Comidas das Arábias – do Líbano para Itabuna

O povo árabe é maravilho. Contribuíram com diversas ciências, a exemplo da matemática, inclusive criando os números (melhor, algarismos) da forma que usamos hoje, de 1 a 9, aposentando os algarismos romanos, mais complicados. Também foi bom no estudo da física, astronomia, ampliando os conhecimentos da navegação, e ainda por cima souberam tomar conta dos poços de petróleo até que os preços fossem convenientes para eles (brincadeira).

Manjar dos deuses, ou profetas

Mas, aqui pra nós, o que considero os árabes bons mesmo é na cozinha. Povo de mesa farta, nos quatro cantos do mundo sempre se encontra um excelente restaurante árabe. Melhor ainda quando somos convidados para comer na casa de um deles, principalmente do que conserva as tradições. Produtos de qualidade e temperos na medida certa, para o gáudio do nosso paladar.

Existem árabes e árabes. Traduzindo: os que comem bem (e muito) e os que comem bem (e porque não muito) e ainda por cima conhecem os segredos da culinária da terrinha. Cá entre nós grapiúnas, os pratos sírios e libaneses são bastante conhecidos, bem como o conceito de cada um dos cozinheiro(a)s. Melhor não nominá-los para não cometer o pecado de esquecer um deles e ser riscado da sua agenda.

Mesmo os que não têm ascendência árabe, mas juntaram as escovas de dente, e resolveram fazer incursões pela cozinha árabe aprenderam alguma coisa. Ou muito, a depender do interesse e vocação pela gastronomia. Outros, entretanto, não se aventuram no forno e fogão. Para esses bastam a propaganda que fazem junto aos amigos. “Minha esposa é divina na cozinha, precisa ver o quibe cru que prepara. A coalhada seca, então! Quibe de forno não tem igual, aqui nem lá”, se vangloriam.

Pois foi exatamente o disse (e continua dizendo) o advogado Sérgio Lima (Bolha), ressaltando os pendores culinários da mulher amada. E por cima ainda prometeu: “Vou pedir para ela preparar e trazer para vocês. Não tem nada que se compare”. O tempo foi passando e cada sexta-feira vindoura era marcada como novo prazo para o banquete, até que um dia não teve perdão.

Os privilegiados com o lauto banquete. Até dona Ivone Fialho aprovou as receitas

Na fatídica sexta-feira (28 de janeiro), local marcado (sede do Jornal Agora), o ato foi consumado. Convidados tantos, ilustres, por sinal, como a ocasião pedia, lá estavam aflitos à espera de Sérgio Lima, o dono da casa José Adervan, Robson Nascimento, os advogados José Augusto Ferreira, Allah Góes e Walmir Rosário, o árabe Ronald Kalid, Walmir Rosário, Joel Filho, Domingos Matos, e um convidado especialmente vindo de Salvador, o médico Sérgio Tadeu (Tigrão).

Lá pelas tantas, eis que surge imponente o homem mais esperado da noite, Sérgio Lima (Bolha), a carregar bandejas e vasilhas com as iguarias prometidas: coalhada seca e o quibe nas versões cru e de forno. Não esqueceu sequer o azeite. Sem perda de tempo, os pratos foram feitos e degustados com avidez moderada (se é que isto é possível), com generosas doses de “Francezinha” (sic), cachaça de alto padrão (na falta de Arak) da reserva especial de Paulo Carletto e muita água para hidratar.

Por unanimidade, os pratos receberam adjetivos positivos do mais diversos, e por fim elevados à condição de “manjar dos deuses”, se é que os deuses se ocupam desses costumes dos humanos.

Diferentemente de outras colunas Prazeres da Mesa, esta não tem um final feliz, com a publicação da receita, que poderá servir para roteiro para o leitor – que não teve a mesma sorte nossa – tentar repetir o prato em casa. Desta vez, Sérgio Bolha deixou “todos na mão”, ao estufar o peito e dizem em alto e bom som: “É segredo de família e dona Ranulpha não permitiu a permitiu sua divulgação”. Em compensação, agendou para as próximas semanas a degustação de um “arroz de polvo”, com grife de dona Ranulpha.

Tá perdoado.

(Obs): Aos leitores recomendo uma busca das receitas na internet, restaurantes ou em casas de amigos árabes.

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Walmir Rosario

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