FESTA DO CACAU

Walmir Rosário*

Nos dois últimos meses várias cidades da Bahia, especialmente da região cacaueira, sediaram exposições agropecuárias. Duas delas merecem relevante destaque: a Expoíta, em Itabuna, e a Fenagro, em Salvador. Essas exposições se toram um verdadeiro congraçamento entre os pecuaristas, que além de encontrar-se com amigos e conhecer o que há de mais moderno na sua atividade, ainda a utilizam como mercado, comprando e vendendo os seus produtos.

Nada mais propício para aquecer a economia do setor agropecuário como uma exposição. Há oportunidade para todos os segmentos, seja nos leilões de bovinos e equinos, na comercialização em argola ou nos currais. Existem, ainda, oportunidades para se abastecer dos mais diversos insumos, equipamentos de trabalho e de infraestrutura, a exemplo de rações, medicamentos, troncos, balanças, arames para cerca, ordenhadeiras mecânicas e tratores.

Neste “mercado persa” corre muito dinheiro, seja através de financiamentos bancários ou diretos, onde neste, uma simples promissória tem o valor liberativo da mercadoria, sem as exigências e burocracias cobradas pelos bancos. Vale mais a palavra, o “fio de bigode”, como costumavam dizer os mais antigos. É certo que nem todos podem gozar dessa confiança, mais isso é outra coisa e que não cabe ser analisada aqui. O que queremos dizer é que existe um mercado real.

A cacauicultura, atividade bem próxima da pecuária, até porque geralmente é praticada pela mesma pessoa, infelizmente, ainda não vislumbrou esse potencial fantástico que é a exposição. Em nossa região, há décadas passadas, já se tentou realizá-las, algumas, inclusive, obtiveram grande sucesso de público e comercialização. Entretanto, com as sucessivas crises, foi relegada ao esquecimento, não se sabe se em função das dificuldades econômicas ou por falta de empreendedorismo.

Agora, vivemos um novo tempo na cacauicultura, onde o desânimo foi substituído pela capacidade de transformação de uma atividade em decadência para um negócio economicamente rentável. A esperança num futuro promissor está visivelmente estampada nos rostos dos cacauicultores, que passaram a cuidar de seu patrimônio com uma atenção ímpar, festejando o resultado do material genético selecionado e clonado nas roças, que representam a independência financeira.

Está na hora, portanto, dos cacauicultores aprenderem a lição dado pelos pecuaristas e começar a organização da Festa do Cacau, misturando o congraçamento com a tecnologia disponível, conhecendo as experiências adquiridas pelos produtores e técnicos ao longo desses anos. Cabe aí o esforço econômico regional com entidades políticas e administrativas para formatar o mais importante evento da cacauicultura.

É chegada a hora de deixar de lado as diferenças existentes entre os grupos de lideranças regionais e planejar um empreendimento que somente tem a engrandecer a economia e a sociedade da região cacaueira da Bahia.

* Radialista, jornalista e advogado

Publicado no Agora Rural em 07-12-2002

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