“MENSALINHO” PADRÃO FIFA

Walmir Rosário*

Os paulistanos devem estar morrendo de vergonha diante da atitude tomada por seus vereadores. É que ontem eles também resolveram fazer greve em seu já quase nenhum trabalho e se recusaram a votar o Plano Diretor de São Paulo Capital. O motivo da paralisação das atividades tem como princípio aquele ditado: “É dando que se recebe”.

Não, não pense que eles são pessoas religiosas e estão preocupadas com a caridade pregada por São Francisco de Assis, e sim adeptos do toma lá dá cá, tão presente na promíscua relação entre os Poderes Executivo e Legislativo. Os nobres edis paulistanos estão cobrando um “mensalinho” para apreciar e aprovar o Plano Diretor do maior município brasileiro.

O pagamento pelo serviço a ser prestado pelos vereadores são 55 ingressos para assistirem os jogos da Copa do Mundo da Fifa, ou pelo menos o jogo de abertura da Copa, que será disputado nesta quinta-feira, dia 12, no Itaquerão, entre a Seleção Brasileira e a da Croácia.

Não sabia que “comprar” votos naquele que eu considerava um grande Legislativo era tão barato. Pasmem os senhores, dinheiro é que não falta no bolso ou na conta bancária desses vereadores, para assistirem, com recursos próprios, o jogo de abertura da Copa do Mundo.

Não acredito que a atitude seja apenas pelo valor intrínseco do custo dos ingressos, mas por uma abominável prática corriqueira que abunda no Brasil, em que os representantes do povo apenas encenam estar ao lado dele. O mandato a eles conferido pelo eleitor é uma farsa patente e à vista de todos.

Sabemos e temos certeza de que esse costume nada republicano não impera em todos os municípios, mas é corrente em todo o país, tendo em vista as constantes denúncias e investigações. Além de reprovável, nossos edis mostraram ao mundo o exercício da política com a garantia da impunidade.

Será que o exemplo dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), não será seguido pelos juízes singulares e os tribunais? É muita petulância e desrespeito para com o povo brasileiro. Mas, se os vereadores são corruptos, ele foram corrompidos por alguém.

E esse alguém seria, na linguagem dos vereadores paulistanos, a vice-prefeita Nádia Campeão, que preside o Comitê Municipal da Copa, e que seria a encarregada de trazer os ingressos para suas excelências. Ou melhor, ela deve ter errado na conta, pois ao invés dos 55 ingressos aprazados, mandou apenas 14, o que gerou uma insatisfação generalizada.

Se nessa notícia não existe nenhum ruído de comunicação, está prevalecendo a esculhambação institucionalizada, ou como dizia o Barão de Itararé: “Ou restaure-se a moralidade, ou locupletemo-nos todos”.

*Radialista, jornalista e advogado

 

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Walmir Rosario

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