CONSUMIDOR SE RETRAI E SE DÁ BEM

Walmir Rosário*

A Copa do Mundo – assunto do momento – não foi muito boa para os gananciosos, conforme se esperava. Os preços escorchantes praticados nas reservas de hotéis e passagens aéreas, sobretudo, não alcançaram os efeitos pretendidos pelos espertos empresários.

Não desconheço aqui a lei da oferta e procura e sim o oportunismo desenfreado daqueles que querem ganhar mais a todo o custo, com preços irreais. Desta vez, ao que todo indica, o brasileiro, e mesmo o estrangeiro, buscaram novas alternativas e se deram bem.

Segundo as pesquisas, os preços subiram em até 1.200 por cento nos hotéis, fazendo com que a procura por quartos fossem direcionadas aos albergues e casas residenciais. Nesses casos, os valores foram bem mais reduzidos e quem não acompanhou essa tendência ficou pra trás.

Com quartos sobrando nos hotéis e assentos nos voos comerciais para as datas nas cidades onde são realizados os jogos, as empresas tiveram que refazer seus planos. Os preços foram reduzidos e se criou uma nova categoria de hospedagem, acompanhando a tendência em outras cidades pelo mundo afora.

Com a inflação em níveis mais baixos, fica mais fácil para os consumidores traçarem o planejamento da viagem. E isso é possível graças à manutenção dos preços de bens e serviços, que embora subam nos supermercados e outros estabelecimentos, o consumidor não perde de vista sua oscilação.

Neste período de Copa do Mundo também não parece haver tido uma corrida de consumidores às lojas em busca de novos televisores, pois os lançamentos dos aparelhos com novas tecnologias ainda não chegaram ao Brasil. Uma tática das indústrias de televisores, que preferem desovar os atuais estoques.

Esse comportamento mostra que o brasileiro já se adaptou aos novos tempos. Porém, se ele está atendo aos investimentos com alguns equipamentos do tipo eletrodoméstico, os gastos são maiores com smartfones e o uso de comunicação via redes sociais.

Pesquisa recente aponta que o Brasil é país mais preocupado com a interferência das mídias sociais na produtividade dos profissionais, que utilizam essas mídias em pleno horário de trabalho. Ao que parece, entretanto, os fofoqueiros são os que mais temor causam aos empresários.

Prejuízos maiores para as empresas em tempos de Copa do Mundo e protestos são os quebra-quebras. Ontem, os deputados estaduais de Minas Gerais aprovaram a restrição do uso de máscaras em manifestações públicas. Caso o Congresso Nacional aprove essa medida, poderemos ter protestos mais equilibrados.

*Radialista, jornalista e advogado

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Walmir Rosario

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