro está estampada na fisionomia de cada um que enverga o uniforme verde e amarelo, dentro e fora dos estádios.

A alegria e a índole do brasileiro estão estampadas na forma hospitaleira com que recebem os visitantes, sejam eles, uruguaios, argentinos e chilenos, nossos históricos adversários. No esporte, como sabiamente disse o Barão de Cobertin, considerado pai dos jogos olímpicos, o importante não é só vencer, e sim competir.

Não estou aqui pregando o fim do regime democrático e a proibição das manifestações. Como todo brasileiro, quero apenas que sejam respeitados os direitos das pessoas que são importunadas em seu direito de ir e vir nos tantos protestos realizados por esse Brasil afora.

Também pretendo que o patrimônio, seja ele público ou privado não seja importunado pelos baderneiros. Direito tem que direito anda.

*Radialista, jornalista e advogado

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Walmir Rosario

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