Geraldo, o santo

Walmir Rosário

Os acontecimentos recentes da cacauicultura do Sul da Bahia nos remetem à máxima de que “brasileiro tem memória fraca”. Não exatamente o brasileiro, mas as pessoas de um modo geral. Digo isto porque, por mais que me esforce, não consigo entender como grande parte dos cacauicultores baianos ainda tem dúvidas sobre os métodos utilizados pelos partidos de esquerda antes de chegarem ao poder.

Aos que nunca foram afeitos às questões político-partidárias, poderíamos até entender, não fosse a questões históricas sobre fatos e acontecimentos passados. O mais recente deles, para quem tem memória curta, foi a invasão da Câmara Federal por militantes do MLST, capitaneados por Bruno Maranhão, um alto ocupante da cúpula petista nacional. Portanto, nada de anormal entre as ações praticadas pelos membros do Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PC do B) e congêneres.

A explicação acima sobre as ações dos chamados militantes de esquerda se trata tão-somente de ligar fatos históricos com as ações denunciadas pela revista Veja da introdução, de forma criminosa, do fungo Crinipellis perniciosa, causador da vassoura-de-bruxa nos cacauais baianos. Não seria a Veja leviana ao ponto de tentar destruir carreiras políticas sem que provas existam e que porventura possam ser apresentadas.

Não tenho nenhuma procuração da Veja para tratar do assunto, mas como jornalista tenho o dever e o direito de analisar a matéria, no sentido de identificar se o repórter “carregou nas tintas”, como se diz, ou tratou o assunto com imparcialidade. Pelo teor da matéria, está bastante visível o trabalho de apuração dos fatos, o que requereu muito tempo de perguntas e busca das respostas em todas as fontes – primárias, secundárias, pesquisas in loco, etc. –, o que certamente deve ter exigido um bom tempo de pesquisa. Sem esquecer que todas as fontes ou personagens envolvidos foram contatados e apresentaram suas versões. Fora disso, é simplesmente “chorar o leite derramado”.

Mas voltando à “vaca fria”, o que vimos, especialmente entre produtores rurais que participam da Lista Cacau, na rede mundial de computadores, era uma discussão inócua e descabida. Enquanto alguns questionavam a revista Veja sobre os motivos e conveniências da publicação da reportagem numa data próximas às eleições, outros faziam a defesa de forma arraigada e descabida de um dos denunciados, o ex-prefeito de Itabuna, Geraldo Simões.

Poucos tiveram o bom senso de estabelecer um paralelo entre o acontecimento e as pessoas supostamente envolvidas, já que denunciadas por um réu confesso, o técnico em Administração Luiz Henrique Franco Timóteo. O fato realmente existiu? Que interesse poderiam ter esses personagens sobre o fato denunciado? Qual a conexão possível entre os autores e o fato?

O resto é perfumaria, coisa de quem defende uma pessoa por ser amiga, liderada ou simples simpatizante político. Aos menos avisados ou distraídos, podemos lembrar que o currículo sindical e político do Geraldo Simões não dão motivos suficientes para uma boa defesa, embora em momento algum eu possa afirmar sua participação na introdução criminosa da vassoura-de-bruxa, mas sou testemunha de que ele sempre agiu como um destruidor de patrimônios alheios.

A começar pelas costumeiras e contumazes greves decretadas na Ceplac, quando, a qualquer hora ou por qualquer motivo, fechava a instituição, passando pelo comando greve geral em Itabuna. Em todos esses movimentos, sempre comandados com “mão-de-ferro” por Geraldo Simões, as fechaduras de portas e garagens eram entupidas com cola e durepox (e precisavam ser trocadas), pneus dos ônibus furados, pára-brisas e janelas quebradas, empresas obrigadas a fechar as portas ou teriam vitrines quebradas, dentre outras violências e constrangimentos impostos aos cidadãos.

Agora, sem consistência mesmo está a desculpa utilizada por um dos denunciados, Geraldo Simões, ao tentar se esquivar da acusação com a afirmação de que não conhece ou nunca teve contato com Luiz Timóteo. Ao invés de, com segurança, negar sua participação no ato criminoso, Geraldo apelou para uma tática utilizada pelas esquerdas: a de tentar desqualificar seu acusador.

Mas é óbvio de que Itabuna é pequena e a afirmação de Geraldo Simões não resiste a uma pesquisa em fotos ou vídeos históricos sobre os movimentos dos até então chamados de partidos de esquerda em Itabuna. Certamente lá estarão na mesma fila Geraldo Simões, do PT, e Luiz Timóteo, entre tantos outros companheiros do PDT.

Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 1º-06-2006

 

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Walmir Rosario

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