DO PÚBLICO AO PRIVADO

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? I

Faltando pouco mais de um ano para as eleições municipais, os petistas ilheenses estão assombrados com o que dirão aos eleitores. Até agora, a totalidade das promessas feitas em palanques e outros locais eleitoreiros não foi cumprida. Pior do que isso é tentar explicar à população que os constantes engarrafamentos na ponte Lomanto Júnior (Ilhéus-Pontal) têm data marcada para acabar. Não tem marketing político que convença!

A duplicação da BR-415, no trecho Ilhéus-Itabuna, conhecida como avenida Jorge Amado, é outra promessa que tem tirado o sono dos petistas. Primeiro, pelos constantes buracos que teimam em aparecer em toda a extensão da pista, sem nenhuma previsão de reparo; segundo, a falta de ações efetivas para o início da obra, ou mesmo um cronograma convincente para a realização da licitação de projeto, execução, dentre outras providências.

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? II

Levado a visitar o prédio do antigo colégio General Osório, onde funcionava até há pouco tempo a Biblioteca Municipal, o governador Jaques Wagner não se fez de rogado e tascou mais uma promessa a Ilhéus: a reforma completa. E ressaltou a responsabilidade do Governo do Estado, que possuía técnicos de gabarito para trabalhar toda a estrutura, bem como os detalhes arquitetônicos do prédio.

Até o presente momento o município continua com o prédio ameaçado, diante da inércia do governador Jaques Wagner. O mesmo destino teve a promessa de construir o semianel rodoviário de Ilhéus, que não conseguiu sair do palanque para a prancheta dos arquitetos e engenheiros. A cada dia aumenta o número de veículos circulando em Ilhéus, muitos deles utilizando o centro da cidade apenas como passagem para outras cidades, atazanando a vida dos moradores.

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? III

A pobreza de realizações do Governo do Estado em Ilhéus contrasta ao extremo com a publicidade oficial nas emissoras de rádio e televisão mostrando as obras executadas pelo governo baiano, mas só que em outras cidades. São as realizações que ninguém conhece, mas são apresentadas por atores e outros personagens retirados do meio do povo, mas que recebe uma imersão de 40 dias num curso de teatro. Haja elogio!

Em Ilhéus, o povo já está tomando como afronta os outdoors elogiando a implantação da Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba), cuja sede será implanta em Itabuna. Enquanto isso, a reforma do prédio do Departamento de Polícia Técnica (DPT) se arrasta por anos a fio. Os distritos de Ilhéus também passam por total insegurança, sem nenhuma providência à vista, apesar das inúmeras reivindicações feitas pela população e os poderes públicos.

O POVO JÁ VIU ESSE FILME

Agora, com a proximidade das eleições, é chegada a hora das autoridades estaduais voltarem às cidades para pedir votos para seus candidatos, prometendo, como contrapartida, realizações como nunca feitas. As promessas não cumpridas passam a ser renovadas, só que com outras agendas para realizar as providências necessárias ao andamento dos pleitos.

Mas nada disso importa para os políticos experientes que sabem como se entender com o eleitor, pedir desculpas pelas possíveis falhas cometidas e a promessa de renovar os votos de esperança para futuro cumprimento. E assim vai rolando a dívida feita e sem qualquer perspectiva de pagamento por parte das autoridades. Mas o povo aguenta.

JAQUES WAGNER DESAGRADA ATÉ O PT

As constantes promessas feitas e não cumpridas tem causado um profundo mal-estar entre os participantes da base eleitoral do governador baiano. E isso não fica restrito aos militantes dos partidos aliados, cansados de anunciar as promessas do governador para Ilhéus e não ter como explicar à sociedade o não cumprimento. Os militantes do PT, partido do governador, já não aguentam mais.

Recentemente, o vereador Paulo Carqueija discursou em plenário cobrando as ações do governador, além de ir a Salvador protocolar, na governadoria, documento cobrando as promessas não cumpridas por Jaques Wagner. Recebido com “tapinhas nas costas” e elogios pela independência pelo desempenho do mandato legislativo em favor do povo, não viu acontecer uma reles ação governamental para Ilhéus.

Na certa estão aguardando uma cobrança maior.

A MESMA CARA…

Os vereadores de Itabuna e Ilhéus vêm fazendo de tudo para tentar se consagrar como o pior dos dois legislativos. É o Clóvis Loiola (de péssima lembrança) que está fazendo história e alunos. Todas as mazelas feitas na câmara dos “papa jaca” estão sendo seguidas à risca pela câmara dos “papa caranguejo”, pelo menos no tocante aos desmandos praticados com o suado dinheiro dos contribuintes.

Em Itabuna, pelo menos por enquanto, Clóvis Loiola continuar desfilando nem tão garbosamente como antes, mas se apresenta como um poço de virtude e moralidade, com a maior dissimulação, tentando aparentar que nada de errado cometeu. Ao tentar se defender das primeiras acusações, saiu-se com o discurso tosco de que estaria sendo vítima de ação de “inimigos”, por ser um homem do povo, que mesmo sem letras conseguiu subir na vida.

…OS MESMOS DEFEITOS

Em Itabuna, pelo menos, o discurso não pegou e Clóvis Loiola continua vereador, apesar de ter perdido a presidência da mesa diretora, no melhor estilo “vão os anéis, ficam os dedos”, ou seja: dos males o menor. Em Ilhéus, operação abafa de estilo idêntico para defender da cassação o presidente Edvaldo Nascimento, o conhecido Dinho Gás, acusado de ter “metido os pés pelas mãos” em relação às finanças do legislativo.

FANTASMAS CONHECIDOS”

Uma simples verificação nas contas do legislativo ilheense no Tribunal de Contas dos Municípios, feita pelo vereador Paulo Carqueija (PT), identificou uma folha de pagamento de pessoal fora dos padrões, sem qualquer “amarração” com as leis que regem a contratação de pessoal, sejam do quadro funcional estável ou os conhecidos cargos de confiança.

A denúncia do vereador caiu como uma “bomba” e já se dava como “favas contadas” a cassação do mandato do vereador-presidente, pela gravidade que a denúncia representava. De novo, o presidente e alguns dos vereadores ligados ao grupo que representa se valem do singelo argumento utilizado anteriormente por Loiola, dando conta de uma retaliação à falta de intelectualidade de Dinho Gás. Quanta Pobreza de espírito!

FANTASMINHAS CAMARADAS”

Após uma análise perfunctória dos nomes – que incluía até Regina Duarte, não a atriz –, se descobriu que os “fantasmas” eram conhecidos, ou melhor, poderiam ser chamados de “camaradas”, dada a proximidade com a família do presidente Dinho Gás. Mesmo com todas as evidências, as suspeitas recaíram sobre uma pessoal da confiança (será?) do presidente: o tesoureiro teria cometido um deslize e traído a confiança depositada, elaborando uma longa lista de pessoal, coisa acima de R$ 80 por mês, pagos com cheques do Legislativo.

Acuado, o tesoureiro acusou o irmão do presidente da Câmara de ter lhe passado a lista com os nomes das pessoas aquinhoadas com a amizade presidencial, que em troca seriam beneficiadas com parte da grana. Simples, não fosse a perspicácia do vereador Paulo Carqueija em cotejar todas as leis que criavam cargos e a folha de pagamento. Não deu outra, tinha “gato na tuba” do presidente Dinho.

AUDITORIA FAZ DE CONTA

Sem grandes novidades, o relatório da Comissão de Sindicância da Câmara de Ilhéus, como era de se esperar, mostra que realmente houve culpa, mas não do presidente e aponta para um “mordomo” para levar a culpa: José Ágdo Oliveira da Silva. Para o servidor não “botar a boca no mundo”, acrescentam outro participante do crime, o irmão do presidente Dinho Gás, João Nascimento, além do culpado mais notório: a imprensa.

Convém agora o presidente da Câmara de Ilhéus explicar o que fazia o seu irmão mandando e desmandando no âmago do legislativo, cometendo crimes contra o patrimônio público. Enquanto não se explica, providenciou o imediato afastamento dos quadros de cargos comissionados do “servidor culpado”, nada disse sobre os “fantasminhas camaradas” serem seus vizinhos (do presidente), e ainda deu o caso como encerrado. Resta agora manter o “espírito de corpo” para deixar tudo como está.

Esta é a vida fácil das nossas autoridades.

MARCHA DE PREFEITOS I

Em busca de uma reposta para as demandas municipalistas entregue ao Governo do Estado no primeiro semestre deste ano, os prefeitos baianos, sob o comando da União dos Municípios da Bahia (UPB), marcharão rumo à governadoria do estado para conversarem com o governador Jaques Wagner. A data da caminhada será definida no dia 12 de setembro em assembleia geral na sede da UPB.

“Dia 12 realizaremos uma grande assembleia com todos os prefeitos lá na UPB. Neste dia, além de debatermos nossas dificuldades municipalistas e definirmos nossa mobilização em Brasília nos dias 13 e 14 para pressionar a votação dos royalties do petróleo, também vamos aprovar uma data para caminharmos rumo à governadoria. Já falei com Wagner que iremos em marcha até lá cobrar os convênios que muitos municípios assinaram com o governo”, afirmou Luiz Caetano, presidente da UPB.

MARCHA DE PREFEITOS II

As demandas dos prefeitos desse Brasil afora extrapolam e chegam a cúmulo de pedir a extinção de muitas leis destinadas ao controle orçamentário e fiscal. Em parte, os prefeitos têm razão, pois estimulados que são pelas ações (nefastas, por sinal) vinda do Governo Federal, a exemplo da contratação sem concorrência de obras destinadas à realização da Copa do Mundo de 2012;

Após tanto tempo fazendo marketing da conquista de realizar uma Copa do Mundo no Brasil, o Governo Federal esqueceu (de propósito, claro) de iniciar os procedimentos legais para a construção e reforma dos estádios onde deverão ocorrer os jogos. Ora, se o Governo Federal pode assim proceder; se o Governo do Estado pode realizar contratações através de “redas”; os municípios também devem ser liberados para também praticados seus desmandos. Se a constituição diz que todos são iguais…

DIREÇÃO DA CEPLAC

O administrador de empresa e técnico em agropecuária Eliezer Correia poderá tomar posse esta semana como superintendente regional para a Bahia, em substituição ao engenheiro agrônomo Antônio Zózimo. Os membros integrantes da atual superintendência – liderados por Zózimo – pediram exoneração dos cargos que exercem, para surpresa geral.

O grande problema, segundo notícias, seria a falta de recursos – financeiros e materiais – para a realização dos projetos em curso. Mas, na realidade, o problema é outro e de ordem política. A ingerência na Ceplac é grande e é atende pelo nome e sobrenome do deputado federal Geraldo Simões, que age como seu fosse seu feudo.

O grupo mostrou larga competência para administrar a Ceplac, que foi condenada a “morrer” de inanição, por falta da contratação de pessoal, tanto da área administrativa como científica.

BOA NOTÍCIA

A Comissão de Defesa do Consumidor aprovou esta semana o Projeto de Lei 7473/10, do deputado licenciado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), que obriga as empresas concessionárias de serviços públicos a devolver ao consumidor os valores referentes ao PIS e à Cofins repassados às suas tarifas. Pelo projeto, a obrigação se aplica às prestadoras dos serviços de telefonia, fixa ou móvel, de energia elétrica e de água e saneamento. Os valores devolvidos seriam atualizados monetariamente, pela taxa Selic, e ressarcidos em até seis parcelas mensais e consecutivas.

O relator da proposta, deputado Gean Loureiro (PMDB-SC), defendeu a aprovação do texto. Ele ressaltou que hoje as empresas não revelam aos consumidores a cobrança, o que constitui afronta ao dever de informar a composição e o preço de produtos e serviços. O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) prevê essa obrigação, de forma que o cliente possa contestar a tarifa. Loureiro também destacou que há insegurança jurídica no setor e falta base legal para a cobrança. Ele citou decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, em 2008, considerou abusivo o repasse do PIS e da Cofins para as tarifas.

CONTAM POR AÍ…

Quando governador, Paulo Souto gostava passar os fins de semana na pacata Canavieiras, cidade em que podia circular livremente sem as constantes “aporrinhações” da vida política, com pessoas lhe parando nas ruas para pedir benesses, que vão desde o emprego para si e parentes até a construção de obras e serviços que trouxessem os benefícios, como costumeiramente precisava se esquivar, deixando esse mister para os assessores mais chegados, treinados para deixar importunar o governador.

Na maioria das vezes, entretanto, o governador teria de desembarcar em Ilhéus, por conta da falta de condições e segurança para pousar no aeroporto de Canavieiras. Nesses casos, o hoje aeroporto Jorge Amado era a solução. Só que, para o desespero de Paulo Souto, pessoa recatada, a chegada do avião do governador era um acontecimento, visto que também “era ilheense”, cidade que morou por muitos anos, estudando e trabalhando como radialista e geólogo.

Nesta época, o prefeito de Ilhéus, Jabes Ribeiro, conhecedor dos hábitos de Paulo Souto, alertou seus amigos que trabalhavam no aeroporto – desde os motoristas de táxis, carregadores e funcionários da Infraero – de avisá-lo imediatamente sobre a chegada do avião governamental. E os pedidos do prefeito eram consideradas ordens, não podiam deixar de ser cumpridas.

Às sextas-feiras, como eram de costume, os telefonemas disparavam para o Palácio Paranaguá: “O avião do governador está com previsão de aterrissagem para tantas horas”. Imediatamente, o prefeito se desincumbia dos seus afazeres, apressava as audiências concedidas para estar no aeroporto antes do avião aterrissar. Afinal, ficava bem receber o governador na porta do avião.

Não só pela gentileza demonstrada, mas era preciso também mostrar à população que desfrutava de grande prestígio junto ao governador. Era o máximo e, imediatamente os fotógrafos eram colocados a postos para flagrar os momentos mais importantes, o cumprimento ainda na pequena escada da aeronave. Enquanto os flashes pipocavam, os radialistas entravam “ao vivo” nas programações das emissoras para documentar a cena, revelando aos “queridos ouvintes” a preocupação do prefeito em receber o governador na intimidade, ocasiões mais do que propícias para numa conversa de “pé-de-orelha” tratar das reivindicações para Ilhéus.

Por mais que o governador Paulo Souto se esquivasse desses encontros nos fins de semana, a perspicácia de Jabes Ribeiro não permitia. “Espiões” a postos, não dava outra, assim que o piloto da governadoria preenchia o plano de voo em Salvador, os telefonemas disparavam e o prefeito se aprontava para a recepção semanal. Era a glória.

Num desses fins de semana, a agenda do governador era outra e sua passagem por Ilhéus tinha como finalidade apoiar outro candidato a prefeito para Ilhéus, o que seria decidido num lauto almoço na residência do então deputado federal Roland Lavigne. Desta vez – pensava o governador –, estaria livre para conversar sobre a política ilheense, pois, além de adversário político, seu anfitrião era considerado inimigo de Jabes. Enfim, a conversa seria longa, definitiva e bastante proveitosa.

Antes, porém tomou todas as precauções para desembarcar em Ilhéus longe dos olhares curiosos e vigilantes dos amigos do prefeito. Dito e feito, chega o avião, o governador desembarca e embarca num carro enviado por Roland Lavigne para conduzir Paulo Souto até sua residência. Como sempre, o serviço de informação municipal funcionou.

Sem perder a elegância, Jabes Ribeiro se dirige à residência de Roland Lavigne, toca a campainha, e como se convidado fosse, se apresenta para uma conversa institucional, republicana, como diriam os petistas. E a situação realmente permitia, pois estavam juntos nada menos do que o prefeito de Ilhéus, o governador da Bahia e o deputado federal por Ilhéus, Roland Lavigne.

Um whisky de entrada, vinhos durante o almoço e Jabes se desmanchava em gentilezas (fora das vistas dos eleitores) com o anfitrião e o governador, não permitindo que ambos discutissem a sucessão ilheense. Barrigas cheias – fome saciada, melhor dizendo – as visitas se despedem e cada um procura seu destino: Roland continua em casa, o governador se dirige a Canavieiras e Jabes desfila pelas ruas de Ilhéus de volta ao Palácio Paranaguá.

Moral da história: O político não dever perder a fleuma e considerar a oposição como adversária, apenas, e não inimiga.

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