DO PÚBLICO AO PRIVADO

O MASCATE DA POLÍTICA I

O governador da Bahia, Jaques Wagner, adotou uma tática utilizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), e que deu certo, culminando com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial de 2002: viajar pelo Brasil, se “vendendo” ao povo mais simples e carente do país, no sentido de desmistificar o estigma do PT e seus candidatos. Pois o Wagner está usando da mesma estratégia para arregimentar os apoios com vistas a eleger o maior número possível de candidatos aliados na eleição municipal de 2012.

Em Ilhéus já deu o seu recado e disse como queria manter a coligação, encabeçada, de preferência, com o PT e o PSB, além dos outros partidos com representação no Município. Em cada uma dessas visitas, brinca com os políticos, diz o que os eleitores querem ouvir, promete obras e serviços e sai radiante com o “trabalho” que fez junto à população.

O MASCATE DA POLÍTICA II

Além de Ilhéus, o governador fez carinho em outra dezena de prefeitos, aos quais promete juras de amor eterno e muitas obras a inaugurar até o término do mandato deles. Nada mal para quem é bastante criticado em todo o estado pela exiguidade de obras e serviços, apesar das veiculações constante de propaganda no rádio e na TV.

Para a oposição, a Bahia real é bastante diferente da Bahia que aparece na televisão, onde são veiculadas obras do Governo Federal (parceria) e da iniciativa privada, a exemplo do Porto Sul. Em Itabuna, por exemplo, a oposição diz que já tem a campanha de governador de 2014 na ponta da língua, toda ela baseada na publicidade oficial que trabalha com o mote “tem, tem, tem”.

O MASCATE DA POLÍTICA III

Durante a campanha eleitoral do próximo ano e de 2014, os partidos de oposição ao governador Jaques Wagner prometem “copiar” a melodia da música “tem, tem, tem”, fazendo uma paródia com a letra. A intenção é mostrar aos eleitores de Itabuna e região que tudo que o Governo do Estado mostra na televisão nada tem a ver com o que acontece na cidade.

Segundo os políticos, os marqueteiros deverão criar jingles e clipes mostrando as obras inacabadas e as não iniciadas, com um texto comprometedor, mais ou menos parecido com isso. “Venha comigo, venham a ver que o Governo da Bahia faz de maldade com a população”. Aí entra a musiquinha tem, tem, tem, e a locução. “Em Itabuna tem um centro de convenções inacabado, tem, tem, tem!; em Itabuna tem um teatro inacabado, tem, tem, tem!”. E a criatividade fica por conta dos marqueteiros.

REGIÃO METROPOLITANA I

Valeu a iniciativa da AmItabuna, presidida pelo advogado municipalista Alah Góes, em promover um evento bastante esclarecedor sobre a finalidade de uma Região Metropolitana (RM). A qualidade dos palestrantes foi de excelente qualidade e a informação repassada aos presentes foram decisivas para que os membros da sociedade regional, pelo menos dos municípios envolvidos na Indicação apresentada pelo deputado estadual Coronel Gilberto Santana, possam tomar posições, a favor ou conta, a depender do ponto de vista de cada um.

Uma das críticas que tem sido feita ao trabalho apresentado por Gilberto Santana é quanto à quantidade dos municípios participantes, quando a realidade demonstra que é decisivo para o sucesso de uma RM o agrupamento de poucos municípios, que tenham problemas comuns e que possam se completar. Não adiantaria criar uma RM com cidades de regiões diferentes, o que iria dar mais complexidade aos projetos, dificultando, portanto as soluções apresentadas para a realização de obras e serviços em conjunto.

REGIÃO METROPOLITANA II

Desde a promulgação da Constituição do Estado da Bahia, em 1989, por iniciativa dos deputados Daniel Gomes e Antônio Menezes (autor e relator), foi incluída a criação da Região Metropolitana de Itabuna, mas não saiu do papel. Agora, a partir da indicação de n° 18.466/11 do deputado Coronel Santana, a Região Metropolitana do Sul da Bahia, envolvendo as cidades de Itabuna e Ilhéus, além dos municípios circunvizinhos poderá ser criada, dependendo apenas da elaboração de um projeto de Lei, de iniciativa do governador do Estado, para ser encaminhada ao Poder Legislativo.

Por conta disso, foram realizadas discussões e esclarecimentos a população em torno do que consiste uma RM e os seus benefícios com a criação de uma gestão compartilhada. De acordo com Allah Góes, a análise, que foi feita por dois especialistas em Região Metropolitana, a professora titular da USP, Adélia de Souza, e o professor da UFRN, Aldo Aluízio Dantas da Silva, serviu para atestar a possibilidade de se formar uma RM com dois polos (Itabuna e Ilhéus).

REGIÃO METROPOLITANA III

Na abertura das discussões, a professora Adélia de Souza expôs sobre a importância e a necessidade urgente de instituir uma Região Metropolitana no Sul da Bahia, pelo papel que ela pode desempenhar no estado baiano de interligação entre o Centro-Oeste e Sul do Brasil. “Eu acho que ela tem um papel estratégico no contexto nacional muito importante, e é assim que tem que ser verificada a RM. Não se pode olhar para dentro é preciso olhar para o país e para o funcionamento do Mundo”, destacou a professora que foi uma das artífices da Região Metropolitana de São Paulo, em 1968.

Em seguida, o professor da Aldo Aluízio Dantas da Silva, que é grapiúna da cidade de Coaraci, discutiu alguns conceitos relativos à formação e implantação da Região Metropolitana do Sul da Bahia. Durante a sua apresentação foram expostos argumentos técnico-científicos no sentido da criação dessa região, além de mostrar que é necessário criar um organismo de gestão coletiva, com a finalidade de evitar o planejamento de forma extemporânea.

REGIÃO METROPOLITANA IV

O presidente da Amurc, Cláudio Dourado, informou que a entidade vem trabalhando no sentido de promover a Região Metropolitana junto aos municípios filiados, por considerar as condições favoráveis para prospectar recursos e implantar infraestrutura conjunta. Para isso, tem-se buscado o melhor entendimento no que consiste a RM e os seus benefícios, que poderão se concentrar na coleta de lixo, serviços de infraestrutura, segurança pública, telefonia, dentre outros, razão pela qual abraçou, juntamente com a AmItabuna, a iniciativa de realizar este evento.

Com a criação da Região Metropolitana, Dourado acredita no desenvolvimento das ações políticas nos municípios. “Nós teremos ações descentralizadas, não só no eixo entre Ilhéus e Itabuna, mas eles irão ter participações objetivas tanto na questão administrativa, educacional, e na indústria, no sentido de ter uma administração compartilhada, em condições bem mais confortáveis para essas regiões”.

ALICE DE NOVO NO DEM

A presidenta do diretório municipal do Democratas (DEM) em Itabuna, Maria Alice Araújo, será reconduzida ao cargo na convenção que a agremiação política realiza neste sábado (16), a começar pela chapa única, que deverá ser eleita por aclamação. Apesar de alguns membros de “alto coturno” ter ensaiado candidatura, a intenção não entusiasmou os membros da Executiva ou do Diretório.

Há 37 anos atuando na política partidária em Itabuna, Maria Alice Araújo conhece os caminhos e meandros da arte política, como tem demonstrado fartamente. Fiel ao amigo Fernando Gomes, que deixou o DEM para voltar ao PMDB, ela preferiu dar continuidade ao trabalho desenvolvido no diretório, principalmente para dar suporte à administração municipal. Da sede do DEM, no bairro Jardim Vitória, ele recebe os correligionários, dá as ordens aos cabos eleitorais e se comunica com os eleitores dos bairros mais distantes.

AZEVEDO É O CANDIDATO

A todos Maria Alice garante que o DEM continua com antes e que o atual prefeito de Itabuna, Capitão Azevedo, é o candidato do partido na eleição de 2012. Segundo Alice, o partido está coeso e não existe a possibilidade de um bate-chapa, até por ser o prefeito candidato natural, a não ser que acontecimentos outros venham a ocorrer.

Entretanto, apesar da convicção da presidenta do DEM, Maria Alice, existe um personagem trabalhando no submundo político para tentar viabilizar o seu nome. Apesar do esforço que vem sendo empreendido por esse filiado, será muito difícil conseguir derrubar o de Azevedo, que deverá se manter no DEM. Mas que esse personagem tenta furar o bloqueio é verdade, e todos sabem que é ele, inclusive o prefeito, que o mantém numa secretaria, segundo dizem, por pressões e mais pressões.

O DEM FAZ QUE NÃO VÊ

E não é que Azevedo será obrigado a continuar filiado ao DEM para não correr risco de perder o mandado? Pois é, mas que ele tentou “pular a cerca”, até que tentou, e muito, mas não conseguiu o seu intento, por pura falta de confiança nos dirigentes dos partidos que flertou. Em todos eles é considerado um político que não honra a palavra e os compromissos assumidos, em decorrência de sua atuação na campanha eleitoral passada.

Quis “namorar” com todos os partidos e candidatos, mas foi incapaz de “pedir a mão em casamento”. Para os dirigentes desses partidos, Capitão Azevedo traiu a todos, com “conversa mole”, através de “juras de amor eterno”, desfeitas assim que aparecia outro pretendente. Definitivamente, não foi aceito no Partido Popular (PP), muito menos no recém-criado Partido Social Democrata (PSD), comandado na Bahia pelo vice-governador Otto Alencar.

Ainda vai ter que se explicar com o deputado federal ACM Neto, que até agora não “engoliu” as desculpas esfarrapadas dadas por conta da traição partidária aos candidatos do DEM.

CONVOCAÇÃO COMPULSÓRIA

E para abrilhantar a convenção do DEM, o prefeito de Itabuna, Capitão Azevedo, reuniu todos os ocupantes de cargos de confiança e funcionários do quadro que gozam da regalia de função gratificada (os famosos FGs) na sede do clube dos servidores, a Usemi. No encontro, a convocação pura e simples para que todos compareçam, neste sábado (16), às 14 horas na sede do DEM, no Jardim Vitória.

Além do comparecimento, o prefeito ainda compeliu a todos que portem os documentos, a exemplo do título de eleitor, para procederam a filiação ao Democratas. Nas entrelinhas da convocação, o comparecimento será obrigatório para aqueles que pretendem continuar “gozando da confiança” do prefeito, o mesmo valendo para quem tem FG.

Afinal, o prefeito se comprometeu com Maria Alice em ajudar a realizar uma das maiores convenções já organizadas em Itabuna. Caneta na mão tem para isso, para desgosto dos convocados.

A TRAGÉDIA E A FARSA

Tem razão quem diz, a exemplo do sociólogo alemão Karl Marx, que a história acontece em forma de tragédia e só se repete como farsa. Em Ilhéus, essa frase cai como uma luva, quando o assunto é o movimento grevista deflagrado pelo Sindicato dos Servidores Público Municipais de Ilhéus (Sinsepi), e faz lembrar os tempos em que o deputado federal Geraldo  Simões (PT) ainda dava as cartas nos movimentos paredistas.

Lá como cá, o modus operandi é o mesmo e por qualquer motivo fecham unidades da administração pública municipal sem qualquer aviso ou motivo relevante. No caso de Geraldo Simões quando era o todo-poderoso do Conselho das Entidades Representativas dos Funcionários da Ceplac, se tratava apenas de uma criação com membros de outras entidades, mas sem registro ou outra responsabilidade civil. Já no caso do Sinsepi a história é outra, por se tratar de um sindicato legalmente constituído e com direitos e deveres a serem observados.

Calma, gente!

JUSTIÇA CHEGA NA HORA

A Justiça tarda, mas não falha, diz o velho ditado. Entretanto, em decisão liminar concedida na tarde desta sexta-feira (15), a vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (5ª Região), desembargadora Maria Adna Aguiar do Nascimento, determinou a volta de pelo menos 50% do pessoal lotado nos postos de saúde de Ilhéus. A medida liminar atende ao pedido da Procuradoria-geral do Município de Ilhéus em ação de Dissidio Coletivo para Declaração de Ilegalidade de Greve, realizada nos postos de saúde do Município.

Caso não a determinação judicial não seja obedecida, foi estipulada uma multa diária de R$ 10 mil, ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ilhéus. Na mesma decisão, a desembargadora agendou para a próxima quarta-feira (21), uma audiência de Conciliação entre a Prefeitura de Ilhéus e o Sinsepi.

BOA NOTÍCIA

Aos poucos, vão caindo os participantes do núcleo de corrupção do Ministério dos Transportes. Nesta sexta-feira (15), o ministro Paulo Sérgio Passos assinou portaria determinando o afastamento temporário de Sadok e a abertura de um processo de administrativo que pode resultar na demissão dele do serviço público. O ministério divulgou nota sobre o assunto: “O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, decidiu afastar temporariamente o diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) que estava respondendo pela Diretoria-Geral do órgão. Ao mesmo tempo, constituiu Comissão de Processo Administrativo Disciplinar para apuração dos fatos noticiados pelo jornal Estado de São Paulo, na edição do dia 15 de julho de 2011″.

Sadok acumulava o cargo de diretor-geral interino do Dnit em substituição a Luiz Antônio Pagot, que tirou férias após ameaça de ser demitido em meio ao escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes.

A mulher de Sadok, Ana Paula Batista Araújo, é dona da Construtora Araújo, contratada para cuidar de obras nas rodovias BR-174, BR-432 e BR-433, todas em Roraima e ligadas a convênios com o Dnit, principal órgão executor do Ministério dos Transportes. A aplicação de aditivos, que aumentam prazos e valores, ocorreu em todos os contratos. Sadok trabalhou em Roraima em 2001, no antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), como diretor de obras.

CONTAM POR AÍ…

Corria aí o fim dos anos de chumbo com a volta do Brasil ao estado democrático de direito, quando os movimentos sociais começaram a ser organizados na Ceplac. Inevitavelmente, chegaram as greves, diante da falta de sensibilidade (falta de costume) da direção de empresas públicas (até privadas) em ouvir e negociar as reivindicações dos trabalhadores. Era a queda de braço entre as duas partes: patrões e empregados, os primeiros acreditando que a força ainda imperava, enquanto os segundo tinham convicção de que era chegado o momento de testar as afirmações do presidente general Figueiredo de que o país caminhava para uma democracia, “nem que fosse na marra”. Quem sabe faz a hora não espera acontecer, exatamente como na música de Geraldo Vandré.

Saem os militares, entram os civis, capitaneado por José Sarney – instrumento dos militares, que soube “pongar” na redemocratização do país com a campanha Diretas Já! – após a morte de Tancredo Neves. Junto com ele, sobem pela rampa do Palácio do Planalto os militantes do PMDB, responsáveis pela luta contra a ditadura, apesar de um tanto desfigurado com o acréscimo da “letra P” ao velho MDB cansado de guerra.

Em Ilhéus, um dos próceres do partido, o médico e deputado Jorge Viana reivindica a indicação da direção da Ceplac prometendo “virar a instituição de cabeça pra baixo” e impor novos ritmos. Para tanto, nomeia o advogado Josuelito Brito secretário-geral e busca ex-funcionários do órgão considerados injustiçados para imprimir o novo projeto. Entre eles, eis que chega o engenheiro agrônomo Ubaldino Dantas, ex-chefe do Departamento de Extensão (Depex), para dirigir a Coordenadoria regional para a Bahia e Espírito Santo.

Homem afeito ao diálogo e costumeiro cumpridor da palavra empenhada, Ubaldino Dantas prevê a mudança de costumes na relação trabalhista e atende às reivindicações dos funcionários cedendo o ginásio de esportes da Ceplac para a realização da primeira assembleia. Lá na presença de mais de mil ceplaqueanos vindos de escritórios locais e estações experimentais da região, celebram a volta da democracia e fundam o Conselho das Entidades Representativas dos Funcionários da Cepalc, formada pela Associação dos Funcionários da Ceplac (AFC), Sociedade dos Engenheiros Agrônomos do Cacau (Seac) e Sociedade dos Técnicos Agrícolas do Cacau (Stac).

E o coordenador regional Ubaldino Dantas era uma das pessoas mais aguardadas na assembleia, que demorava a começar e causava ansiedade nos presentes, dada a importância histórica do ato. Lá pras tantas, quase no fim da tarde, eis que chega Ubaldino, faz discurso pró-funcionários e deixa o encontro. Dava para notar a apreensão dos ocupantes de cargos de confiança, que após a saída de Ubaldino resolveram voltar ao prédio da coordenadoria.

Lá tomaram conhecimento da realidade e dos fatos ocorridos antes da assembleia. Pressionado pelo secretário-geral Josuelito Brito a não permitir a realização da assembleia dentro da área e no horário do expediente, Ubaldino Dantas não cedeu e garantiu a palavra empenhada, mesmo pagando um alto preço: a exoneração do cargo de coordenador e do quadro técnico da Ceplac, que tinha ocupado muito recentemente.

Em vez de aceitar as pressões, Ubaldino preferiu a demissão por telefone e foi assistir a assembleia história da redemocratização da Ceplac. Um sujeito de fibra, sem sombra de dúvida.

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