ECONOMIA

CANAVIEIRAS PARA TODOS, CANES PARA OS ÍNTIMOS

O Projeto Canes foi um dos principais vetores de desenvolvimento do turismo, atraindo a vinda de empreendedores

A pousada Taba de Canes e…

O turismo é uma forte matriz econômica de Canavieiras, que se tornou conhecida através do Projeto Canes (Complexo de Atividades de Natureza Econômica e Social), elaborado em 1990 pelos urbanistas André Sá e Francisco Mota e o economista Paulo Gaudenzi, a pedido do então prefeito Almir Melo. O projeto contemplava ações como a desapropriação de áreas no centro e na Ilha da Atalaia, para a implantação de hotéis, pousadas e cabanas de praias padronizadas, bem como unidades residenciais.

O Projeto Canes foi o primeiro grande vetor do desenvolvimento turístico de Canavieiras, pois a proposta era a de transformá-la numa cidade na qual se conseguisse reunir todas as condições de oferecer ao turista uma hospitalidade de primeira linha. O Projeto Canes foi lançado com uma ampla campanha de marketing, que tinha como slogan: “Canavieiras para todos, Canes para os íntimos”. Com isso, estimulou a vinda de empreendedores dos diversos ramos de atividade, capazes de atender todas as demandas da alta e da baixa temporada.

…e cabana Alegria de Viver foram pioneiras do Projeto Canes

Em 2013, de volta à gestão municipal, o prefeito Almir Melo voltou a empreender novas ações no segmento do Turismo, com a execução de obras como a Urbanização da Praia da Costa, na Ilha da Atalaia. A obra, em direção ao Norte, contemplou a pavimentação da avenida Beira-mar e a construção da praça dos Caxandós, com diversos equipamentos esportivos e de lazer. Ao Sul, a pavimentação da avenida Tucunarés, do monumento do Caranguejo até a praça da Igreja de Santo Antônio na Atalaia.

Outro grande equipamento turístico em construção é o Parque Recreativo e Ecológico Luiz Eduardo Magalhães, que abrigará a Passarela do Robalo e o Caminho da Fé. Enquanto a Passarela do Robalo contempla o lazer o jogging, o Caminho da Fé se tornará o maior equipamento turístico voltado para o turismo ecumênico, com a implantação das estações da Via Sacra. Atualmente os projetos encontram-se paralisados.

A cidade é um grande palco para receber os turistas nas maiores festas, a exemplo do Réveillon, Carnaval, Campeonato de Pesca do Marlin, Campeonato de Pesca de Praia, Festival do Caranguejo e o Projeto Verão. Os festejos religiosos também atraem muitos turistas, como a Procissão de São Pedro e Bom Jesus dos Navegantes, Levada do Mastro de São Sebastião, Cortejo e Lavagem da Escadaria da Igreja Matriz de São Boaventura, dentre outras.

Canavieiras atualmente é o município que mais recebe investimentos privados na agropecuária, já que o município reúne todas as boas condições para o desenvolvimento de diversas culturas, por ter solo de qualidade, chuvas regulares e sol o ano inteiro. Diversos tipos de cultivos estão sendo implantados, a exemplo do cacau, fruteiras variadas, pecuária de leite e corte, inclusive com a agroindústria de seus derivados, café conillon, mamão e produtos hortifrutigranjeiros. Um dos novos destaques da agropecuária canavieirense é o abacaxi, que vem sendo implantado por alguns produtores.

Todas essas ações têm transformado Canavieiras num dos destinos mais procurados do Sul da Bahia, ampliando o movimento nas mais diversas atividades econômicas do Município. Na cidade, os turistas buscam as praias exuberantes, os passeios pelos extensos manguezais, as festas profanas e religiosas e a rica gastronomia.

A procura cada vez mais intensa pela cidade na maior estação do turismo também é resultado de um intenso trabalho de melhoria dos serviços públicos. Para isso, é preciso oferecer ao turista as comodidades da infraestrutura do setor, com a garantia de um bom serviço de saúde, atendimento perfeito, boas acomodações e preços justos.

Após a implantação do Projeto Canes, Canavieiras passou a vivenciar um período de desenvolvimento econômico e social, com repercussão positiva nos públicos internos e externos. E prova inequívoca tem sido o aumento da quantidade e permanência dos visitantes na cidade, com opiniões e depoimentos positivos dos visitantes sobre a organização, encantando os turistas, que encontram uma cidade bonita e bem cuidada, podendo desfrutar de todas as belezas e da hospitalidade.

ECONOMIA PUJANTE É MARCA DE CANAVIEIRAS

Desde seus primórdios, a economia de Canavieiras atravessou várias fases, sempre calcada na agropecuária – com destaque para o cacau –, no comércio e até na mineração. De acordo com o livro “Canavieiras – Terra Mater do Cacau”, de autoria de Aurélio Shommer e Durval Pereira França Filho, “é possível afirmar que Canavieiras viveu todos os ciclos econômicos da história do Brasil, exceto o industrial”.

Inicialmente, foi o ciclo da cana-de-açúcar, implantado em São Boaventura do Poxim e em outros locais de Canavieiras, com pequenos engenhos para o fabrico de cachaça e rapadura. Em meados do século XIX, essa atividade entrou em decadência no Brasil, com a entrada das grandes usinas, que não chegaram a ser implantadas por aqui.

O coco-da-baía já chegou a ser um produto importante na economia de Canavieiras. Hoje, é uma atividade em plena expansão, cujo cultivo vem sendo implantado de forma científica, com variedades demandadas pelo mercado. A mandioca para o fabrico de farinha também conheceu seu apogeu e hoje ainda mantém a tradição na produção de farinha de qualidade.

Outro cultivo que se mantém importante para Canavieiras em todos os tempos é a piaçava, que começou a ser produzida por volta de 1875, robustecendo a economia. Palmeira nativa do Sul da Bahia, a piaçaveira se tornou uma das grandes fontes de extrativismo, atraindo trabalhadores de outras cidades e que contribuíram decisivamente para a formação de ajuntamentos e povoados.

A mineração foi outra atividade que atraiu um grande contingente para Canavieiras, após notícias da presença de diamantes nos campos do Salobro de Dentro, nas vertentes da Serra da Onça. Muitos dos que aqui chegaram em busca da fortuna com o garimpo foram ficando, outros – os que não conseguiam “bamburrar” – buscaram novas paragens. Mas é certo que o rio Salobro segue como área promissora para a mineração de diamantes, conforme dados da Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM).

Terra Mater do Cacau, Canavieiras fez história com o cultivo do cacaueiro e experimentou uma nova fase áurea em sua economia. À Fazenda Cubículo, localizada às margens do rio Pardo, coube a primazia de receber os primeiros cacaueiros, plantados por Antônio Dias Ribeiro, com as sementes trazidas da região Amazônica por Louis Frederico Warneaux, no ano de 1746.

Com o passar dos anos, a economia cacaueira se tornou a principal matriz econômica de Canavieiras, alavancando diversos setores da economia, a exemplo da navegação de cabotagem e o comércio. O porto municipal “fervilhava” com grande movimento de pessoas, canoas e saveiros trazendo sacos de cacau que eram transportados em navios para Ilhéus e Salvador até chegar aos países da Europa e os Estados Unidos.

E a economia cacaueira foi decisiva para a consolidação de Canavieiras como uma cidade em constante evolução, tanto que passou a ser conhecida como a “Princesinha do Sul”. Esse novo nome era motivo de orgulho para os fazendeiros de cacau e comerciantes, responsáveis pelas novas feições da cidade.

A fortuna resultante da plantação e do comércio do cacau podia ser vista por todos na forma dos casarões construídos nas ruas próximas ao porto e no centro da cidade. As casas comerciais exibiam e vendiam os melhores produtos da fabricação nacional e importados, profissionais liberais e das diversas áreas de serviços ofereciam seus préstimos e se tornavam bem-sucedidos, ao ponto de se tornarem cacauicultores, o que mensurava o homem bem aquinhoado, financeiramente.