FAROFA DE JABÁ ACEBOLADA E ARROZ DE PUTA RICA PARA INAUGURAR O FOGÃO

Arroz pronto, colaboração de Zé do Gás para levar à mesa

A Confraria d’O Berimbau viveu mais um sábado de glória e majestade neste 12 de janeiro de 2019, ao recepcionar os confrades daqui e de alhures em alto estilo e nos equipamentos. A bem da verdade, a efeméride fez parte do calendário de recepção do confrade Tyrone Perrucho, que se arranchou em Brasília durante os festejos natalinos e cívicos no Planalto Central.

Para receber o tão importante confrade, fundador de O Berimbau, fundador da Confraria com o mesmo nome e um dos executivos da Galeota de Ouro, realizada naquele ambiente por muitos anos, nada melhor do um cardápio reforçado. Após uma cuidadosa pesquisa culinária, foi eleita a farofa acebolada de jabá e calabresa e o suculento arroz de puta rica, com ingredientes variados, preparados in loco.
Como dizem que enquanto o frade descansa, carrega pedras; ou quem pariu Mateus que o balance! Essas são as frases mais comuns de quem não pretende ter a responsabilidade com outras coisas, isso em situação normal. Mas não é que arrumamos (ou, pelo menos, eu) outro encargo na Confraria d’O Berimbau? E garanto que não é nenhuma pro moção ou cargo nesta fidalga irmandade.

Não contente com as comidinhas de sábado chegarem – às vezes – frias e terem que ser esquentadas de favor na padaria ou no fogão de Zé do Gás, resolvi batalhar para conseguir um fogão para a Confraria. E consegui! Lá em Itabuna, há 145 quilômetros de distância. Um fogão com pedigree canavieirense que dormitava na casa do irmão Augusto Ferreira, levado por outro, José Batista.

Negociações feitas, doação do fogão concretizada, outro irmão, Gilson Pereira, doou o botijão, conseguido a preços módicos junto ao irmão Valmique e transportado na mesma irmandade por Ériston Nascimento. Para não dizer que o poderoso secretário Plenipotenciário Gilberto Alves Oliveira, o Gilbertão, ficou de fora da conversa, doou o registro para fazer funcionar o poderoso fogão.

Todo o mundo comportado comendo a farofa de jabá com calabresa acebolada enquanto aguardam o arroz

E a recepção ao recém-chegado turista da viagem ao planalto central veio a calhar, pois juntamos a fome com a vontade de comer, já que não poderíamos inaugurar o fogão sem a presença dos benfeitores. Além de Augusto e Gilson, a comitiva itabunense ganhou o reforço do irmão Nelson Lopes, também conhecedor de forno e fogão, que ainda joga em todas as posições nas variedades etílicas.

Composto com um avental onde se destacava a estrela solitária do Botafogo, acendemos o fogão para dar início aos trabalhos, obedecendo ao ritual preestabelecido na Confraria d’O Berimbau. Primeiro, uma cachacinha mineira e dois providenciais litros de batidas da conceituada linha de produção que leva a marca do Caboclo Alencar, diretamente do ABC da Noite, localizado no baixo Beco do Fuxico, em Itabuna.

Para quem não é lá muito chegado às comidinhas de boteco – principalmente as de absoluta sustança – a apresentação do cardápio trouxe uma leve desconfiança do que seria apresentado. Não pela farofa de jabá e linguiça calabresa com bastante cebola, mas pelo pièce de résistance – ou prato principal –, a ser consumido num local onde reina o mais absoluto respeito, por elementos de primeira qualidade quando a assunto é família.

Desfeitas as primeiras más impressões, em virtude das ingestões dos primeiros goles, como diz Gilbertão, eis que foi servido o primeiro prato, para satisfazer os instintos famélicos, a expectativa foi o prato principal. Aos poucos, os confrades se aventuravam a chegar perto do fogão, e com desconfiança olhavam curiosos para o que viria a ser o arroz de puta rica.

Nada de mais o que envergonhe ao mais pudico dos seres humanos. Trata-se apenas de um arroz cozido com alguns ingredientes, que em épocas mais remotas não seriam disponíveis para todas essas senhoras. Enquanto isso, lá estava eu fritando costelas e lombos suínos salgados, coxinhas da asa de frangos, jabá e linguiça calabresa, para serem incorporadas, posteriormente, ao arroz.

Como geralmente costumo ser pródigo – e foi o que me salvou de ser chamado do sovina –, levei os ingredientes em abundância, pois sabia dos frequentadores bissextos que aparecem com frequência na Confraria d’O Berimbau. Para não perder a viagem, entre uma virada e outra dos ingredientes, tomava um gole de cachaça ou batida, e lavava a boca com cerveja, com parcimônia, para não cometer um desatino no prato.

E eis que chegou a hora de cozinhar o arroz e a panela que levei era pequena, mas fui salvo prontamente pelo irmão Zé do Gás, com um panelão de respeito e capaz de abrigar todos os apetrechos. Pelos meus cálculos, cerca de uma hora e meia depois – o fogão somente tinha bocas pequenas –, coloquei o prato principal à disposição de todos, que caíram “matando”. Só de “bodes” no recinto, contei 12.

INGREDIENTES
– 1, 5 quilos de lombo e costela suína salgadas
– 1 quilo de coxinha da asa de frango
– 1 quilo de jabá dianteira
– 1/5 quilo de linguiça calabresa
– 300 gramas de bacon
– 1 lata de ervilhas em conserva
– 1 lata de milho em conserva
– 1 quilo de arroz
– 3 pimentões (verde, vermelho e amarelo)
– 3 tomates
– cebolas
– 6 dentes de alho
– sal, cominho e pimenta do reino a gosto
– 5 pimentas de cheiro
– açafrão-da-terra a gosto

PREPARO
Corte as carnes suínas e a jabá em pedaços pequenos, a calabresa em rodelas e frite-as em panelas diferentes, tempere a coxinha da asa com sal, cominho e pimenta do reino, frite-as e reserve-as.
Corte o bacon em cubos, corte ou amasse os dentes de alho, corte as cebolas em pedaços pequenos e rodelas (meio a meio). Coloque um pouco de óleo numa panela grande, acrescente o bacon, a calabresa, o alho e as cebolas cortadas miúdas e refogue o arroz.
Em seguida, coloque o milho, a ervilha, o açafrão-da-terra e cubra com a cebola em rodelas, os tomates e os pimentões.
Cozido o arroz, hora de comer.

 

 

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