EDMUNDO LIVRE! FINALMENTE…

*Walmir Rosário

Essas modernidades de hoje não são do trato de todas as pessoas, principalmente dos mais experientes na vida, aqueles forjados na faculdade do mundo, avessos às tecnologias, os computadores, smartfones (estes somente para falar). E meu amigo Edmundo Melo faz parte desse nem tão seleto grupo, ou, pelo menos, fazia até se conscientizar das necessidades desse mundo avançado.

Mas o sentimento de liberdade, a sensação de estar livre e não depender de ninguém falou mais alto e ele teve que se submeter à considerada outrora humilhante escolinha de eletrônica, informática, telemática, sei lá mais como se chama…É que o amigo Edmundo, no alto de seus 70 e tantos anos se considerava um ser humano livre, notadamente após sua aposentadoria na Ceplac.

Mas eis que a dificuldades de abrir um enorme portão – existem amigos que chamam cancela – fez como que se rendesse às inovações da eletrônica, e não era pra menos: aquele ritual de descer do fazer aquela força danada, abrir a porteira (?), entrar novamente no bugre, ultrapassar o portão, descer mais uma vez, fechar o portão, subir de novo no bugre e estacionar em casa já lhe importunava.

A solução encontrada com a família foi adquirir um majestoso portão de ferro, com todos os requintes da eletrônica embarcada, com equipamentos iguaizinhos a um computador e, para completar, tudo manuseado pelo controle remoto. Nada mais agradável, prático e inteligente. Caso um convidado chegasse para uma visita, de dentro de sua residência mesmo abriria o portão, sem a necessidade de caminhar por todo aquele corredor.

Portão eletrônico basculante implantado, testado e aprovado, começam aí os mais graves problemas nunca sonhados pelo meu velho amigo Edmundo. Essa coisa de apertar os controles para subir, descer, parar no estágio adequado, não era com ele, que nem mesmo desfrutava de tamanha intimidade com os controles do aparelho de TV, pois acostumado com seus aparelhos de rádios cinquentões, capazes de sintonizar emissoras até da China, Estados Unidos e Japão.

Sem poder desfrutar do sagrado direito constitucional de ir e vir se viu obrigado a mudar sua rotina. Pela entrada principal, por onde se apresentava à liberdade das ruas, se viu acabrunhado, haja vista as dificuldades enfrentadas com a eletrônica. A única solução encontrada era sair pelo portão dos fundos, que permitia apenas a sua passagem, a pé, para se dirigir à cabana do amigo Deusdete.

Nesse interregno, foi notada sua ausência na Confraria d’O Berimbau, desapareceu das vistas de Bené, no Bar Laranjeiras, sequer deu mais notícias no Panela de Barro ou visto lá pras bandas da Burundanga, para a tristeza de seu Furico. Sem a saída principal, o único recurso foi se despir da arrogância e, às escondidas, contratou um professor de informática e eletrônica para se especializar no controle do portão.

Sujeito por demais inteligente, acostumado às inovações introduzidas pela Ceplac quando na ativa, em apenas duas semanas já esnobava o professor, manipulando com precisão o competente controle remoto. Finalmente era, de novo um homem livre, para cruzar Canavieiras de norte a sul, de leste a oeste, sem pedir favor, revisitou os amigos e para demonstrar toda a sua perícia, promoveu um lauto almoço para apresentar e comemorar sua destreza no trato com o portão da liberdade.

Data marcada, uma quinta-feira, dia de reunião ordinária do Clube dos Rolas Cansadas, recebe os amigos em alto estilo em sua mansão da Ilha da Atalaia, cardápio gastronômico e etílico digno de louvores – houve quem nominasse digno de inveja. Convidados tantos à mesa, Edmundo contava seus progressos com o trato da tecnologia, desbancando as dificuldades iniciais, tidas por ele como coisa do passado.

Parabéns para Edmundo Melo, que seguindo os passos – mesmo com considerável atraso – de Caboclo Alencar, que há mais de 10 anos desvendou o mundo da informática, o novo cientista da Atalaia promete bater todas as metas, com os aplausos de Dr. Janos, que se deslocou de Brasília com sua família para prestigiar o amigo. E o próximo alvo a ser alcançado é estrear um smartfone igualzinho ao do confrade Tyrone Perrucho, recém-convertido aos fuxicos por meio do Whatsapp.

Agora vai…

* Radialista, jornalista e advogado

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Walmir Rosario

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