INSPIRAÇÃO DITATORIAL

Walmir Rosário*

Como se já não bastasse ao Partido dos Trabalhadores (PT) os enormes prejuízos morais causados ao Brasil, agora, o presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, tenta nos impingir o título de idiotas. Talvez nisso até ele tenha razão, afinal foram mais de 53 milhões de eleitores que cometeram a besteira de elegê-lo o maior mandatário do País.

Claro que a população brasileira, ou grande parte dela, ao votar em Lula, não lhe deu um “cheque em branco” ou avalizou a mudança no artigo 1º da Constituição Brasileira, uma cláusula pétrea, é bom que se diga, transformando-o num Estado (anti) Democrático de Direito. Esse mesmo artigo, no seu parágrafo único, diz, imperativamente: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

O presidente eleito democraticamente nós temos, e é o próprio Lula que vem extrapolando em suas ações, agindo como se o Estado fosse, em detrimento da construção de uma sociedade livre, justa e solidária, como preceitua o artigo 3º da Constituição Federal. Talvez a melhor definição do que Lula está fazendo tenha sido a manchete do Jornal do Brasil de sexta-feira (5), onde estampou: “O Brasil planta para Lula colher”.

Inconcebível que um País do porte do Brasil venha sendo tratado pelos petistas como uma republiqueta qualquer e não como uma verdadeira República, como eles mesmos gostam de se referir para ressaltar os seus feitos. O presidente da República não pode se dar o luxo de sair por aí ameaçando pessoas e partidos, principalmente os que são ou foram contras na eleição passada.

É preciso que a assessoria do presidente, se for competente, explique ao nosso maior mandatário que ele se tornou presidente de todos os brasileiros e não apenas dos eleitores que votaram em sua coligação. Afinal, durante os quatro anos em que durar o seu mandato, caso não sofra o impeachment, terá que se comportar como tal, até mesmo por força do simbolismo e da liturgia exigida pelo cargo.

Como um estadista que pretendia ser, caberia ao presidente, como vencedor da eleição, tratar com deferência os vencidos, numa demonstração de sabedoria e altivez, exemplo deixado ao longo da história. Mas, ao contrário do que sempre pregou, o partido e (ou) o presidente desrespeitam as instituições, oferecendo propina para facilitar os interesses do governo na Câmara Federal, conforme declaração do deputado Roberto Jefferson.

Ao invés de enfrentar as denúncias – que já ultrapassam além mar –, nosso presidente age ao sabor das análises de resultados de pesquisas, onde as estatísticas são manipuladas com fins escusos: o de desviar o foco e enganar, ainda mais, parte da população brasileira. Para cumprir esse ritual, viaja o país inteiro arrotando bravatas em discursos demagógicos, como uma espécie de “Antônio Conselheiro” dos tempos modernos.

Em vez de prometer, como fazia Antônio Conselheiro, um rio de leite e uma ribanceira de cuscuz, Lula, ao contrário, pede ao povo mais votos, na próxima eleição, para se perpetuar no poder. E pede da forma mais vergonhosa possível, escamoteando a verdade, fazendo de conta que o mar de lama não lhe atinge, quando está mergulhando nele até a cabeça.
O mais grave disso tudo é que esses comícios são feitos com o dinheiro público, agora sem a intermediação do carequinha Marcos Valério. Esses comícios são pagos com o dinheiro do contribuinte, já cansado de pagar o avião e as mordomias, para que o presidente e seus apaniguados possam desfilar de norte a sul do país distribuindo mesuras com o chapéu alheio.
Se não fosse proibido fazer campanha política usando a máquina pública seria, no mínimo, antiético, palavra muito utilizada pelos “companheiros” do PT em épocas passadas. Mas o crime é muito mais do que eleitoral, pois representa o esbanjamento dos tributos pagos com sangue e suor pelos contribuintes.

Um agravante é que a inauguração dessas obras eleitoreiras, mesmo sendo antes do período eleitoral, custa mais dos que as casas entregues à comunidade carente. Como diz o ditado popular: “Com a pólvora dos outros, o tiro é muito mais forte”. Inspiração maior do que essa não poderiam ser de outra fonte que não o presidente venezuelano, Hugo Chavez. Fidel Castro é coisa do passado!

* Radialista, jornalista e advogado

Publicado no Jornal Agora em 05-08-2005

Author Description

admin

No comments yet.

Join the Conversation