FALSOS AMIGOS USAM MANTRA COMO TORTURA

Walmir Rosário*

A vida está cada vez mais difícil! Parece até um mantra, daqueles repetidos exaustivamente pelos quatro cantos pelos adeptos do hinduísmo e budismo, com o objetivo relaxar e induzir um estado de meditação em quem canta ou escuta. Mais do que isso, dizem até que é uma maneira de entrar no cérebro das pessoas para controlar o nosso pensamento.

E quando esse pessoal usa e abusa desse artifício cerebral não há cristão que resista, pois os que vêm sofrendo com esse tipo de tormento, praticado pelos falsos amigos, chegam a comparar com as piores torturas medievais. Um conhecido mais chegado meu chegou a comparar com o terrível personagem criado pelo cartunista Henfil: O Tamanduá o chupador de cérebros, que se alimentava de mentes humanas, chupando-as implacavelmente.

E aí a força de vontade do incauto cidadão vai pro beleléu. Para não deixar o leitor em estado de entorpecimento, vamos aos finalmente, ao que realmente interessa, sem ficarmos nessa conversa mole. É que antes os coordenadores do tresloucado Clube dos Rolas Cansadas, sem prolegômenos, convidava os colegas, via telefone, relatando apenas o local do encontro semanal e, se muito, o tema da discussão, a cerveja e o tira-gosto.

Agora, com a chegada da crise, mudaram de ideia e de conceitos, recorrendo aos artifícios do marketing, na sua forma mais requintada, parecendo que tomaram aula ou encomendaram uma campanha de persuasão junto aos cobras Nisan Guanais, Washington Olivetto, ou Duda Mendonça. O certo é que mudaram de água pra vinho, não importando a marca e a safra, que é coisa de bebedores sofisticado, metidos a besta.

O certo é que nas quintas-feiras pela manhã, dia do consagrado encontro semanal do Clube dos Rolas Cansadas – de Canavieiras –, os filiados, ou confrades como querem chamar alguns deles, recebem uma ligação telefônica inusitada. Ao contrário de antes, quando relatavam o endereço do bar e o tema, agora tudo mudou e o indigitado, de forma curta e grossa canta o seguinte mantra:

– Você está apenas sendo comunicado que a partir das 11h30min estaremos reunidos no bar tal, tratando de assuntos referentes ao Clube dos Rolas Cansadas. Lembre-se que este não é um convite e que você está sendo apenas comunicado.

O desaforado recado cai como uma bomba nos ouvidos do receptor que, atônito, fica sem saber que resposta dar. Afinal, é, segundo o gaiato do outro lado da linha, uma simples comunicação e não um convite. Pior, ainda, por se sentir desprestigiado pelos velhos companheiros de garrafas, copos e pratos nos muitos bares da vida, sendo relegado pelos pseudos amigos de outrora.

Tal e qual o Tamanduá criado por Henfil, chupa o cérebro, inibe o pensamento, falta a voz, some o chão, foge a resposta nesta patética cena em que o cidadão, desprovido ligeiramente das faculdades mentais se sente um reles e insignificante mortal desprezado. Enquanto isso, do outro lado da linha – o telefone colocado em viva voz – um bando de zombeteiros fazem deboche da falta de reação do coitado.

Na maioria das vezes a trama funciona com alguns que têm medo de serem vistos como governados pela mulher e coisas do gênero, que se apressam em marcar presença para logo mais, mesmo sendo avisado que não está sendo convidado. E quando chegam ao local do crime são recebidos com a galhofa de que até então não fazia parte da seleta lista confeccionada com esmero para a nem tão brilhante efeméride.

Mas, aqui pra nós, a artimanha em forma de mantra tem funcionado e muitos dos refratários de antes, mesmo constrangidos, passaram a comparecem com mais frequência, mesmo a contragosto, para não dar o braço a torcer. Outros, mais dissimulados, sequer comparecem e não passam o recibo da provocante ligação e horas ou dias após simplesmente desconversam alegando outras atividades inesperadamente surgidas.

De minha parte, sempre que dá compareço, ou não. Desconfiado desse súbito comportamento, passei a averiguar os sumiços e as andanças dos tresloucados membro do Clube dos Rolas Cansadas. De acordo com minhas pesquisas, Tyrone Perrucho e Alberto Rocha (fiscal em Canavieiras e coletor em Camamu), passaram duas temporadas pros lados de Barra Grande, em Maraú.

Pesquiso aqui e pesquiso ali, quando finalmente cheguei ao X da questão: Nessas andanças por Maraú, por certo encontraram com o marqueteiro Duda Mendonça, responsável pela miséria dos brasileiros a ajudar eleger o tal do Lula presidente do Brasil. Já que o assunto era maldade, pode ser que o Duda – ou outro publicitário pra aquelas bandas – tenha resolvido sacanear o povo de Canavieiras e ter dado um curso de imersão a Tyrone e Alberto, que passaram a fazer essas maldades com os confrades.

Sabia que coisa boa não teriam ido em busca pras bandas de Maraú.

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Walmir Rosário

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