ESSE É UM PAÍS QUE VAI PRA FRENTE…

Walmir Rosário*

Agora passo a acreditar, definitivamente, que o Brasil nunca mais será o mesmo. O que tenho visto na televisão sobre o que se passa nas CPMIs dos Correios e do “Mensalão” tem me deixado preocupado. Nunca vi tanta coisa escabrosa vir a público e de forma tão simplória. É a banalização do crime, só que pregada por pessoas que exercem ou exerceram postos-chaves na vida política do País.

Conversas republicanas e não-republicanas são assuntos corriqueiros no interior dos palácios, das autarquias e demais órgãos públicos com a maior desfaçatez. Tudo muito simples e baseado no singelo argumento de que “eu estou no poder, então tenho o condão de cometer ilicitudes, afinal, fui ungido pelo povo para fazer e acontecer”. “Tenho a blindagem”, diria qualquer um super-herói tupiniquim.

Pois bem! Ao vivo e em cores para todo o País, nossos criminosos, ladrões do dinheiro público, comparecem ao Congresso Nacional com a ingênua intenção de mentir, como se todos os expectadores idiotas fossem. Pior, ainda, é a situação dos parlamentares, que são obrigados a se submeterem a tamanha e degradante tarefa de inquirir e não obter a resposta. Não que eles não saibam, mas porque não querem, numa chicana sem precedentes.

De posse de um competente habeas corpus concedido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que embora dentro da lei, não acrescenta nada ao regime democrático, por ajudar a escamotear a verdade. Em vista desses subterfúgios utilizados, nos sentimos impotentes para extirpar as ações criminosas praticadas contra o erário.

O que mais causa espécie à sociedade é a sensação de ser enganada, justamente pelos que tinham a obrigação funcional de trabalhar pelo bem-estar dos brasileiros. Esses “espertos” cidadãos são os mesmos em que tempos atrás condenavam qualquer tipo de barganha, mesmo que fosse somente política.

Em tempo atuais, a compra de votos, melhor, de consciências (se é que eles a têm), são encaradas com a maior normalidade, como se fosse uma prática corriqueira e dentro de padrões éticos. De repente, o que era um pecado mortal, daquele que condenam qualquer cristão à convivência com satanás, passa a ser uma ação de caridade para com o próximo.

O que era ilícito, agora é motivo de comparativo e coisa corriqueira entre os partidos, como se isso fosse o suficiente para apagar o nome dos devedores no rol dos culpados. Entretanto, apesar da flagrante impunidade reinante no País, aos poucos vão se desmoronando os guardiões do bem e da moralidade pública. Junto com os culpados, também vão sendo tragados os que participaram do esquema, mesmo que fossem como Pilatos no Credo. Aos poucos, os verdadeiros culpados vão aparecendo, mostrando a cara à Nação, que com certeza, abominarão seus nomes e números do calendário político-eleitoral brasileiro.

*Radialista, jornalista e advogado

Publicado no Jornal Agora em 20-08-2005

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