DE QUEM ELES TÊM MEDO?

Walmir Rosário*

O Brasil assiste estarrecido – e calado – a mais uma grande arbitrariedade cometida pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, contra o patrimônio público e histórico nacional: o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República. Mandando cercar o Alvorada, presidente Lula incorreu em dois crimes; o primeiro foi modificar, sem autorização, um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer; o segundo, atentar contra um patrimônio arquitetônico do povo brasileiro.

Ainda resta o descaso com o povo brasileiro (incluídos aí os turistas) que procura visitar uma das consideradas maravilhas da arquitetura moderna construída no planalto central do país. Nem mesmo no tempo da ditadura militar implantada em 64, quando o uso da força era uma realidade, motivada pelo medo da reação popular, nossos monumentos foram tão enxovalhados. Àquela época, as pessoas podiam visitar os palácios e todo o acervo da República e as autoridades não tinham o menor receio deles, por questões óbvias.

Entretanto, ao chegar ao poder um homem do povo, as atitudes são extremamente inversas das praticadas pelas que têm na segurança uma obcecação profissional. O Lula acostumado ao cheiro de povo, à companheirada da fábrica, aos amigos do bar da esquina, das peladas de fins de semana tornou-se paranoico e tenta isolar-se, no Palácio da Alvorada, longe de todos. O próprio presidente Lula deve lembrar da cerimônia de sua posse, quando passeou pelo eixo monumental no meio da multidão.

Nada aconteceu, presidente. O povo brasileiro possui boa índole e só pretende viver feliz, apesar de não possuir condições materiais para tanto. Mesmo assim, consegue fazer festa para o governante que lhe tira o emprego, que tira parte do seu salário em cobranças de taxas e previdência dos aposentados, que o senhor era contra. O povo brasileiro, presidente, é capaz de perdoar os males cometidos pelos governantes como o senhor, que vendeu ilusão, prometendo (como diria um nordestino como o senhor) um rio de leite e uma ribanceira de cuscuz.

Meu receio é que essa paranoia que lhe acomete possa ser uma verdade. Quem sabe, após uma série de reflexões, o senhor não tenha chegado à conclusão de que o povo pode se revoltar com suas falsas promessas e não implantar uma réplica da Revolução Francesa e guilhotiná-lo. Nada disso, o brasileiro, além de ordeiro, é dado à democracia, mesmo que em algumas ocasiões não possa exercê-la na sua plenitude.

Estou desconfiando, presidente, que essa sua paranoia e os milhares de erros cometidos deva ser culpa de assessores despreparados para o cargo, gente que não tem a mínima noção do que seja uma nação. Meu receio é que essa sua clausura tenha sido recomendação do prefeito de Itabuna, Geraldo Simões, que tem andado tanto aí por Brasília. Deve ser o Geraldo que anda incutindo essas idéias na sua cabeça, pois como ele também prometeu mundos e fundos e não fez nada só anda em carro blindado, com vidros fechados e cercado de segurança. Mas não ligue, não, presidente, basta V.Exa. fazer o que prometeu que o povo esquece tudo.

É sempre assim.

*Radialista, jornalista e advogado

Publicado no Jornal Agora em 04-09-2004

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