DIAGNÓSTICO DE UMA “POBRE REGIÃO RICA”

Roberto Melo de Oliveira

A Região Cacaueira, apesar da infra-estrutura já implantada e todo o potencial natural que possui, passa por momentos de estagnação e/ou retrocesso na economia e na qualidade de vida de sua população. A região está em estado agonizante: na educação, na saúde, na segurança e em habitação, que são os principais fatores que medem a qualidade de vida de uma comunidade.

Se compararmos a taxa de crescimento dos últimos 10 anos, das diferentes regiões do próprio estado e/ou de outros estados do Nordeste, com condições menos favoráveis que as da região cacaueira, observaremos que existe uma apatia muito grande por parte das autoridades e da sociedade civil, que não possuem solução para a multidão, em sua maioria analfabetos e desempregados, que povoam os entornos das cidades, sem nenhuma experiência profissional, e que só contribuem para aumentar as estatísticas de miséria e falta de perspectiva das populações urbanas locais.

Chegamos a conclusão que está faltando Planejamento Estratégico por parte da classe política em todos os níveis: federal, estadual e municipal, por intermédio dos órgãos públicos aqui instalados, da Uesc e das Faculdades existentes na região. O maior problema é que essas entidades não se comunicam e nem interagem com as comunidades locais, vivem olhando para o próprio umbigo sem querer enxergar um palmo à frente. Possuímos uma Universidade e varias faculdades; porém, pouco de tecnologia é utilizada pela população.

Não temos grandes projetos que, utilizando recursos do BNDES, visem a instalação de fábricas, indústrias e/ou montadoras aqui na região.

Ainda que os recursos gerados pelo cacau sejam expressivos para os cofres públicos, quase nada lhe é devolvido. Nem projetos, imagine empreendimentos.

Grandes somas de recursos saem da região, via loterias, e nada se observa em investimentos a fundo perdido realizados pela Caixa Econômica Federal.

Temos Faculdades de Medicina e Enfermagem, mas a população não dispõe de saúde preventiva de qualidade, prestada pelos alunos, sob supervisão dos professores.

Temos Faculdades de Letras, mas o nível escolar na maioria dos municípios é baixo.

Temos Centros de Pesquisas, mas a agricultura que se pratica é rudimentar.

Desconhecemos que exista algum plano que envolva as entidades acima citadas com o objetivo de desenvolver políticas de geração de emprego e renda, em atividades diferentes da mão de obra rural para as tradicionais práticas da lavoura cacaueira.

Fala-se muito em investimentos da ferrovia e do porto, mas os recursos que vierem a gerar serão canalizados para uma só prefeitura, e, como sabemos, nem sempre haverá retorno para os seus munícipes.

As atividades que geram emprego e renda são: turismo, fábricas e indústrias, pois conseguem agregar valores aos produtos primários, e, consequentemente atrair recursos de outras regiões para a nossa.

Engenheiro e servidor público federal

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Walmir Rosario

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