CARTA DE ADELINDO KFOURY – ITABUNA NÃO É MAIS A MESMA…

Isso mesmo, sem tirar nem por. Minha terra não é mais a mesma. Quem me conhece sabe que tanto abomino bairrismo insano como covardia em defesa do que é nosso.

Grande falta estão fazendo lideranças autênticas e devotadas como José Soares Pinheiro, Gileno Amado, José Eufrásio Sobrinho, Adélcio Benício dos Santos, Alcides Bezerra, Mário Padre, José de Almeida Alcântara, Raimundo Lima, Nestor Passos, José Nunes de Aquino, Corbiniano Freire, Filadelfo Almeida, Calixto Midlej Filho, somente para citar algumas das mais recentes infelizmente já falecidas.

Na atualidade estamos testemunhando o apequenamento de nossa cidadania, o alheamento as nossas tradições, o desprezo a nossa História.

Fui uma das poucas vozes que se fizeram ouvir não para incitar descumprir resolução das autoridades municipais, porém na tentativa de preservar um dos poucos –senão último- dos monumentos históricos que ainda dispomos no centro urbano. Colocando o verbo no pretérito do indicativo, estou querendo dizer que não voltarei mais ao assunto. Não por cansaço, mas pela decepção da ausência de quaisquer iniciativas por parte da comunidade, sobretudo dos ex-alunos.

Sabemos que se a Grécia é um dos berços da História Universal, o que não dizer do Egito bem mais velho? Pois ali vou buscar edificante exemplo de amor de jovens estudantes a um patrimônio não só de seu país, porém de toda Humanidade. Na cidade do Cairo existe o Museu Egípcio, repositório do engenho humano durante mais de 6 mil anos de existência, onde também se pode ver uma esfinge do Rei Tutancâmon (faraó que faleceu ainda moço no ano de 1324 a.C.) dentro de uma carapaça de ouro, os olhos arregalados, parecendo defender a integridade do local. Essa e outras milhares de peças escaparam de ser desviadas para Inglaterra, Alemanha ou França durante suas incursões bélicas. Logo vocês compreenderão porque estou fazendo tais divagações.

Notícias não faltaram sobre a rebelião do povo contra o sanguinário ditador Hosni Mubarak. Antes de alcançarem a vitória, os insurretos travaram violentas batalhas, sobretudo na cidade do Cairo, onde na Praça Tahrir está localizado o museu. Naturalmente isso resultou em prejuízos incalculáveis, pois que saqueadores internacionais estavam se aproveitando para furtar partes daqueles tesouros ali preservados. Muitas peças de inestimável valor desapareceram, além de registrarem-se inúmeras relíquias destruídas como múmias e estátuas que jamais serão recuperadas.

Foi quando o mundo pode assistir entre emocionado e orgulhoso da espécie humana, centenas de jovens com os braços entrelaçados, formando uma corrente humana envolvendo todo o museu! Assim conseguindo protegê-lo.

Era o que eu precisava dizer.

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Walmir Rosario

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