COZINHA REVISITADA OU REPAGINADA

A chave de fenda foi um simples esquecimento e não tem nada a ver com essa receita

De tempos em tempos – agora com maior velocidade – a economia passa por transformações, às vezes profundas, outras nem tanto. Mas é inegável que provoca mudanças em nossos costumes. E Como! Junto com a economia, a história tem nos mostrado que os hábitos acompanham. Hoje, por exemplo, há um grande número de pessoas que vivem só, alguns por conveniência, outros tantos por falta de encontrar a “cara metade”.

As indústrias já notaram esse novo comportamento e oferecem nos supermercados embalagens cada vez menores, com a finalidade de satisfazer a necessidades dessa camada da sociedade: os solteirões. E isso refletiu na cozinha, com alimentos pré-cozidos, congelados, semiprontos. Sem falar nos tipos de fogões que fazem de tudo e os aparelhos de micro-ondas, entre outros inventos à disposição.

Muitos desses hábitos não são coisas da modernidade, como dizem alguns, e começamos a ver desde nossa infância, em casa, com nossas mães. Os pratos servidos no almoço, quando sobravam, eram apresentados de “cara nova” no jantar. Ou como dizem os mais maldosos sobre a teoria de Antoine Laurent de Lavoisier: “A sobra do almoço virá logo mais em formas de bolinhos de bacalhau, pastéis de carne e coxinhas de frangos nos melhores e mais respeitáveis restaurantes da cidade”. Estava, portanto, criada a sentença: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Mas o que tem tudo isso a ver com a coluna “Prazeres da Mesa”? Dizem os mais apressados: tudo, pois estamos falando de comida, alimentos bem preparados, pratos cuidadosamente elaborados e que simplesmente não podem parar na lata do lixo. Pensando nessa teoria, usei a assertiva de Lavoisier na receita anterior aqui publicada. E deu certo. Uma delícia que somente que provou – neste caso, somente eu – pode afirmar.

Mas vamos direto ao assunto. Mais da metade daquela berinjela refogada da receita passada foi para a geladeira à espera de uma “repaginada”, como se diz atualmente na música, literatura e outras artes. Mas como cozinhar também é uma arte, em vez de prato principal, passou a acessória numa macarronada. Sim, isso mesmo, dispensei o tradicional tomate e nossa berinjela se transformou no molho de macarrão.

Para dar mais substância ao prato, nada melhor do que uma picanha fatiada levemente passada em azeite bem fervente, crocante por fora e suculenta por dentro. Para acompanhar, a simplicidade do malte engarrafado pelo cervejeiro da Bohemia de forma escura.

Prato simples, eficiente e econômico. E gostoso. A vida de solteiro tem seus encantos, diria.

INGREDIENTES

MACARRÃO

– macarrão para uma pessoa;

– um fio de azeite;

– sal a gosto;

BERINJELA

– 2 berinjelas;

– alecrim a gosto;

– 1 cabeça de cebola;

– 2 dentes de alho;

– ½ pimentão;

– pimenta do reino a gosto;

– sal a gosto;

– uma colher de pasta de tomate seco;

– 4 colheres de sopa de azeite de oliva.

PICANHA

– um pedaço de picanha (para uma pessoa);

– sal;

– tempero pronto à base de alho;

* O modo de preparo da berinjela está à disposição aqui na página “Prazeres da Mesa”.

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