GERALDO I, O DÉSPOTA

Walmir Rosário*

Fatalidades sempre acontecem na vida das pessoas e com tal devem ser tratadas com todo o respeito que o caso e as pessoas envolvidas merecem. Nada mais justo e ético. Entretanto, esse mesmo fato pode ser denunciado quando uma das partes faz uso mesquinho e covarde da parte mais fraca, utilizando os benefícios em proveito próprio e de forma não recomendável.

Um dos casos que merece destaque é o atropelamento de um menor em Gandu, há 12 anos, por um veículo de propriedade do prefeito Geraldo Simões. Esse fato foi lembrado na edição de terça-feira (28) do Jornal Agora, merecendo a manchete principal, o que gerou reclamações por parte dos “geraldistas” mais exaltados, notadamente os que detêm cargos comissionados na Prefeitura de Itabuna.

Trata-se de mais um caso de paixão política, em alguns casos, de outros simples oportunismo de figuras dadas ao puxa-saquismo, onde o “chefe” não pode ser atingido, mesmo pelas verdades (é triste, mas isto é rigorosamente verdadeiro em pleno século XXI). Poucos se dão ao paciente trabalho de, sem emoção e sim com a razão, debruçar-se sobre a análise dos fatos, não do atropelamento em si, mas da guerra judicial travada no pagamento da indenização.

Em momento algum o Jornal Agora tratou o fato imputando a culpa do atropelamento a Geraldo Simões, tanto que foi noticiado o nome do condutor do carro, inocentado civilmente, já que a responsabilidade civil é do proprietário do veículo, Geraldo Simões. Como tal foi sentenciado e até hoje tenta se esquivar do pagamento do prejuízo causado, hoje com uma perna dez centímetros menor que outra, além de outras mazelas.

O que mais causa espécie é o tratamento dispensado por Geraldo Simões, seus assessores mais próximos e os marqueteiros. Numa dessas reuniões com a militância, o assunto, que deveria preocupar pela gravidade da questão social e não desdenhar de uma situação posta. Nessa reunião, a preocupação de Geraldo e dos assessores era apenas em relação às proporções e os prejuízos que o fato poderia ter causado em sua campanha eleitoral.

Para evitar a veiculação da guerra judicial, na qual o prefeito se recusa a pagar os 600 salários mínimos decretados em sentença como indenização por danos morais e materiais ao menor (à época) atropelado, Geraldo Simões acionou a Justiça Eleitoral, com a finalidade de proibir a exibição do caso no horário eleitoral gratuito. A motivo justificado foi o de que um fato passado há 12 anos poderia prejudicar a sua imagem e ser decisiva para a sua derrota na urnas em 3 de outubro. Desculpa esfarrapada e medíocre, como sua atuação na vida pública.

Em algum momento Geraldo Simões se preocupou com as mazelas causadas num menor que teria todo um futuro pela frente. Não se discute o acaso, o infortúnio, mas a insensibilidade de quem prejudicou, mesmo sem ter a pretensão de fazê-lo, a vida de um ser humano. Aliás, preocupação desse tipo nunca foi o forte de Geraldo Simões durante toda a sua vida. Como sindicalista não conheceu leis, nunca atuou com ética e praticou desmandos na sociedade, ameaçando pessoas contrárias à filosofia pregada, inclusive promovendo danos contra o patrimônio público e privado durante as greves.

O que deixa a sociedade mais estarrecida é o seu desdém sobre a vida humana, sobre a miséria alheia. Enquanto tenta enganar os itabunenses na televisão chamando-os de “meu irmão” e “minha irmã”, prometendo uma Itabuna maravilhosa com sua pífia administração, pratica o anti-humanismo às escondidas. Ou como diz o ditado popular: “Age como um satanás pregando quaresma”.

Não há quem consiga enganar todo um povo e por muito tempo. Um dia a população vai juntando as peças até conhecer que seu “santo tem os pés de barro”. Infelizmente, diante do poder de persuasão, da disposição em gastar o dinheiro público na promoção social e praticar os desmandos contra quem se atreva a passar em frente, muitos não resistem.

Podemos, até, ter cometido erros, e se algum houve não foi por má-fé, mas sim com o intuito de defender a comunidade, da qual não abriremos mão em nenhuma hipótese, mesmo à custa de muito sacrifício. Mais cedo ou mais tarde a comunidade saberá julgar!

* Radialista, jornalista e advogado

Publicado no Jornal Agora em 02-10-2004

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