MENTIRAS, VELHAS MENTIRAS

Walmir Rosário*

Ou a classe política se mobiliza para mudar sua imagem através de ações positivas, ou estará fadada ao descrédito total. A falta de credibilidade dos políticos não é fato recente e remonta séculos, perpetuando-se na história da humanidade. Desde o começo do mundo, a civilização convive com os déspotas de todos os estilos, mesmo depois de implantada a democracia pelos gregos.

Inspirados na famosa e estudada obra do pensador Nicolau Maquiavel, O Príncipe, a grande maioria dos políticos tem neste trabalho filosófico o seu projeto de vida. De forma solerte, tentam incutir nos desavisados eleitores um discurso falacioso, como se revestido de Príncipe estivesse. Hoje, chamamos isso de engodo e somos sabedores de que “os fins não justificam os meios”, desde ilegais, imorais e antiéticos.

Mas para parcela significativa dos políticos isso é de somenos importância. Principalmente se o calendário eleitoral indicar o período de caça ao voto do eleitor, peça importante para carimbar o passaporte para as Casas Legislativas (federal, estadual ou municipal) ou para o Poder Executivo. Neste período vale tudo e a política não pode ser considerada exatamente “um convento de freiras”.

Ensinam os surrados manuais de marketing político que o discurso deverá estar “afinado” com as necessidades mais prementes do eleitorado a ser conquistado. Se naquela determinada área o eleitor maior é o presidente Lula, que subamos no mesmo palanque. Em outro, o grande “puxador” de votos é Alckmin, basta mudar o tom das promessas. “Afinal, um bom político jamais deverá dizer dessa água não beberei”, ensinam os estrategistas.

Na caça ao voto vale tudo. Vale enganar os eleitores incautos com propostas indecorosas, que não podem ser cumpridas pelo candidato, mesmo que consiga se eleger e passar muitos anos cumprindo mandato. Em alguns casos, é melhor que não se eleja, para não ter que passar dissabores pela cobrança que sofrerá dos eleitores.

Dentre esses candidatos a “Pinóquio”, um, em especial, chama a atenção dos eleitores da região cacaueira: o ex-prefeito de Itabuna, Geraldo Simões. Sem a menor desfaçatez, escolhe uma plataforma de campanha que chega ao ridículo. Segundo sua propaganda, Geraldo Simões pretende se eleger para “trabalhar” pelo Porto de Ilhéus, Universidade Federal do Sul da Bahia, Ceplac e Gasoduto.

Vale salientar que enquanto esteve ocupando mandato parlamentar na Assembléia Legislativa da Bahia e na Câmara Federal, esse mesmo Geraldo Simões não fez qualquer esforço pelas causas regionais. Sequer apresentou projetos ou promoveu discussões acerca dos problemas regionais. Omisso talvez seja uma palavra pequena para qualificar o seu pálido mandato.

Como funcionário da Ceplac – sempre recebeu salário, mas nunca trabalhou – não se preocupou com o destino da instituição ou de seus servidores, pois considerava essa uma obrigação do Governo Federal, a quem fazia oposição. Em benefício da cacauicultura também nunca “moveu uma palha”, pelo contrário, a atividade era vista como coisa de “coronel”, tanto que foi denunciado por ter liderado a introdução criminosa da vassoura-de-bruxa nos cacauais do Sul da Bahia.

Já o seu interesse pelo Porto de Ilhéus deve ser outro, tendo em vista a sua triste passagem pela Presidência da Codeba, marcada por denúncia de corrupções e hoje também motivo de investigações do Ministério Público, Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral da União. No cargo, esvaziou as atividades do porto, deslocando o embarque de produtos para os portos de Salvador: ou seja, decretou a morte do porto por inanição.

Outra falácia é a Universidade Federal do Sul da Bahia, dado o seu flagrante desinteresse pela Educação de qualidade. Na Prefeitura de Itabuna derrubou todos os incentivos e estímulo dos alunos pela educação, premiando os que não estudavam. Ganhar conhecimento não tinha a menor importância, pois era facultado ao aluno “passar de ano” sem a aprovação.

Por último, o candidato Geraldo Simões conta mais uma lorota ao alardear seu compromisso com a construção do gasoduto – o Gasene – um dos alvos de sua campanha a prefeito, quando foi derrotado por Fernando Gomes. Na sua ânsia de tentar enganar os incautos eleitores, o “Pinóquio” vende como seu um projeto ainda da era FHC, paralisado pelo governo Lula.

É por essas e outras que o ex-deputado Renato Costa aplicou-lhe o generoso apelido de “inadimplente da palavra”. Lhe cai como uma luva.

* Radialista, jornalista e advogado.

Publicado no Jornal Agora em 19-08-2006

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