Empresários estão apreensivos sobre futuro da economia baiana

Os empresários estão retraídos

O resultado do Indicador de Confiança do Empresariado Baiano (Iceb) do mês de julho revelou apreensão na expectativa dos sindicatos e associações representantes da economia baiana. O indicador registrou 117 pontos – valor 60,4 menor do que o do mês imediatamente anterior. Apesar da queda, o indicador permanece na zona de otimismo moderado. O índice, calculado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento do Estado (Seplan), revela que os setores agropecuária e indústria apresentaram alta nos seus indicadores, enquanto o setor de comércio e serviços registrou queda.

Em relação ao mês imediatamente anterior, tanto o setor agropecuária quanto o setor indústria apresentaram aumento de 43 pontos percentuais (p.p.). Enquanto o primeiro atingiu 238,6 pontos e permaneceu na zona de otimismo moderado, o segundo seguiu a tendência de leve queda, com -61 pontos, ficando na zona de pessimismo moderado. O setor de cComércios e serviços diminuiu 41,1 p.p., atingindo 179,2 pontos e migrando da zona de otimismo para a de otimismo moderado.

O questionário da Pesquisa de Confiança do Empresariado Baiano divide-se em duas partes. A primeira é referente às variáveis econômicas (PIB, câmbio, inflação e juros), e a segunda ao desempenho das empresas (vendas, crédito, situação financeira, emprego, capacidade produtiva, abertura de unidades). No mês de julho, outra vez, os agentes mostraram maior otimismo sobre as variáveis econômicas do que sobre as de desempenho da empresa.

As variáveis econômicas tiveram evolução de 10,7 p.p., atingindo 197,9 pontos, enquanto as variáveis relativas às expectativas empresariais tiveram queda de 45,9 p.p. e chegaram a 17 pontos, menor nível desde que se iniciou a pesquisa.

“A crise financeira nos Estados Unidos e na Europa já exerce influência negativa na economia brasileira. A taxa de crescimento do país deve ser inferior a meta estabelecida pelo governo de 4,5% ao ano. A elevação do PIB em 2011 pode ser de somente 4,0%, apesar dos esforços feitos pelo governo. Também há expectativa de que a inflação feche o ano acima do teto da meta de 6,5% – acumulada no ano está em 7,0% -, e uma política monetária expansiva, decorrente do cenário externo, pode elevar ainda mais a inflação doméstica”, avalia Urandi Freitas, coordenador de Estatísticas da SEI.

Desempenho – Quanto ao desempenho das empresas, agropecuária e indústria elevaram seus indicadores, ao passo que o setor de serviços e comércio arrefeceu em relação ao mês anterior. Contudo, os aumentos da agropecuária e da indústria não foram suficientes para deslocá-los das suas zonas, otimismo moderado e pessimismo moderado, respectivamente, enquanto a queda do setor serviços e comércio moveu o mesmo da zona de otimismo para a de otimismo moderado.

No que concerne às variáveis econômicas, apenas o setor agropecuária melhorou suas expectativas, deslocando-se da zona de otimismo moderado para a de otimismo. Os setores indústria e serviços e comércio retraíram, sendo que o primeiro manteve-se praticamente estável, na zona de otimismo moderado, enquanto o segundo caiu o suficiente para sair da zona de otimismo e entrar na de otimismo moderado.

Quanto às expectativas inflacionárias para os próximos 12 meses, 70% dos entrevistados esperam que os preços tendam a estabilidade. Sendo que o indicador para esta variável, na avaliação do conjunto dos setores, atingiu 187,5 pontos, zona de otimismo moderado.

Seguindo a tendência inversa, as expectativas dos agentes em relação à taxa de juros encontram-se estáveis. O indicador, que marcou -20,8 pontos, encontra-se na zona de pessimismo moderado. Além disso, a maioria dos respondentes (62,5%) esperam estabilidade para a taxa Selic, com pequenas variações de 2 p.p para cima ou para baixo nos próximos 12 meses.

Avaliando as expectativas em relação ao crescimento econômico, percebe-se que todos os setores esperam resultados positivos – 291,7 pontos para o PIB nacional e 333,3 pontos para o PIB estadual, situados na zona de otimismo. Cerca de 42% acreditam que o PIB brasileiro crescerá entre 1,0% e 2,9% nos próximos 12 meses.

Quanto às expectativas sobre as vendas para os próximos 12 meses, o indicador atingiu expectativas sólidas, marcando 187,5 pontos, zona de otimismo moderado. No entanto, ao observar o crédito para as empresas, observa-se que os setores mantêm certo nível de apreensão e crêem que o crédito continuará caro no futuro, já que o indicador atingiu -62,5 pontos e segue na zona de pessimismo moderado.

Avaliando a variável capacidade produtiva, o índice apresentou bons resultados, com destaque para a agropecuária, uma vez que os preços das commodities tende a se valorizar nos mercados. O indicador geral atingiu 187,5 pontos, zona de otimismo moderado. Outra variável bem avaliada foi a exportação, que atingiu 136,4 pontos e também está na zona de otimismo moderado.

Entretanto, ao avaliar os setores individualmente, percebe-se que enquanto os setores agropecuária e serviços e comércio apresentaram resultados extremamente positivos, a indústria situou-se na zona de pessimismo moderado, com -166,7 pontos.

Sobre as expectativas de exportação, o indicador geral segue a tendência de pessimismo da economia, dado o real valorizado e a diminuição da atividade internacional. O índice marcou -55,6 pontos, zona de pessimismo moderado. Entretanto, a expectativa sobre o emprego é positiva, foi apurado 104,2 pontos e otimismo moderado, o que significa que de uma maneira geral existe uma tendência à contratação nos próximos 12 meses. Contudo, ao analisar os setores individualmente observa-se que a situação para a indústria é pessimista quando comparada com os outros setores.

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Walmir Rosario

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