DIA DE CÃO: SEM-TERRAS BOTAM POLÍCIA PRA CORRER

Walmir Rosário*

Como já era de se esperar, os sem-terra desmoralizaram as instituições brasileiras. Agora, além do Poder Executivo Federal, Judiciário, e tantas outras entidades, eles também botaram a Polícia Militar em Itabuna pra correr. O fato parece brincadeira, mas é verídico e aconteceu sexta-feira (16), por ocasião da passeata promovida por eles, quando invadiram a avenida do Cinquentenário na contramão, desrespeitando até mesmo o companheiro Geraldo Simões, responsável pela administração da cidade.

Empunhando foices, facões e outras armas brancas, desafiavam as autoridades constituídas, fecharam ruas e avenidas cantando palavras de ordem contra uma população ordeira e sem qualquer culpa da teimosia do presidente Lula em não imprimir celeridade no processo de reforma agrária. O comércio fechava as portas com medo da investida em suas casas comerciais.

No Fórum Ruy Barbosa, o Poder Judiciário também foi enxovalhado pela turba comandada pelos próceres do PT e PC do B, quebrando os cadeados e prometendo invadir suas dependências. Nada aconteceu com eles (os sem-terra) e os representantes da Justiça nada fizeram para apurar os fatos e fazer com que os infratores fossem à barra dos tribunais, como acontecem aos pobres mortais cidadãos comuns.

Na passagem do cortejo, alguns automóveis estacionados sofreram alguns arranhões, coisa sem maior importância, haja vista a turba passante. O incidente maior, entretanto, aconteceu no cruzamento entre a avenida do Cinquentenário e a rua Quintino Bocaiuva. Quando a massa manobrada por Stédile & Cia ainda vinha na altura da praça Otávio Mangabeira (Camacã), cerca de três ruas acima já eram fechadas.

No dito cruzamento, pararam três ou quatro policiais montando motocicletas, e fizeram menção de abrir o tráfego para que os carros aglomerados na Quintino Bocaiuva pudessem atravessar a Cinquentenário em direção à Beira-rio. A atitude dos policiais despertou a ira de um grupo de sem-terras, que atuava como batedores (ou fiscais do tráfego), que partiram para os policiais “riscando” os facões e foices pelo asfalto.

Bastou essa atitude para que os policiais militares se lembrassem da mesma atitude dos sem-terra em Eldorado dos Carajás, em 17 de abril de 1996, quando partiram para cima dos policiais brandindo o mesmo tipo de arma (facões e foices). Talvez, para não repetir a tragédia, os policiais deram meia-volta, montaram nas motos e subiram a rua Quintino Bocaiúva na contramão. No mínimo, os sem-terra deveriam ser autuados em flagrante delito por desacato a autoridade.

A falta de segurança do cidadão não se limitava às ameaças feitas pelos sem-terra e ainda contava com a ajuda oficial (mesmo que desinteressada) de policiais militares. Os ocupantes da uma viatura estacionada em frente ao Jardim do Ó, atravessada na avenida do Cinquentenário, continuavam dentro do carro, e os motoristas não eram avisados da proibição e poderiam passar pela frente ou pelo fundo da viatura e continuar sua desavisada viagem.

O incauto motorista só teria noção do perigo que iria correr quando se deparasse frente a frente à passeata. A simples presença de um carro (mesmo na sua mão de direção) em direção à passeata poderia ser considerada como uma afronta e as consequências imprevisíveis.

Para começar, de fato, uma guerra civil, basta mais um incentivo como o feito pelo presidente da Funai, Mércio Pereira Gomes, que de maneira irresponsável, como é do feito da maioria dos ocupantes do alto escalação do Governo Federal, defendeu a morte dos garimpeiros pelos índios Cinta Larga. Para ele, o massacre se justificava como forma de defesa da propriedade.

Que os produtores rurais não resolvam seguir a irresponsabilidade oficial do presidente da Funai, para transformarmos o país num verdadeiro campo de batalha, com o aval dos nossos governantes maiores. De discursos o brasileiro já está cheio, Lula. Falta apenas nosso presidente convencer seus ministros e colaboradores diretos a governar conforme dita.

*Radialista, jornalista e advogado

Publicado no Jornal Agora em 02-07-2005

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Walmir Rosario

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