DO PÚBLICO AO PRIVADO

O TRIUNFO DAS NULIDADES I

Esta semana, em artigo publicado na imprensa, o jornalista, radialista e cerimonialista Ramiro Aquino expôs, com todas as cores, a intolerância dos petistas que governam a Bahia. Numa espécie de “tomografia computadorizada”, do comportamento nada condizente com o discurso, a assessoria do governador Jaques Wagner dá uma demonstração de como tratar com desprezo os pobres mortais.

Para embasar o artigo, Ramiro Aquino fez comparações – vividas e presenciadas em palanques – das assessorias e cerimoniais dos governos de Antônio Carlos Magalhães e Paulo Souto. A empáfia dos petistas do “núcleo duro” de Jaques Wagner é de uma arrogância ímpar, tratando, não só os profissionais de imprensa, marketing e promoções, bem como autoridades convidadas para os eventos.

O TRIUNFO DAS NULIDADES II

Em Itabuna, a turma da arrogância de Jaques Wagner chegou ao cúmulo de barrar o Bispo Diocesano de Itabuna, Dom Ceslau Stanula, de uma cerimônia no Hospital Calixto Midlej Filho, onde a Santa Casa de Misericórdia de Itabuna e o Governo do Estado celebravam um convênio. Nem mesmo nos tempos da ditadura militar que assolou o Brasil durante 21 anos se viu falta de respeito tamanho.

Não consta nos anais da história, mesmo nos tempos em que a ditadura militar mais recrudesceu, tamanha estupidez, ao se desrespeitar a maior autoridade eclesiástica da cidade, numa cerimônia eminentemente política e realizada apenas para “passar manteiga na boca de gato”, como se diz comumente na gíria. Não havia, sequer, a desculpa de assuntos restritos da “segurança nacional”, como gostavam de dizer os militares.

O TRIUNFO DAS NULIDADES III

Enquanto em palanque o governador Jaques Wagner diz coisas amenas e beira à pilheria, no sentido de continuar o discurso do ex-presidente Lula, seus asseclas distribuem arrogância, ignorância, mal educação. É o poder em mãos erradas, mal utilizado por pessoas despreparadas e que não conseguem sobreviver por muito tempo, haja vista o mal-estar que conseguem causar em muitas pessoas em tão pouco tempo.

E essa arrogância de má uso do poder está em todos os segundos, terceiros, quartos escalões, que formam um verdadeiro “cordão dos bajuladores”, o conhecido puxa-saco, que querem mostrar serviço prestando um desserviço aos que servem. Como bem disse Ramiro Aquino, chegam ao extremo da truculência, seja ela de ordem física ou moral, na tentativa de afastar pessoas dos “chefes”. Em virtude do despreparo, têm medo da própria sombra.

O TRIUNFO DAS NULIDADES IV

No caso de Itabuna, durante a inauguração do Sest/Senat, a animosidade entre a comitiva do governador Jaques Wagner começou ainda no auditório da FTC, por ocasião da assinatura simbólica do convênio do programa “Todos pela Escola”. Lá, como dissemos aqui na semana passada, um “borra-botas” da Secretaria da Educação (não seria o lugar ideal para lotar uma pessoa dessa) tentou criar um atrito entre o secretário da Educação da Bahia, Osvaldo Barreto, e o secretário da Educação de Itabuna, Gustavo Lisboa, mas sem sucesso devido ao alto nível dos dois personagens.

Mas, durante a inauguração, não perderam tempo, e num ato de estrelismo, desconhecem pessoas, tentam desqualificar autoridades, e assim procederam com o prefeito de Itabuna. Se existem diferenças que as “costuras” sejam feitas pelos “bombeiros políticos”, que conhecem do mister e não pelos pretensos profissionais de cerimonial, de jornalismo, de marketing. Lembro-me muito bem da preocupação do “cacique” Antônio Carlos Magalhães ao recomendar que em seu palanque subissem todas as lideranças locais, apesar das divergências existentes entre eles. É a arte de “ciscar pra dentro”, não a de espalhar.

O TRIUNFO DAS NULIDADES V

Se nos muitos palanques do governador Jaques Wagner acontece esses entreveros com frequência, imagine a “seleção étnica” feita antes de o avião pousar no aeroporto. Os profissionais de imprensa são tratados com má educação pelo fotógrafo do governador, um tal de Manu Dias, pessoa sem princípios e despreparada para a função que exerce ou que demonstra exercer.

Acredita ele, o tal Manu, que a imprensa das cidades do interior da Bahia são integradas por profissionais incompetentes, sem preparo, ou bajuladores da sua espécie. Olha para o equipamento dos fotógrafos, para os gravadores dos repórteres como a desdenhar da qualidade, comparando-os com o que porta, talvez de propriedade do Governo do Estado. Saiba, Manu Dias, a importância desses profissionais, com a mesma formação dele, acredito, na elaboração e divulgação das matérias jornalísticas do Governo do Estado, em grande parte promessas, muitas das quais feitas para não serem cumpridas.

A FALSA VISÃO DA ESTADISTA

A imprensa internacional ficou estarrecida com o volume de corrupção no Governo Federal do Brasil e pelo baixo índice de punição dos culpados. Mais, ainda, sobre o comportamento das autoridades brasileiras em relação à escolha de ministros e demais cargos de confiança sem a devida preocupação quanto a questões simples e primária como a ética e honradez. Dessas pessoas, pelo menos se espera, dependem o presente e o futuro do país.

Entretanto, para refutar qualquer insinuação ou repercussão das matérias divulgadas pela imprensa internacional, a presidenta Dilma Rousseff, grande promotora da “limpeza ética”, tenta desconstruir as informações com um argumento singelo e que não se sustenta. Para a presidenta, “Estrangeiro não conhece a política brasileira”. Sim, presidenta, até aí a senhora está certíssima, pois, infelizmente, a política brasileira está “atolada” de pessoas e atos nefastos, que dificulta a um cidadão de qualquer país do mundo aceitar “a farra feita com o dinheiro público”.

O desentendimento é somente em relação à política brasileira, que permite a roubalheira de forma arraigada e sem punição.

NAMORO PRA CASAR I

Ultimamente tem aumentado os encontros realizados pela base governista municipal de Ilhéus com os partidos afinados no propósito de que Ilhéus não retroceda e se curve às velhas e nada saudáveis práticas de fazer política. Têm dividido frequentemente uma mesma mesa o vereador Alcides Kruschewsky, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), o secretário municipal de Governo e Ações Estratégicas, Magno Lavigne (PSB), e até mesmo o médico Rui Carvalho, pré-candidato a prefeito pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB).

Pelo andamento e frequência das conversas, o “namoro” tem se mostrado firme e promete “casamento”, haja vista que os propósitos são idênticos. De um lado, o PSB com seu pré-candidato, de outro o PRB, também com pretendente ao Palácio Paranaguá. Nessa esteira, outros partidos e pessoas conversam sobre a sucessão, a exemplo de Cacá Colchões, que poderá ampliar essa coligação.

NAMORO PRA CASAR II

Como sempre, quem parece não se manter muito interessado nessas conversas é o Partido dos Trabalhadores (PT), que está sob “fogo cruzado”. “Chovem balas” por todos os lados, como é próprio das facções do partido, dividido entre as lideranças de Josias Gomes, sumido da região cacaueira; Geraldo Simões, que mesmo chefiando a parte mais fraca consegue fazer zoada; e a ameaça de bombas vindas do Palácio de Ondina.

Partido de tantos caciques locais, o PT sofre ao “provar do próprio veneno” ao ser submetido às pressões de instâncias superiores, onde decidem “bispos e cardeais” e enfiam coligações e candidatos “goela abaixo” dos militantes, que se tornam massa de manobra da elite palaciana. Por enquanto, nada dizem, nada ouvem, nada enxergam.

Mas, na hora certa, os petistas ouvem o recado dos chefes, desprezam os valores pregados, e como uma boiada rumo ao matadouro, entram na campanha imposta de cima pra baixo. Como dizem os entendidos: “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

A CONTRAMÃO DE AZEVEDO I

As últimas nomeações feitas pelo prefeito de Itabuna, Capitão Azevedo, dão sinais límpidos e claros que para ele Itabuna pouco importa e o alvo a ser atingido é a reeleição, custe o que custar. Com isso, loteia a prefeitura, abrigando amigos e inimigos, não importando qual o tamanho do botim a ser conquistado por cada um deles.

O último exemplo dado contempla o vereador Roberto de Souza, que até pouco tampo atrás prometia cassar Azevedo pelos desmandos praticados contra a administração pública. A ameaça se estendia por um estágio do prefeito na cadeia, tendo em vista o “alto grau das irregularidades cometidas com o dinheiro público”. Mas hoje isso é coisa do passado, que não deve ser lembrada para não causar constrangimentos a ambas as partes.

A CONTRAMÃO DE AZEVEDO II

É verdade que os arroubos do vereador Roberto de Souza cessaram, não por ter modificado seu pensamento, mudado de ideia ou ter novo ponto de vista após analisar as denúncias feitas anteriormente e considerá-las injustas, descabidas. Nada disso, pelo contrário, sua percepção continua a mesma, só que a interpretação é outra totalmente diversa da que expunha num passado nem tão recente.

Sem o poder na mão, já que perdeu a hegemonia de anos e anos na administração da Câmara, na qual mandava e desmandava, controlando, com seu grupo, as mesas diretoras que passavam, ficou sem pai nem mãe, como se diz na gíria. A intuição política ou a necessidade de sobrevivência apontou-lhe novos rumos, pousos mais seguros, pastos mais verdejantes para o exercício da política e a possibilidade de reeleição.

A CONTRAMÃO DE AZEVEDO III

Enquanto o vereador Roberto de Souza resolveu parte de seus problemas políticos e financeiros, indicando sua esposa Sandra de Souza para a presidência da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (Ficc), Capitão Azevedo ganha novas dores de cabeça. Sim, isso mesmo. A base aliada está irada com o ingresso do adversário – chamado antes de inimigo – na chamada “batucada”, enquanto eles, que “deram o sangue” a vida inteira sequer conseguem combustível político suficiente para o dia a dia.

A revolta é geral, pois quando Roberto de Souza era o todo-poderoso da Câmara de Vereadores, tratava os colegas da oposição como “vereadores canela seca”, sem direito às mordomias existentes na Casa, destinadas apenas aos amigos e correligionários. Os recursos para as viagens diversas sobre o pretexto de participação em congressos e seminários eram apenas para a base aliada, que dava sustentação à mesa diretora. É certo que alguns vereadores conseguiam “furar esse bloqueio” com promessas de outros mimos, interesses maiores, mas eram apenas alguns.

A CONTRAMÃO DE AZEVEDO III

Se esses problemas são contornáveis, outros são considerados impossíveis ou podem requerer mais trabalho, a exemplo da pouca afeição da presidenta da Ficc às artes, ao conhecimento da cultura e das políticas culturais. Se com Cyro de Mattos, que conhece do riscado, já era ruim, imagine sem ele. Não pela presença física, mas pela falta de intimidade com os projetos, pela habilidade em percorrer os caminhos e meandros da política para conseguir os recursos necessários.

De antemão, nada tenho contra a dona Sandra e tampouco desqualifico sua competência para transpor as dificuldades que surgirão no desempenho do cargo, mas alerto apenas para as qualificações necessárias e as credenciais exigidas. Não espere a presidenta que os artistas das mais diversas linguagens e expressões atuem como serviçais ou cabos eleitorais. Pelo contrário, o público, ou melhor, clientes da Ficc são pessoas que conhecem a sua cidadania e os deveres do Estado para com a cultura.

A CONTRAMÃO DE AZEVEDO IV

As cobranças surgirão e serão muitas, vindas de todos os lugares, mesmo os mais recônditos, e sobre todas as formas de expressão. Não acredito ter conhecimento a presidenta Sandra de Souza da realidade cultural dos bairros itabunenses, o que se faz de cultura no Corbiniano Freire, no Novo Horizonte, no Maria Pinheiro, no Pedro Gerônimo ou no São Lourenço. Ainda existe a cultura do Góes Calmon, do Jardim Vitória, cuja responsabilidade do Estado é provê-las.

Não sei a origem dos recursos que estarão à disposição da Ficc, mas vou logo avisando: não virão do tesouro municipal, cujo governo trata a cultura a “pão e água”, quando muito. Azevedo, quando muito, acredita apenas no pagamento dos salários dos cargos de confiança ou empregados do quadro. Quanto ao restante, segundo ele, deve vir da inventividade do ocupante do cargo, mesmo que não tenha condições de autorizar uma diária para se deslocar a Salvador para apresentar um projeto.

Por fim, há quem diga que a vingança é um prato que se come frio e que agora o prefeito Capitão Azevedo se vingará de todas as perseguições feitas por Roberto de Souza contra ele, quando ainda era o todo-poderoso da Câmara.

Tem sentido!

REFORMA POLÍTICA II

Como sempre, os problemas regionais são tratados de forma grosseira, sem responsabilidade, por não haver interesse da população em cobrar dos governantes as promessas feitas e não cumpridas. Um exemplo disso é o Porto de Ilhéus, que completa 100 no mesmo estado de penúria. Bastaria uma pesquisa nos jornais das mais diversas datas para observarmos que a audiência pública realizada pela Câmara de Ilhéus é apenas mais uma das tantas mobilizações feitas nesses anos que se somam a 100.

O olhar operoso dos sindicalistas, a boa vontade dos vereadores em buscar soluções não encontram eco e sensibilidade entre as prioridades eleitas pelos governantes. Aqui se apresentam os problemas, que são minorados pelos representantes da Codeba. Rebatem os problemas com reclamações contra a burocracia, apresentam relatórios, dizem que os recursos estão disponíveis, mas as obras não saem. É a tática utilizada pelo poder: “não ir de encontro ao povo, enchê-lo de promessas e ir levando com a barriga”.

BOA NOTÍCIA

Esta veio do jornal O Estado de São Paulo, edição deste sábado (20). A presidente Dilma Rousseff deu demonstrações de ignorar a inquietação do PT nos bastidores com o impacto político da “faxina” iniciada em julho em ministérios e autarquias federais. Dilma afirmou que o governo federal continuará a combater os “malfeitos” na máquina pública e ressaltou que a base aliada no Congresso Nacional também não concorda com a existência de irregularidades na administração federal. Parte do PT, conforme reportagem do Estado publicada sexta-feira (19), teme que as medidas carimbem o governo Lula como corrupto.

A presidente voltou a defender presunção da inocência e destacou que o governo federal respeita os direitos individuais e a dignidade humana. Ela comentou ainda reportagem publicada ontem no site da revista inglesa The Economist, segundo a qual a “faxina” que vem sendo promovida pela presidente na Esplanada dos Ministérios pode lhe trazer problemas no Congresso Nacional.

CONTAM POR AÍ…

Vascaíno até a medula, o prefeito de Ilhéus, Newton Lima, não abre mão de suas convicções quando o assunto é o seu time de coração. Esportista de quatro costados, Newton não dispensa uma partida de futebol, que vai desde o simples “baba” até jogos de futebol de quadra, passando pelo futebol de salão. Não importa o motivo do jogo, ele se apresenta para fazer seus gols e jogar conversa fora com uma cervejinha depois do jogo, como sempre fez, desde a juventude.

Como bom vascaíno, Newton Lima detesta os adversários, especialmente os do Rio de Janeiro, velhos conhecidos do Campeonato Carioca, Taça Guanabara, e porque não do Campeonato Brasileiro, onde todos disputam entre si. Mas, um destes times cariocas é o que ele mais detesta: o Flamengo, cuja torcida gosta de “tirar sarro” dos torcedores adversários, além da algazarra que fazem durante os jogos, barulheira que é ampliada geometricamente quando vencem um jogo.

Mas a rivalidade entre vascaínos e flamenguistas vai além das disputas das partidas e se estende pelo dia a dia, com gozações de ambos os lados. Como dizem que o Flamengo tem uma torcida superior – numericamente – a do Vasco, os cruzmaltinos costumam sofrer com mais intensidade. Pior do que as algazarras durante os jogos, é ouvir dos flamenguistas que o Vasco – orgulho dos “portugueses cariocas” é o campeão entre os vice-campeões do Rio de Janeiro, haja vista o acúmulo de derrotas nas partidas decisivas das várias edições do Campeonato Carioca e da Taça Guanabara.

Pois bem, se a simples gozação “ninguém aguenta”, imagine passar por outros tipos de constrangimento. Ainda mais quando o torcedor é político, classe conhecida por tentar agradar – indistintamente – aos pretensos eleitores, seja a que título for. Mas quando o assunto é futebol, a velha rivalidade entre os times do chamado “Clássico dos Milhões” – uma referência à quantidade de torcedores que consegue reunir numa partida –, o “buraco é mais embaixo”, como diria o filósofo carioca “Neném Prancha”.

Dias desses, ao participar do velório de um grande amigo, Newton Lima – católico fervoroso que é – cantava e rezava com outros presentes, seguido o ritmo do Padre Cristo, que “encomendava” a alma do finado a Deus. Lá pras tantas, não é que o Padre Cristo – também deve ser flamenguista – puxa o hino do Flamengo, considerando que seria uma última homenagem ao finado, torcedor fanático do time da Gávea.

Enquanto grande parte dos presentes fez coro acompanhando o Padre Cristo, Newton Lima parou – de chofre, como se diz – e ficou quieto. Ao seu lado, o secretário de Governo, Magno Lavigne, flamenguista de quatro costados, a título de gozação, tenta entusiasmar o prefeito a cantar o hino do Flamengo.

– Canta, Newton, canta, todo o mundo está olhando. Lembre-se que é uma última homenagem a um amigo – provocava.

E Newton Lima permanecia calado, sem esboçar qualquer reação, apesar dos constantes apelos do colaborador.

Enquanto não acabou a música, Newton permaneceu impassível. Na saída, não se conteve e disse a Magno Lavigne:

– Ora, Magno, o amigo precisava de oração, o que fizemos, quanto a time de futebol é assunto para os que ficam – e saiu sem falar mais nada.

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