MORDAÇA NELES!

http://ciadanoticia.com.br/wp-content/uploads/2018/12/Mordaça.jpgMORDAÇA NELES!

Walmir Rosário*

Dizem os físicos, com muita propriedade, que os opostos se atraem; teoria parecida é salientada pelos sociólogos, ao assegurarem que se soltarmos numa mata, em locais diferentes, bichos de espécie idêntica, eles tendem a se encontrar. Grosso modo, é tudo igual quando se defende regimes fortes, seja ele de direita ou de esquerda. Todos têm o mesmo objetivo: ser o dono do poder.

Aos mais desmemoriados não custa lembrar as críticas feitas pela oposição, principalmente pelo PT, aos nossos últimos governantes. Nenhum deles fazia nada certo e eram representantes do imperialismo obcecados com a ideia de vender o país para o FMI. Antidemocratas era o menor adjetivo usado para se referir ao presidente a cada medida provisória assinada. Uma viagem presidencial ao exterior, então, era um Deus nos acuda.

Diante do empobrecimento do mundo (e do Brasil em maior escala), fomos armazenando esses chavões em nossa memória, acreditando estar diante de um discurso salvador da pátria. Tal qual fizeram com a população durante a promulgação da Constituição Federal de 88, todos os males estariam resolvidos com a eleição dos autores de tão brilhantes propostas de erradicação da miséria no Brasil como num passe de mágica.

Ao chegar ao poder, o presidente Lula agiu exatamente como fizeram seus colegas que governaram o País durante o regime militar, editando agora, em pleno século XXI, medidas provisórios em abundância, o que nada mais é do que uma versão modernizada dos chamados decreto-lei daquela época.

Se ele exagera na quantidade, na qualidade comete pecados mortais, dignos de ser queimado vivo por Lúcifer na fogueira dos infernos. Até hoje não se sabe se a grande quantidade de medidas provisórias de péssima qualidade é uma estratégia utilizada para “embarcar” os congressistas em erro de avaliação, dado o excesso de matérias a apreciar.

De guardiões da democracia quando na oposição, na situação, o Partido dos Trabalhadores entrou para a história política brasileira pela porta dos fundos e de maneira truculenta. O uso da truculência é a única linguagem falada pelos cabos de turma do Planalto em atividade no Congresso Nacional.

Em pouco mais de um ano e meio já conseguiram desfigurar a Constituição Federal, retirando direitos adquiridos e caminham a passos largos para quebrar as cláusulas pétreas do diploma maior brasileiro, modificando as defesas democráticas da Nação ao bel-prazer das necessidades e caprichos do governante de plantão.

Os aposentados foram esmagados sem dó nem piedade e, após anos e anos pagando a previdência, agora passarão a receber os benefícios “capados”, o que significa o fim da validade dos contratos. Enquanto isso, o pecúlio familiar de ministros e outras autoridades governamentais é conseguido à custa de altos salários, pagos pela “viúva” às suas mulheres, alçadas à condição de maranis. Os ministros, por sua vez, complementam seus subsídios com assento no conselho de estatais, quintuplicando a renda mensal.

Para que essas notícias não cheguem ao povão, a única saída encontrada foi tentar amordaçar a imprensa, com a criação do Conselho Nacional de Jornalismo e seus conselhos regionais, com a simples função de proibir e punir os profissionais. Como se não bastasse a Lei de Imprensa em vigor no País, antes tida por eles como elaborada num regime de exceção, cria-se mais uma, esta de filosofia stalinista.

Aos veículos de comunicação nenhuma legislação interessa, por enquanto, já que o governo pode manter um relacionamento mais estreito através de contratos, linhas de financiamento e outras benesses via bancos oficiais. Nada contra a atividade empresarial, desde que as oportunidades sejam oferecidas em iguais condições, o que é uma utopia.

Em qualquer meio de comunicação, sai um profissional de imprensa, entra outro em seu lugar, sem provocar nenhuma mudança na linha editorial. O Governo Lula está agindo igual a marido traído: quebra-se o sofá da sala, mas não perde a mulher.

* Radialista, jornalista e advogado

Publicado no Jornal Agora em 21-08-2004

Author Description

admin

No comments yet.

Join the Conversation