Grupos aprendem a produzir e buscam parceiros

Integrantes dos grupos de Vila Olímpio e Retiro

A extensão do território do município de Ilhéus, no sul da Bahia, limita para muita gente as chances de obter um emprego formal. Alguns distritos ficam a 80 quilômetros da cidade, distância que se transforma em barreira no acesso de parte da população ao mercado de trabalho. Nesses lugares é extremamente importante descobrir formas de gerar renda com os recursos naturais existentes.

Organizar-se para produzir tornou-se o objetivo de 125 moradores, que participam de quatro grupos produtivos no município, em atividades que indiretamente beneficiam outras 500 pessoas. Esses grupos são os de artesanato da Ponta da Tulha (Arte e Vida), pescadores e marisqueiras do bairro São Miguel (Apesmar), frutas desidratadas, doces e pimenta do Retiro (Doces Retiro) e o de doces e compotas de Vila Olímpio (Vila das Frutas).

Os integrantes desses grupos produtivos se reuniram no último dia 14, em Ilhéus, para uma rodada de negócios com empresários e autoridades locais. A intenção foi demonstrar que eles sabem produzir com qualidade e atrair novos parceiros para ganhar o mercado com produtos que, além de bons, têm a cara da cidade.

A apresentação dos grupos foi feita por Solange Leite, diretora do Instituto Aliança, parceiro da Bahia Mineração (Bamin) no Projeto Transformar. Segundo ela, a iniciativa tem ajudado moradores das comunidades a descobrir e revelar seu potencial empreendedor. “O projeto busca ampliar as oportunidades de renda, através de empreendimentos economicamente solidários”, explicou.

De acordo com Solange Leite, os grupos produtivos estão na fase de ganhar escala. “Agora é preciso aumentar os investimentos na produção e obter o selo de inspeção municipal, o que assegura possibilidade de cadastro no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), junto ao governo”, salienta a diretora.

Apoio – Na rodada de negócios, empresários ilheenses, o prefeito Newton Lima, imprensa e membros do secretariado municipal conheceram os produtos. Lima destacou que “a iniciativa de apoiar a comunidade com base no empreendedorismo realmente transforma a vida das pessoas”. O gestor manifestou a disposição de apoiar o fortalecimento dos grupos produtivos.

“Não pretendemos parar, pois nosso desejo é crescer”, declarou no encontro a representante do grupo Vila das Frutas, Telma Alves. Ela lembrou a dificuldade que havia quando a comunidade de Vila Olímpio se limitava a vender suas frutas “in natura”. Segundo ela, “muitas vezes a feira era fraca e as frutas se perdiam, sem falar que não tínhamos o retorno financeiro que temos hoje”. Telma observa que “com os doces, a comunidade consegue ganhar mais”.

É uma experiência também vivida pelos grupos Doces Retiro e Apesmar que, além de beneficiar os produtos, não param de criar novidades. “Há muita coisa para se fazer com peixe e camarão”, constata Dulcinete Rodrigues, da Apesmar. Maria José Guerra dos Santos, do Arte e Vida, também comemora o belo artesanato produzido na Ponta da Tulha, que já conquista espaço em hotéis e restaurantes de Ilhéus.  “Sentimos orgulho pelo resultado do trabalho”, diz.

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Walmir Rosario

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