DE VOLTA AO ESTRESSE

Walmir Rosário*

Nem de perto eu tinha ideia, consciência da extensão do problema que criei ao escrever sobre minha vontade de mudar de atitude, principalmente em me abster de escrever as mal traçadas linhas sobre política. Tomei porrada de todos os lados e alguns mais afoitos, como o cirurgião-dentista e curador de artes, Guilherme Lamounier (o Guigui das artes), chegou a ensaiar um protesto e chegou a duvidar de minha sanidade mental.

Pelo que deixou subtendido, ou eu tinha “pirado” ou tinha sido aconselhado por algum político chateado com meus cometidos artigos a tratar de amenidades. Para um bom entendedor, teria eu sido “comprado” por algum político ou autoridade da coleção dos meus desafetos. Quanta piração vampiresca do meu amigo mineiro, que queria ver e sugar sangue.

Somente dona Vilma me deu respaldo e até colaborou para que a mudança fosse processada num piscar de olhos. Também, depois de 32 anos de feliz convivência, decretou que tinha chegado a minha hora de reduzir a vida estressada e vestir o pijama dessas confusões políticas, onde os desafetos brotam a cada palavra dita em favor da democracia. Uma de suas primeiras providências foi fazer uma assinatura da revista Caras, para “eu ir acostumando à nova vidinha”.

Mas como o que é bom dura pouco, já na quinta-feira (26), me surpreendi com uma notícia. Logo a notícia mais esperada por todos nós da Região Cacaueira: a prorrogação das dívidas dos cacauicultores pelo Conselho Monetário Nacional. Coisa que interessa a todos nós, mesmo os que como eu não possui um só pé de cacau. Ou como diriam os antigos: “Cacau, nem no corpo”, numa referência a um tipo de coceira.

Minha indignação foi tamanha ao ler um release da assessoria do ex-prefeito Geraldo Simões, onde lhe eram conferidos todos os louros sobre a brilhante ação do Governo Federal em benefício dos cacauicultores. Coisa da estrita preocupação do presidente Lula, convocado que foi pelo seu compadre Geraldo Simões (embora ninguém tenha visto a foto do batizado) para dar uma ajudazinha aos produtores de cacau.

Pelo que dizia o release produzido pela assessoria de Geraldo Simões, toda imprensa da Bahia e até a chamada grande imprensa “comeu mosca” com uma barrigada incrível. De acordo com a assessoria de Geraldo Simões, a Folha de São Paulo desinformou seus leitores, pois na edição de quinta-feira (26), na página 5 do caderno A, publicou sob o título “Para tentar barrar a CPI, Dirceu procura Garotinho”.

Lá pras tantas linhas, dizem os desinformados (na visão da assessoria de Geraldo) jornalistas Kennedy Alencar e Fernanda Krakovics: “…No esforço anti-CPI, Palocci telefonou às 10h15min para o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que manteve a assinatura na CPI, mas prometeu boa vontade em batalhas futuras. O ministro quis lhe dar uma boa notícia: o Conselho Monetário Nacional aprovaria ontem, o que aconteceu, a suspensão até 31 de outubro das dívidas dos produtores de cacau que estão na base eleitoral do deputado. Até lá o governo estudará eventual refinanciamento dos débitos, como quer o parlamentar…”.

Outro que o ex-prefeito Geraldo Simões colocou como “salvador da pátria” foi o ministro Jaques Wagner, a quem teria reivindicado uma solução para o cacau e decidiu intervir em favor dos produtores. Não se sabe a repentina boa vontade de Geraldo Simões para com a cacauicultura, coisa que não fez durante toda sua vida parlamentar, seja na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal.

Durante sua pálida passagem na Câmara Federal, a única notícia sobre ele foi a de que votou contra a vinda da Ford para a Bahia, somente porque estava sendo atraída pelo grupo carlista. De outra ação parlamentar não se pode falar, porque não existiu. O comentário, nos bastidores políticos, é que essa ação de GS é apenas uma reação à crescente subida nas pesquisas de seu companheiro de partido, o deputado federal Josias Gomes.

Outros mais afoitos dizem que o suor empreendido por Geraldo Simões em benefício da cacauicultura é um perfeito antídoto contra picada de cobra, além de ótimo remédio para a cura da aids. Não chega a acreditar em tanto, mas…

* Radialista, jornalista e advogado

Publicado no Jornal Agora em 28-05-2005

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