NEM TANTO, NEM TAMPOUCO

Nem tanto, nem tampouco

NEM TANTO, NEM TAMPOUCO

Walmir Rosário*

O Governo Federal recuou e já concedeu aumento de 10% aos fretes rodoviários para vigorar em novembro próximo, conforme acordo já firmado com as entidades representativas dos caminhoneiros. Essa é uma notícia ruim que vem escudada numa notícia boa – a redução dos juros –, também vinda do Palácio do Planalto. O setor produtivo, que já começava a olhar o governo com desconfiança, coloca um pé atrás e pergunta: Será que o custo de vida não sofrerá nenhuma alta, já que mais da metade da produção brasileira é transportada por caminhões?

Este é mais um problema para os economistas do governo se debruçarem sobre o problema, analisarem e dar uma resposta transparente ao povo brasileiro, quase esquecido dos constantes aumento de preços. Com o aumento do frete, as maquininhas remarcadoras voltarão a funcionar “a todo o vapor”, no sentido de “recuperar o atraso”. E os consumidores pensam que já estariam livres desta cultura inflacionária. Sem dúvida, a pressão feita pelos caminhoneiros obteve pleno êxito, resta-nos saber se os ruralistas também conseguirão, pois mudaram de estratégia e agora negociam nos gabinetes de Brasília, o que representa um grande risco.

Essa atitude do Governo Federal nos mostra que o Brasil não está livre do monstro da inflação, que aos poucos volta a dar demonstração que está vivo e pronto para novamente nos atacar. As explicações sobre os aumentos estarão na ponta da língua dos tecnocratas para, em bom “economês”, dizer que a culpa é dos consumidores de chuchu, ou de quem gasta gasolina para ir à praia num carro particular.

Esperamos que os tempos em que a sua economia sofria solavancos a cada majoração nos preços dos combustíveis já tenham passado, e que não sejamos acusados de sabotar a cotação do barril de petróleo no mercado internacional. Vamos fazer de conta de que não nos lembramos daquela época e que esse aumento do frete seja coisa do passado, sem grave influência na vida do cidadão comum, que consegue sobreviver com o salário corroído, sem saber o que é poder aquisitivo, mas sabedor de que seu dinheiro não dá para comprar as mesmas mercadorias do início do Plano Real.

O Governo Federal, por sua vez, deveria dar início aos seus projetos de investimentos, consertando as estradas que ainda estão sob sua responsabilidade, aumentando a vida útil de um caminhão, diminuindo o consumo de óleo diesel, evitando pneus estourados e molas quebradas. Não queremos nem mesmo exigir a ampliação da navegação de cabotagem e fluvial, bem como a ferroviária, como fazem os Estados Unidos e demais países do chamado primeiro mundo. Isso resolvido, com certeza, não teríamos nossa conta petróleo ameaçada pelos caminhoneiros.

* Radialista, Jornalista, advogado

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 18-09-1999

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Walmir Rosário

O Governo Federal recuou e já concedeu aumento de 10% aos fretes rodoviários para vigorar em novembro próximo, conforme acordo já firmado com as entidades representativas dos caminhoneiros. Essa é uma notícia ruim que vem escudada numa notícia boa – a redução dos juros –, também vinda do Palácio do Planalto. O setor produtivo, que já começava a olhar o governo com desconfiança, coloca um pé atrás e pergunta: Será que o custo de vida não sofrerá nenhuma alta, já que mais da metade da produção brasileira é transportada por caminhões?

Este é mais um problema para os economistas do governo se debruçarem sobre o problema, analisarem e dar uma resposta transparente ao povo brasileiro, quase esquecido dos constantes aumento de preços. Com o aumento do frete, as maquininhas remarcadoras voltarão a funcionar “a todo o vapor”, no sentido de “recuperar o atraso”. E os consumidores pensam que já estariam livres desta cultura inflacionária. Sem dúvida, a pressão feita pelos caminhoneiros obteve pleno êxito, resta-nos saber se os ruralistas também conseguirão, pois mudaram de estratégia e agora negociam nos gabinetes de Brasília, o que representa um grande risco.

Essa atitude do Governo Federal nos mostra que o Brasil não está livre do monstro da inflação, que aos poucos volta a dar demonstração que está vivo e pronto para novamente nos atacar. As explicações sobre os aumentos estarão na ponta da língua dos tecnocratas para, em bom “economês”, dizer que a culpa é dos consumidores de chuchu, ou de quem gasta gasolina para ir à praia num carro particular.

Esperamos que os tempos em que a sua economia sofria solavancos a cada majoração nos preços dos combustíveis já tenham passado, e que não sejamos acusados de sabotar a cotação do barril de petróleo no mercado internacional. Vamos fazer de conta de que não nos lembramos daquela época e que esse aumento do frete seja coisa do passado, sem grave influência na vida do cidadão comum, que consegue sobreviver com o salário corroído, sem saber o que é poder aquisitivo, mas sabedor de que seu dinheiro não dá para comprar as mesmas mercadorias do início do Plano Real.

O Governo Federal, por sua vez, deveria dar início aos seus projetos de investimentos, consertando as estradas que ainda estão sob sua responsabilidade, aumentando a vida útil de um caminhão, diminuindo o consumo de óleo diesel, evitando pneus estourados e molas quebradas. Não queremos nem mesmo exigir a ampliação da navegação de cabotagem e fluvial, bem como a ferroviária, como fazem os Estados Unidos e demais países do chamado primeiro mundo. Isso resolvido, com certeza, não teríamos nossa conta-petróleo ameaçada pelos caminhoneiros.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no caderno Momento Empresarial do Jornal Agora em 18-09-1999

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Walmir Rosario

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