DR. GRANA – PÔQUER ONLINE: O MAL DO ANO

http://ciadanoticia.com.br/wp-content/uploads/2010/12/Dr.-Grana.jpgDR. GRANA – PÔQUER ONLINE: O MAL DO ANO

Por Wenderson Wanzeller*

Três verdades sobre o pôquer. A primeira: não é e nunca será uma profissão. Segunda: nem de longe é um esporte. A última: não passa de um jogo de azar. No Brasil, jogar pôquer apostando dinheiro é contravenção. Do jogo no boteco à casa de luxo. Se for no Brasil, e estiver valendo, é ilegal.

Da brincadeira eu gosto. Assim como gosto de jogar buraco, pifpaf e rouba montinho. Mas, o problema é que o pôquer não está sendo tradado como jogo de salão. Torneios que cobram a inscrição, menos mal. Se o valor for simbólico, não há o que se falar. Passou disso, em solo nacional, é contravenção.

Vários sites online de “poker” estão ignorando a nossa legislação. Uma fortuna está sendo investida para conquistar novos adeptos no Brasil. E tem site para tudo que é gosto e tamanho de bolso. O apelo é muito forte. É quase um aliciamento. Além das drogas e do álcool, agora temos mais um problema para enfrentar.

A linha adotada para conquistar novos praticantes é apelativa. Eles massificam a idéia de que os grandes jogadores são profissionais ou desportistas. Nos comerciais para a TV, os praticantes dão depoimentos emocionantes, algo do tipo: eu era pião, trabalhava 12 horas por dia e, depois de virar jogador “profissional”, em apenas três meses, consegui a minha independência financeira.

Jogar pôquer não é profissão. Não existe curso técnico, faculdade nem diploma de jogador. Dizer que um jogador de pôquer é um profissional ofende a qualquer profissão ou órgão de classe. Não existe código brasileiro de ocupação para jogador de pôquer. Também não consta no imposto de renda essa opção como atividade remunerada.

Nos programas noturnos de televisão os narradores se referem ao jogo como um esporte. O judô é um esporte. O tênis é um esporte. A natação é um esporte. Pôquer, não. Experimente lutar 10 vezes com um judoca e veja quantas vezes você vai ganhar. Jogue tênis com o Guga e depois me diga quantos saques você devolveu.  O jogo de pôquer está para o esporte assim como a fada está para o dente. Ou seja, no mundo da imaginação.

Apesar de ser uma das perguntas mais recorrentes, até hoje não conheci uma fórmula para se ganhar dinheiro rápido e fácil. Pelo menos não honestamente. A probabilidade de se contrair dívidas, de ter problemas com a família e amigos, de levar uma vida improdutiva e medíocre jogando pôquer, é infinitamente maior do que a probabilidade de ter algum tipo de sucesso.

Os grandes males da humanidade se resumem em quatro pontos: Drogas, álcool, prostituição e jogos de azar. Os três primeiros assolam o Brasil há anos. Em relação aos jogos, com exceção dos bingos e caça níqueis, até que não estávamos tão mal. Mas, com essa entrada virtual do pôquer, as coisas podem mudar.

Estão plantando a semente do mal. Que os legisladores fiquem atentos. Que a polícia federal acompanhe mais de perto. O investimento de milhões de reais através dos sites online e da mídia brasileira terá um preço. Como dizia meu avô, não existe almoço grátis. Acho que o mesmo se aplicar ao pôquer.

*Wenderson Wanzeller é atuário, consultor de crédito e cobrança, comentarista econômico da Rede Canção Nova e atua no mercado financeiro há mais de 15 anos. socorro@doutorgrana.com.br

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Walmir Rosario

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