DO CINQUENTENÁRIO AO CENTENÁRIO

Walmir Rosário*

Confesso, com muito desapontamento, que não é todo o dia que se pode comemorar um centenário, quanto mais esperar o bicentenário de Itabuna. Pelo menos meu consolo é ter participado das comemorações do Cinquentenário, ainda na tenra idade, aos 10 anos.

Apesar da idade, participei efetivamente desfilando garbosamente pelo meu colégio. Foi um desfile monumental que contou com a adesão de toda a sociedade, mobilizada pelos poderes públicos municipais (Executivo e Legislativo), bem como clubes de serviço e estabelecimentos de ensino.

A perfeita interação entre os poderes constituídos e a sociedade, naquela época, prova inequívoca da perda do sentimento de coletividade, foi responsável pelo maior espetáculo histórico já realizado em Itabuna, numa perfeita simbiose entre os segmentos socais da ápoca.

Colégios se mobilizaram com o objetivo de realizar um desfile monumental com a participação de alunos, pais de alunos, vizinhos, moradores dos bairros. Mesmo antes de Joãozinho Trinta, a recém-nomeada (e ampliada) avenida do Cinquentenário viveu seu dia de “Marquês de Sapucaí”.

Carros alegóricos, pessoas representando os personagens desbravadores de nossa cidade ou portando adereços sobre fatos históricos formavam um conjunto e contavam a história da Marimbeta, do povoado de Tabocas a Itabuna.

As emissoras de rádio e os serviços de alto-falante, os jornais não falavam ou escreviam sobre a grande comemoração dos 50 anos de Itabuna, contagiando toda a população. Era uma festa para ficar na história, como realmente ficou.

No dia 28 de julho de 1960 a cidade amanheceu em festa, com alvorada pirotécnica, missas solenes, cultos religiosos, palestras, inaugurações e o desfile monumental.

Foi a apoteose!

O tempo passou e a cidade perdeu seu senso de coletividade, fazendo prevalecer os interesses individuais, a chama da “lei de Gerson” e nos 100 anos de Itabuna não tivemos a competência de mobilizar a sociedade e oferecer uma festa mais participativa.

Uma pena. Inauguramos obras importantes para a cidade, ampliando a qualidade de vida da população, mas perdemos em convivência harmoniosa entre instituições e comunidade.

Felizmente, algumas ações culturais, a exemplo da escolha e aprovação do Hino a Itabuna, agora oficializado pela Câmara Municipal, realizada pela Secretária Municipal da Educação, e o reconhecimento aos nossos ancestrais, com monumentos erigidos pela Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC), “salvaram” nossos 100 anos de Itabuna.

Organizador das solenidades comemorativas do Cinquentenário de Itabuna, Adelindo Kfoury colaborou, de forma substancial e voluntária, para engrandecer o Centenário, oferecendo sugestões, realizando palestras sobre a história de nossas instituições. Neste ponto, “salvou a pátria”.

Daqui a 50 anos, esperamos um sesquicentenário à altura de nossas tradições.

*Radialista, jornalista e advogado

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Walmir Rosario

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