LIBEROU GERAL, MAS SÓ PARA ALGUNS

Walmir Rosário*

A cada dia o Brasil vai confirmando o bordão de que não é um país sério, frase que o ex-presidente francês Charles de Gaulle nega ter dito em sua visita ao nosso país. Mas não devemos generalizar, pois a esculhambação institucionalizada fica por conta dos nossos governantes, ao permitir que tudo de errado aconteça, desde que por alguns ungidos sobre o falso manto de movimentos sociais.

Um exemplo disso é que vem acontecendo com os braços armados pelo PT, PCdoB e outros partidos do atraso e da corrupção fazem para amedrontar pessoas e autoridades. Desde ontem, essas quadrilhas tomaram de assalto Curitiba, a pretexto de defender (ou não permitir) que o ex-presidente Lula seja preso pelo juiz Sérgio Moro, por alguns dos crimes praticados contra a República e o povo brasileiro.

Se o exemplo é ruim de quem parte, pior ainda de quem deixa que aconteça, num flagrante desrespeito à Constituição Brasileira, que declara ser todos iguais perante a lei. Deve ter sido um boa intenção colocar esse instituto na nossa Carta Magna, mas é daquele tipo em que a população está cansada de dizer que “é mais uma lei que não pegou”. Não pegou por falta de ação, ou melhor, omissão das autoridades constituídas.

O liberou geral do título acima é uma demonstração clara e evidente de que a lei vale mais pra uns do que pra outros. Ao simples cidadão não é permitido que ocupe qualquer local ou invada uma propriedade pública ou particular, sob pena de ter que acertar as contas com a lei. Polícia prende, justiça julga e condena e o coitado vai apodrecer atrás das grande por um longo período, para aprender a se comportar.

Já as quadrilhas que atuam sob o biombo de movimentos sociais, além de não serem impedidos ou admoestados, ainda ganham a proteção dos órgãos de segurança, como se não estivessem praticando crimes previstos na legislação pátria. Chegam em bandos, de avião, ônibus fretados e carros particulares, acampando onde não devem, gastando o dinheiro subtraído (roubado) do povo sob a forma de imposto sindical ou percentual de faturamento de obras publicas.

Como se não bastassem os mal feitos praticados ao arrepio da lei, ainda criam despesas para o Estado (União, estados e municípios), que têm que deslocar efetivos policiais, em detrimento da segurança dos seus cidadãos, que contribuem com suados impostos. De quebra, ainda se instalam onde não era permitido por ordem do Poder Judiciário e Prefeitura, num desafio às determinações legais.

E o desmoralizante espetáculo – quem sabe do tipo ópera bufa – continua com a chegada do meliante maior a Curitiba, à bordo de um jatinho já investigado pela em outro caso de corrupção, esta praticada pelos tucanos de Minas Gerais. No aeroporto, o jatinho fica estacionado justamente num hangar de uma empresa construtora, as princesas da corrupção dos homens públicos, para seguir fielmente o roteiro.

Comportamento tão diferente para brasileiros que deveriam ser iguais perante a Constituição não fazem bem à imagem do Brasil no exterior e dentro do nosso país, que começa a passar por uma onda moralizante sob o patrocínio do Ministério Público, Justiça e Polícia (todos federais). Qual o exemplo que é passado para o cidadão que cuida de sua vida com decência, obedecendo as leis e instituições? O de que não vale a pena ser honesto.

Só nos resta que a Justiça seja feita, e cedo, pois já dizia o mestre Rui Barbosa que Justiça tardia não é justiça e sim injustiça. Um alento é que nesta semana todas as chicanas praticadas pela defesa do futuro presidiário Lula foram desfeitas pelos juízes e ministros das três instâncias, o que não prática muito costumeira para os que detêm o poder, mesmos de estando fora dos cargos públicos.

Só nos resta esperar, mesmo nos indignando.

*Radialista, jornalista e advogado.

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