ESCOLHA DOS HOMENAGEADOS DO TROFÉU GALEOTA DE OURO PRECEDIA DE RITUAL LITÚRGICO

http://ciadanoticia.com.br/wp-content/uploads/2018/12/Vela-Reunião-Confraria.jpgESCOLHA DOS HOMENAGEADOS DO TROFÉU GALEOTA DE OURO PRECEDIA DE RITUAL LITÚRGICO

Walmir Rosário*

Muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Essa pequena passagem da Bíblia (Mateus 22:14) mostra claramente a forma da escolha da seleta lista de homenageados com o Troféu Galeota de Ouro. Ao contrário do que se pensava – e ainda pensam alguns desavisados –, que os distinguidos com a honraria pelos feitos etílicos se dava pela contumácia ou o reles ato de beber e se embriagar diariamente, sem pompas ostentação ou esplendor de dar inveja aos mais acatados abstêmios.

A escolha precedia de um amplo ritual litúrgico, com a finalidade de comprovar e mensurar o trabalho realizado pacientemente pelos olheiros da “Comissão de Observação da Confraria do Berimbau”. A cada ação desastrada cometida pelo indigitado “cachacista” chegada ao conhecimento e ao domínio público, o candidato recebia uma simples advertência, um cartão amarelo e, a depender do escandalizante ato, um cartão vermelho. Dois cartões vermelhos, então se tornava um candidato difícil de ser batido.

Mas como não há nada tão ruim que não possa piorar, a brilhante e implacável Lei de Murphy descia sobre as “cabeças coroadas” como se fossem a verdadeira “espada de Dâmocles”. Mas, pela seriedade e responsabilidade que caracterizava a isenção da escolha dos ganhadores do troféu, a decisão tinha que ser colegiada, após a análise de pesos e medidas estabelecidos.

Tal e qual praticavam as instituições medievais, os membros da Confraria d’O Berimbau – vestidos a caráter – se reuniam numa salinha escura nos fundos do Tabu, iluminada apenas por uma lamparina a vela, conferindo a escrita de cada verso do cartão, analisando o grau de gravidade. Dois cartões amarelos equivaliam a um vermelho…dois vermelhos então…Mas tinham aqueles que bastava uma falta gravíssima, como a de perder o endereço de casa, trocando a estrada do mar para a da montanha…era bingo.

Algumas faltas chegavam a ser consideradas impublicáveis, como as cometidas na própria casa e que chegam ao domínio público após alguma indiscrição com um vizinho ou parente mais chegado. Alguns outros, pela teimosia dos acometimentos, tiveram que ser considerados “hors concours” pela falta de concorrentes à altura das faltas cometidas e anotadas pelos olheiros do Posto de Observação.

E assim eram escolhidos os distintos honrados com o Troféu Galeota de Ouro, sem privilégios, tráfico de influência ou compra de galões e patentes. Igual ao que preceitua o conceituado Jogo de Bicho: vale o escrito.

*Radialista, jornalista e advogado

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